alguns registros aleatórios

Pouco mais de um ano.

Terminei a monografia, descobri que meu orientador é infinitamente mais legal do que eu imaginava. Me matei de trabalhar por mais 6 meses, e larguei. Muito trabalho, pouco salário, muitas noites sem dormir, ônibus cheio na volta pra casa. Não tava dando. Fiquei com saudade do CAC, quis voltar. Fiquei com saudade da bicicleta, de pegar sol, do meu corpinho de 18 anos.

Não entrei na academia, não fui estudar francês, não aprendi a dirigir (mas isso foi mais uma questão de definir melhor minhas prioridades, e perceber que eu não vou querer um carro nem tão cedo – até porque o único carro que me dá tesão pensar em ter é um Mini Cooper), não aprendi a costurar usando moldes, não fiz a super-viagem-de-fim-de-ano-com-Namorado, e até hoje ele me deve essa. Minha vida é um fracasso, né?

Bom, voltei a desenhar. Estou ilustrando um livro. O que eu mesma escrevi com 5 anos de idade, tá sendo uma delícia. Pulei meu primeiro carnaval em Recife, depois de quase 5 anos morando aqui, e graças a Cani e Fred, foi muito mais legal do que eu imaginava. Resolvi fazer mestrado em design. Passei meses pegando 10 graus de frio glacial na biblioteca do CAC, lendo os livros do mestrado (e outras coisas mais). Aprendi a fazer litogravuras, conheci muitas pessoas bacanas no ateliê de seu Hélio. Ganhei um caleidoscópio. Fiz marchetaria numa mesa de 90x90cm, meu projeto craft mais ambicioso este ano. Pintei muitos móveis, finalmente peguei a manha de misturar tintas. Organizei muitas das minhas bagunças. Me desapeguei de muita coisa, as lembranças mais queridas cabem numa caixa de sapato ou estão espalhadas pela casa. Pretendo espalhar todas, que lugar de memórias felizes é ao alcance dos olhos. Meu carinho pela casa cresceu consideravelmente. Estou quase zerando Super Mario no wii com Namorado, acho que esse é um objetivo digno pra ter na vida.

Risquei algumas resoluções de ano-novo, desisti de outras, ainda preciso trabalhar internamente essa coisa de decidir o que é mesmo importante na vida, porque tem dias que eu surto de não ter rodinhas pra colocar na mesinha da tv, e francamente, não tem motivo pra isso. Acabei meu primeiro moleskine, comecei outro no dia do meu aniversário, e esse vai ter muito mais desenhos e muito menos listas de compras. Aliás, meu aniversário desse ano tá no top-five. Passei praticamente abril inteiro comemorando, primeiro em Pipa com Namorado, depois aqui com os amigos, depois em Ilhéus com mamis. Foi emocionante estar lá pra assistir a defesa de mestrado dela, tirar foto, filmar, ajudar a escolher a roupa da apresentação… Foi mais ou menos o que aconteceu na época da minha defesa da monografia, só que ao contrário. Sinal de que a gente ainda funciona.

Tou trabalhando pouco pros outros, e gastando mais tempo em hedonismo solitário. Arrumei meu portfolio, li um bocado de coisa (Raymond Chandler espera ansiosamente sua volta à minha mesa de cabeceira, depois da epopéia dos livros do mestrado), tou assistindo aulas de uma disciplina da graduação (Design de livros infantis, a cadeira mais fofinha e feliz já oferecida na UFPE inteira) que nunca consegui pagar enquanto estava lá, e tá sendo o ponto alto da semana. Tenho saído pouco, essa falta de grana necessidade de sair de casa acabou me deixando um pouco mais anti-social do que eu sempre fui. Em compensação, ganhei alguns amigos no twitter (praticamente o único tipo de interação social que tenho de segunda a sexta), descobri muita música boa, voltei a assistir Gilmore Girls – depois que mamis me deu a primeira temporada de presente, já virei cliente fiel da locadora perto de casa, porque tenho preguiça de esperar muitas horas baixando os episódios e baixar legenda e configurar a legenda e todas essas coisas que você faz pra economizar uns trocados com entretenimento.

Fui aprovada no mestrado (aguardo os parabéns, hein galere), não tão bem quanto eu queria, mas eu sempre quero demais. Namorado tá virando gente grande 6 meses antes de mim, e às vezes rola de eu ficar carente porque a gente se vê pouco, e chega sexta à noite e ele tá exausto do mestrado e do trabalho, enquanto eu tenho bateria pra 2 dias seguidos sem dormir, de tão mansa que minha vida anda. Enfim, acho que tou só ansiosa pra começarem logo as aulas, pra eu finalmente dizer que tou fazendo alguma coisa da vida.

Tudo bem se eu usar esse blog só pra registrar de tempos em tempos como minha vida vai indo, nos dias em que eu estiver mais reflexiva, pensando em pra onde tudo isso vai, se tá valendo a pena, se tou feliz. Porque é isso que vem acontecendo ultimamente, né?

Bom, tou feliz. E continuo prolixa e enfiando um assunto no outro. Tá bom assim.

 

minha sala (e a lendária escrivaninha amarela), uma das fotos daqui de casa que mais gosto. Já não tá mais assim há um tempo

(soundtrack: Lulina – Do You Remember Laura?)

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Uma resposta em “alguns registros aleatórios

  1. Mas, hein? Eu continuo sendo a primeira a “dizer Ni também”???

    Tô meio longe do twitter, especialmente depois q meu cel desconfigurou e a fonte tá pequenininha (ainda resisto aos óculos), e só vi o anúncio do post hoje.

    Mas eu gostei. Gostei de vc ter voltado, gostei de ouvir um pouquinho de você por você mesma, gostei de saber que você tá feliz. E gostei especialmente da parte “Sinal de que a gente ainda funciona.”

    Amo você!

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