espremendo

A diferença entre derramar e espremer as palavras. Sim, eu já conhecia. Já escrevi dissertação pra vestibular, já escreevi redação com tema na escola, já escrevi trabalho de faculdade. Mas nada, nada se compara ao “espremimento” que é escrever um artigo científico.

Assim que soube que meu trabalho no estágio ia ter que render um artigo no final, eu meio que bloqueei o assunto internamente. Mas externamente, o assunto ainda estava lá, eu ainda ia ter que fazer saírem 4 páginas da minha cabeça. E se fossem 4 páginas tranquilas, do meu jeito, como se fosse eu escrevendo pra mim, como se fosse aqui, era super tranquilo. Mas vá dizer tudo que você quer deve dizer em linguagem científica. E eu que por um momento achei que ia tirar de letra, porque tenho costume de escrever, porque tenho vocabulário bom. Rá.

Estava certo quem disse que a ignorância é a chave da felicidade. Eu ia morrer feliz, sem saber do tanto de coisa que ainda não sei que não sei (ficou confuso? Dane-se, isso não é um artigo). É horrível a sensação de branco total, do mais puro e enorme nada que toma conta da minha cabeça, justamente quando tenho que encontrar A palavra, que vai fazer todo o sentido, que vai deixar o texto coerente, que vai soar bonito, que vai me fazer parecer inteligente pra quem ler depois. Sim, porque o único e exclusivo propósito do escrevimento de um artigo é fazê-lo ser aprovado pela meia dúzia de super-mega-Phds de Tal-Congresso-Assim-Assim, e a única maneira de conseguir isso é fazer a meia dúzia pensar que você é de fato inteligente e produziu algum conhecimento relevante pra a sociedade acadêmica.

A introdução saiu hoje, 5 parágrafozinhos em 2 colunas, depois de 6 horas de sangue, suor e lágrimas na frente da torturante tela do Word. Só pra depois eu escutar que a introdução é a última coisa que se escreve no artigo, porque ela é tipo um resuminho de tudo que o PhD lá vai ler (e, dependendo do teor da introdução, nem lê). No fim das contas gostei, mas ainda tem, tipo, 90% pra parir. Vai levar 2 semanas de vida. Esse post de hoje, por outro lado, não levou nem 10 minutos. Aqui elas só escorrem e pronto, as palavras.

(soundtrack: The Cardigans – Don’t Blame Your Daughter)

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3 respostas em “espremendo

  1. Sorry, baby…

    A soundtrack é recadinho pra mim, é??? kkkkkkkkkk

    Na verdade, uma disciplina (Metodologia de projeto) é que ensina que a introdução é o fim. Segundo eles, comece pela justificativa. O que levou vc a fazer o projeto? a necessidade do mundo (o vácuo, esperando por ele), a ausência de informações sobre o assunto, e depois prove que você tem os caminhos para conseguir suprir essa lacuna. Massss como seu artigo é uma espécie de relatório, as coisas são diferentes. Até que daria pra começar pela introdução mesmo! ;)

    Bom, nessas duas semanas vc ainda aprende muita coisa!

    Beijooooo

  2. Pelo menos você não começou pelo título (já deve estar definido mas blz). Tenho o péssimo costume de começar a escrever artigo científico seguindo a ordem “correta”… Título,SubInfos, abstract/resumo, Introdução, Conceitos Relacionados… Começar pelo Título é coisa de quem tem mania de perfeccionismo, mas não consegue, já fracassa no começo =D =/ =~. Se serve de consolo, geralmente o ato de escrever “cientificamente” é mais uma daquelas coisas chatas que a gente tem que fazer na vida e acaba pegando prática com o tempo. Agora se passar a gostar de fazer, aí você também está ficando chata… Não sei se em duas semanas você vai se acostumar, mas boa sorte!

    Um dia a gente se encontra.

  3. ô coisa chata é ter que escrever esses artigos. bleh.
    muito melhor é sentar toda desajeitada na cadeira (morro de inveja de quem senta direitinho), colocar uma musiquinha legal e deixar a mão correr pelas letras, se derramar em palavras. muito mais fácil, melhor e mais divertido.

    tomara que você não pire nessas duas semanas. nem dê aquele surtozinho bááásico (impossible).

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