quase um ano

O que são onze meses? Você pergunta a qualquer pessoa, e todo mundo diz “é quase um ano”. Pois bem, hoje faz exatamente quase um ano que a gente estava dentro do carro, tocava Pais e Filhos no rádio, eu vestia uma blusinha solta, lilás, que já não uso há um bom tempo porque me deixa muito com cara de menininha (e eu realmente me surpreendo de lembrar assim de tudo) e aconteceu o seguinte diálogo:

– Gafa viu a gente saindo junto do restaurante hoje, e veio falar comigo, todo engraçadinho.
– ele disse o quê?
– perguntou se a gente tava namorando.
– e você disse o quê?
– que “sei lá”. Né?
[…]
– você quer?
– não sei… você quer?
– eu quero.

Ele deve ter visto a minha expressão de “não acredito que isso tá acontecendo”, talvez não soubesse interpretá-la tão bem como hoje. Naquele momento tudo rodava a trezentos quilômetros por hora na minha cabeça, uma mistura de alegria e medo de ser tudo um grande equívoco. Porque a gente nunca tinha se visto na vida até um mês atrás, e eu ainda não estava naquele grau de paixão doente que quem me acompanha por aqui já conhece. E parecia fácil demais, sabe aquela coisa do easy come, easy go? então. A sensação era que aquilo tudo podia acabar a qualquer momento, que ele podia sumir da minha vida do mesmo jeito que apareceu (observem que meu subconsciente creep nem considerava a possibilidade de eu desistir e sumir), e que eu, apesar da vasta experiência em relacionamentos amorosos fracassados, não fazia a menor idéia de como era ter um namorado de verdade, de andar de mãos dadas no shopping, de conhecer a família, de dizer “eu te amo” sem ter medo de assustar o outro e ele sair correndo, e por aí vai. Mas quando ele segurou minha mão (na verdade não lembro se segurou minha mão ou me abraçou, ou me beijou, ou ajeitou meu cabelo daquela maneira que só namorados fazem, só sei que foi uma forma de carinho incrivelmente doce) eu só pensei que era isso que eu queria, e que sim, podia dar certo, por que não? E aí disse “eu quero também”. E sorri. E a gente estava tão perto um do outro. E ainda tocava Pais e Filhos, exatamente na parte do “é preciso ama-a-ar as pessoas como se não houvesse amanhã”. E o diálogo continuou. Era algo assim:

– ei.
– que foi?
– eu nunca fui namorada de ninguém.
– nem eu.
– sério?
– sério.
– mas então, não sei nada dessas coisas. Tem paciência comigo, tá?
– a gente aprende junto.

Estamos aprendendo. Há quase um ano.

(soundtrack: Sam Phillips – Love is Everywhere I Go)

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7 respostas em “quase um ano

  1. Completar quase um ano é mágico, a gente anseia muito por isso, por que é como dizer ao mundo que a coisa é séria e o que mais a gente quer quando está apaixonado, amando é que todo mundo perceba o quanto estamos felizes. É simples. Beijos e parabéns pra vcs!

  2. Parabéns! Que consigam aprender sempre mais, dia após dia, sobre esse sentimento tão lindo que é o amor.
    Eu ia fazer 1 ano na próxima semana…
    Desejo pra vcs um destino diferente do que aconteceu comigo, que sempre prevalesça o respeito e a admiração entre voces.
    Beeeeijos.

  3. eita, então já faz quase um ano que eu finalmente vi deixar de ser realidade o absurdo de Bernardo-bom-partido não ter uma namorada pra chamar de sua :D parece que foi ontem que eu tava no prédio dele com os meninos, comendo Mc Donald’s, falando de se formar o mais cedo ou o mais tarde possível, e que um Bernardo-febril respondeu com um “é” bem meigo quando eu perguntei se a boyzinha dele, que ele já ia apresentar pra irmã ou algo assim, era gatinha ^^ haha.

    felicidades!

  4. Que lindo! E que aprendam muito do que o amor tem à ensinar!

    Mês que vem, eu comemoro um ano que comecei a ficar com meu atual namorado, e sei como é tão doroloso e delicioso estar com alguém, do qual não temos a certeza dessa união no amanhã ou depois. O importante é viver e vivenciar o hoje, sem jamais esquecer o que se passou, pois se houver momentos inesquecivelmente felizes, então poderá ter certeza de que vale à pena correr o risco e chorar amanhã por uma perda, ou sorrir a eternidade pela conquista do amor!

    :)

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