obviously, you’ve never been a 13 year-old girl.

Minha primeira memória de As Virgens Suicidas é de muito tempo atrás. Passava o tempo todo na HBO, e o engraçado é que eu sempre via na grade de programação, mas nunca via passar. Eu achava o título bizarro, e que era um filme de terror ou algo assim. Eu era criança.

Aí, em 2007, quando Maria Antonieta era A-Estréia-do-Ano, e só se falava em Sofia Copolla, todas as resenhas e críticas que eu lia faziam alguma referência às virgens suicidas, não só porque a estrela era a mesma (Kirsten Dunst, linda!), mas por causa do tema recorrente nos filmes de Sofia, que é o sentimento de solidão das pessoas incompreendidas pelo resto do mundo – coisa que super pode virar clichê nas mãos de qualquer um, mas não sob o olhar sensível de Sofia. Fiquei morrendo de vontade e curiosidade de assistir As Virgens Suicidas, até porque diziam que era incrível, mas as locadoras não tinham, e a febre de Sofia Copolla passou quando o mundo descobriu que Maria Antonieta não era tão bom assim. Eu achei visualmente lindo e exuberante, e a trilha sonora é fantástica (é incrível o timing perfeito de Sofia,pra fazer as músicas dizerem mais do que a gente é acostumado a escutar), apesar de o filme ficar chato do meio pro fim, e todo mundo saber como termina.

Aí, numa madrugada dessas de esquecer a televisão ligada, eu acordei bem antes da hora, e estava passando na globo (é incrível como eles só passam os filmes bons de madrugada, eu realmente não sei qual é a estratégia desse povo), e tive que assistir, meio dormindo meio acordada, e sem as lentes de contato, uns 15 minutos pra descobrir que filme era. Pela hora, dava pra saber que já estava do meio pro fim. E eu sou totalmente contra estragar um filme assistindo o fim antes do começo – odeio pegar filme pelo meio – , mas fiquei hipnotizada com o climinha triste e o resto da história que estava sendo contada. Corri pra baixar na internet, e demorou. Muito. Não é que nem baixar, sei lá, Batman, que todo mundo tem ou vai ter, e é figurinha fácil em qualquer torrent. As Virgens Suicidas é de 99, e acho que mesmo na época não chegou nem perto de ser um blockbuster. Anyway, o filme demorou tanto pra baixar que eu me esqueci dele. Acabou indo parar em alguma pasta obscura que não olho nunca. Encontrei ontem, numa daquelas operações arruma-espaço-no-pc.

É lindo. Dá pra ver que foi bem experimental (o primeiro filme de Sofia), apesar de extremamente bem feito. Adoro filmes com narrador e explicações paralelas, e esse tem. E senti, com a trilha sonora – belíssima -, a mesma coisa de Maria Antonieta. sem falar que as músicas são rocks e baladinhas deliciosas dos anos 70, que é quando se passa a história. E é clarinho, stonewashed, calmo, que nem a moda hippie daquele tempo. E leve, tão leve, ao contrário do tema que aborda. As Virgens Suicidas, ao contrário do que eu pensava quando era pequena, é um filme delicado, feminino, inteligente e cheio de sentimento. E triste, muito. Me arrependi de ter demorado tanto a descobrir, mas vai ver foi no tempo certo, que com 13 anos eu não ia entender mesmo (e quem já assistiu acabou de perceber a ironia, né? Cecilia com o psiquiatra, no comecinho do filme). Adoro quando um filme consegue me emocionar, coisa meio difícil ultimamente. ok, teve Batman, que é O-Filme-Do-Ano até agora, mas Batman é outro nível. Falo desses filmes melancólicos e cheios de significados, que deixam uma sensação de “sei lá” no final. Com reticências. E agora vocês me dão licença que vou atrás da trilha sonora.

E pra quem ficou curioso, dá uma olhadinha no trailer =)

(soundtrack: Heart – Magic Man)

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7 respostas em “obviously, you’ve never been a 13 year-old girl.

  1. ainnn eu tinha escrito um negócio enorme e deu erro. DUAS VEZES.
    só pra dizer que queria ver um filme assim hoje à tarde, enrolada num edredon, com os pés bem juntinhos.
    adouro filmes que têm esse clima melancólico e que deixam a gente com reticências reflexivas.

  2. aih… posso falar a verdade? nunca vi inteiro… acontece que eu sempre pego ele na metade na tv… mas a trilha sonora… ahhh a trilha sonora… se não me engano tem potishead give a reasoooonnn to lov uuuuu give me a reasooon to beeeee a womannn.. amo essa musica x_x
    tah afim de me gravar o filme não? hehehehe impossivel de baiaxar, sei disso pq acho que a um ano atras tentei fazer isso… heheheheh
    saudades =*********

  3. li esse texto ansiosa por cada linha, querendo ver o que tinhas dito do filme. haha.
    gosto muito, muito mesmo.

    assisti pela primeira vez uns anos atrás, uns outros anos depois comprei o livro (sempre leio livros que viraram filmes, mesmo que sem querer o.O é um problema) e gostei muito também. a sensibilidade do filme deriva em grande parte da sensibilidade com que Jeffrey Eugenides conta a história. mas claro que Sofia contribui imensamente pra deixar tudo mais delicado e lindo.
    vi Maria Antonieta, não gostei (pra mim, a melhor parte do filme todo é a cena do all star :P), mas continuo achando Sofia o MÁXIMO especialmente por causa de Encontros e Desencontros (pra mim, não existe nenhum outro filme que fale de solidão de um jeito tão forte e que tenha mexido tão absurdamente comigo – já falei sobre ele no blog, inclusive).
    enfim, aí nessas férias de julho fiquei com vontade de reler o livro, mas tava já envolvida por mil outras leituras excepcionais e resolvi ficar com o filme mesmo. num dia de chuva, fui na locadora e o aluguei (em VHS! super nostálgico) e foi, de novo, uma experiência deliciosa. me arrependo agora de não ter também escrito sobre, com tudo fresquinho em mim.

    beijo!

  4. Oi, Line!
    Tô super ausente! Entrei no blogspot e já tinha um tempão que você estava de casa nova.
    Eu gosto muito da Sofia Copolla, mas não vi o Virgens Suicidas. Por falta de acesso. Não tennho HBO e não lembro desse filme ter chegado na locadora. Sabe como é, né? Interior é terrível. Mas vou dar uma garimpada melhor. Gostei do seu comentário sobre ele.
    Bjo, parabéns pela casa nova, está linda!

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