foi um grande ano.

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2014 não veio de brinks. Foi horrível e maravilhoso e tenso e incrível, foi um ano montanha-russa.

Não teve carnaval, apesar de toda a preparação e expectativa e vontade de carnaval. Teve uma fantasia de Super Mario que fiz e nunca usei. Teve pé torcido às vésperas da folia, um mês sem andar direito, sem nem subir as escadas de casa pra ver meus gatos. Teve fisioterapia, teve mini-choques no pé pra passar a dor. E teve 10 dias de praia, porque alguma coisa boa tinha que vir de tudo isso.

Aí teve empanadas e medialunas e dulce de leche. Teve Arcade Fire na beirinha do palco (mesmo com o pé fodido) e Vampire Weekend (sentada na grama, porque o pé não aguentava mais). Teve Mafalda e alfajores e Quilmes e vinhos maravilhosos de 15 reais. Buenos Aires, te quiero.

Teve #ocupeestelita, a mobilização popular mais linda (e talvez mais eficiente) que já vi acontecer, e da qual tive orgulho de participar pelo menos um pouquinho. Teve protesto, mas teve copa e churrasquinho e cervejinha, e mini-expedientes e dias imprensados no trabalho. Teve sete a um.

E no meio da copa, teve a Grécia, que me surpreendeu de tantas maneiras e me deixou perdidamente apaixonada pelo azul e pelo azeite. Teve souvlaki e ouzo e chope e praia e calor e os tomates mais lindos que já vi. Teve placas de rua que pareciam operações matemáticas, teve a descoberta que existem fontes lindas pra o alfabeto grego, a gente é que não conhece porque não usa. Teve um dia e meio com um amigo querido, a parte mais divertida da viagem.

Teve Istambul, a cidade que me fez sentir tão longe de casa, e com um deslumbramento que não coube nem nas mil-e-não-sei-quantas fotos que tirei dos azulejos e dos mosaicos e dos tapetes e do mar azul, um azul tão diferente dos mares daqui. Teve lokum e baklava e café sem filtro, teve o futuro na borra do café. Teve mesquitas e véus e mulheres de burca, teve um choque cultural que eu não esperava. Teve os cheiros mais deliciosos, as cores mais coloridas, as ruas mais tortuosas. Teve mais ladeira que Olinda, e depois dessa viagem, tive certeza que meu pé já estava bom.

Teve casa cheia. Teve karaoke de aniversário, teve tequila sunrise, teve amigos em casa até 9 da manhã do dia seguinte, teve Pepe usando um chapeuzinho de festa (até hoje não acredito que consegui essa façanha, meio bêbada ainda por cima). Teve uma gaveta cheia de rolhas de vinho, teve risoto e moqueca e curry indiano, e uma vontade renovada de cozinhar pros amigos.

Teve eleição, teve todo o chorume que vem a reboque da eleição. Teve segundo turno, e parecia que não ia acabar nunca. Na verdade, parece que não acabou ainda. Teve dissertação impressa e encadernada e entregue, fechando o capítulo de 2013 no finalzinho de 2014 (é, às vezes sou meio atrasada).

E finalmente, teve Dendê. Teve crise existencial, contas pra saber se o dinheiro dava, vontade de largar tudo, vontade de ficar na zona de conforto, vontade de ser uma pessoa normal, satisfeita com o emprego que tem. Teve muitas tardes meladas de tinta, teve tentativa e erro, teve a Rua de Santa Rita, onde me perdi num mar de zípers e percebi que a coisa ia ser mais complexa do que eu imaginava. Teve a odisséia pra encontrar uma costureira, teve planilha de custos e plano de negócios. Teve a alegria de ver um sonho de anos (que por muito tempo não teve forma nem substância) saindo do papel, e todo pelas minhas mãos, desde as almofadas até os cartões de visita. Teve o último dia de trabalho, o último salário fixo, mais contas pra saber se o dinheiro vai dar, teve (ainda tem) o frio na barriga de não saber o que vai acontecer daqui pra frente.

E teve aquele sentimento estranho de saber (saber a gente sempre sabe, mas parece que fazemos questão de convenientemente esquecer) que a vida é frágil, e um dia acaba, sem precisar de sobreaviso. 2014 levou o Bolaños e o Robin Williams, duas partes muito doces da minha infância passada na frente da tv, e pra fechar com chave de ouro, 2014 levou meu avô, dez dias antes do ano acabar, uma parte muito doce da minha infância de férias em Aldeia.

2014 foi um ano daqueles que não cabem em retrospectiva de facebook (nada contra, tá?). E não teria sido a mesma coisa sem meus incríveis companheiros de aventuras. 2014 foi um ano pra aprender a valorizar os amigos, a família que a gente escolhe. Obrigada por fazerem parte dele. <3

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