perto demais.

Daí eu inventei de assistir Closer, num dia em que dava pra matar alguém só com aquele olhar fulminante de “a culpa é sua”.

O filme é um dos meus favoritos, justamente porque me traz de volta à realidade de que todo mundo adora uma boa mentira, como Alice diz em determinado momento. Ninguém suporta a verdade o tempo todo, ainda mais em seu modo mais cruel e cortante. Closer, que poderia muito bem ser uma história de amor bobinha sobre dois casais que vivem se trocando mas no final se entendem, abstrai as cenas gratuitas, o cotidiano açucarado que todo mundo gosta de ver, e mostra só aqueles momentos em que as coisas mudam e doem. Quando as pessoas falam a verdade. Quando as traições são confessadas sem pedidos de desculpas, quando a dor mais guardada lá no fundo vem à tona. Quando um dos dois vai embora.

E a gente torce tanto pra eles darem certo. Não importa quem com quem, porque em determinado momento, todos amam, todos são o sexo frágil, todos precisam do outro, do que está indo embora. E é aí que se vê que nada no mundo é absoluto, nem o amor que a gente pensa e quer que seja pra sempre. Eu fiquei imaginando o que seria do desfecho do filme se ninguém dissesse a verdade, se Dan, Alice, Anna e Larry agissem como pessoas normais e simplesmente mentissem, pra o bem da relação. Mas aí tem aquele momento em que você não aguenta mais, que mentir pra agradar o outro é anular a si próprio, que não dá mais pra se importar com sentimentos alheios, que isso sufoca demais.

Closer começa com amor à primeira vista, termina com… não, eu não vou dizer como termina. Nem sei direito na verdade. Só não termina em beijo. Começa e termina com a mesma música. Incomoda. Deixa um nó na garganta, uma vontade de chorar, um medo estranho de dizer a verdade, mas ao mesmo tempo a vontade de jogar em cima do outro toda a culpa de tudo, todas as mínimas coisinhas que, a seu ver, ele fez pra que seu amor acabasse. A verdade, enfim. Ou de se encolher dentro do outro e esperar que fique tudo bem.

Dan: And you left him, just like that?
Alice: It’s the only way to leave. “I don’t love you anymore. Goodbye.”
Dan: Supposing you do still love them?
Alice: You don’t leave.

(soundtrack: Damien Rice – The Blower’s Daughter)

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7 respostas em “perto demais.

  1. Eu assisti Closer há um tempão (com seu pai) e odiei. Por que terá sido?
    Eu acho que o lance não é contar ou não contar. É trair ou não trair.
    Ainda ontem estava conversando com Cau sobre isso… é, eu continuo a mesma.

    Te amo!!!

  2. “…aquele momento em que você não aguenta mais, que mentir pra agradar o outro é anular a si próprio, que não dá mais pra se importar com sentimentos alheios, que isso sufoca demais.”
    É isso… É exatamente isso o que eu estou sentindo. Só que no meu caso eu não trai ninguém…
    Adoro o seu blog. Exatamente por, muitas vezes, encontrar aqui a tradução pro que eu estou sentindo. :)

  3. Eu assisti ele ha um tempao, embora nao goste do Judie Law como ator o filme é bacana, meio pipoca mas ta valendo e a trilha sonora depressiva é bom so nao é legal assisti-lo num final de um relacionamento hahahaha :)

    Mulé eu sou nerd e to kerendo ir pro recife indorr E eu to aproveitando essa promoçao dos 30% no cinema e indo todo fds eu to querendo ir pro show pq eu so tenho ido a barzinho e jantar fora, daki a pouco eu crio uma barriga hahahaha :)

    to pegando uma disciplina no teu predio =)

  4. Ah, esquecí de falar;
    Fomos assistir “Trovão tropical” do Ben stiller e downer jr eu recomendo, rí que passei mal, melhor comédia do ano até agora, passando por cima ate de Adam Sandler em Zohan =)

    Bjos

  5. Adoro esse filme!

    Sempre acompanho seu blog, é a primeira vez que comento, vc escreve bem, eu gosto. Mas, minha vinda aqui é outra, foi atraves de “vc” que conheci o blog ESPREMENDO O LIMÃO”, desde então acompanho a Lari na sua luta, mas tem quase um mês que ela não comenta, não dá noticias…vc tem noticias dela??? Acho que vcs são amigas não é???

    Aguardo.

    Bjinhos

  6. closer é um dos filmes que mais admiro. é muito bem feito, muito bem pensado. quanto mais vc o assiste, mais coisa vc pode descobrir (já vi 2 ou 3 vezes ele todo e, em outras, só alguns trechos, qnd passa repetidamente-sem-fim na tnt)

    todos os diálogos são sensacionais. o esporro que a Ana. é ana mesmo o nome dela? (julia roberts) leva do esposo é ótimo. muito realista, muito verdadeiro e que todas as mulheres já tiveram uma veia mimada como a dela.

    e tem muitos e muitos outros que não vou ficar falando aqui… posso conversar horas sobre este filme.

    ps. novidades boas pra vc. pra nós duas. êeeee

  7. É exatamente essa a sensação que o filme dá, quando acaba, do mesmo jeito que começou: um nó na garganta. Da primeira vez, assisti ele cortando tanto pra fazer isso e aquilo, que entendi bulhufas. O gostoso é sentar na frente da tv e se perder no filme, absorver o que cada um sente. E foi o que fiz da segunda vez. Resultado: apaixonei. Acho que merecia um post analítico mesmo.

    ;*

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