declaração de amor torto

Ontem finalmente consegui montar meu tão adiado painel de fotos altamente egocêntricas/constrangedoras/sentimentais (e sim, ficou lindo). Aí foi dando saudade das coisas que estavam nas fotos, e não vou começar a falar delas agora, senão não acabo nunca, e tenho um vestido e uma bolsa pra costurar e um projeto inteiro de embalagem pra fazer (sim, o vestido e a bolsa são trabalhos de faculdade também).

Mas enfim, fiquei com saudade do Irmãozinho. É, isso mesmo, do meu irmão chato e insuportável, que não consegue passar 24 horas sem me tirar do sério. Deu saudade de quando minha mãe (a propósito, comecei a chamar minha mãe de “minha mãe” por causa dele, porque morria de ciúme daquela coisa que tinha chegado em casa pra atrapalhar meu reinado de filha-única, e a mãe era minha, e a coisa tinha que ter consciência disso, logo mudei de “mamãe” pra “minha mãe”) obrigava a gente a sorrir e se abraçar pra a foto. E do tempo em que nem precisava ela mandar.

E das brigas de travesseiros muito peculiares, e de quando a gente jogava soldadinhos de paraquedas da varanda do terceiro andar. E de quando eu falava alguma coisa completamente esdrúxula e ele acreditava (todo irmão mais velho faz isso). Fiquei com saudade do meu irmão, com quem nunca consegui me dar bem de verdade, porque sei lá, parece que a gente compete o tempo todo, seja lá pelo que for. Eu sei, é feio uma mocinha toda lady e delicada e sentimental dizer que sempre viveu aos tapas com o irmão mais novo, mas é a verdade. E hoje eu queria que tivesse sido diferente, mas aposto que se pudesse viver tudo de novo, ia acabar perdendo a paciência e brigando do mesmo jeito, porque as coisas que ele faz me dão nos nervos.

Eu juro que tentei ser mais paciente, ser a-irmã-mais-velha-com-a-cabeça-no-lugar. Eu podia ter tido mais paciência, é verdade. E fico me sentindo meio mal toda vez que vejo irmãos que se dão maravilhosamente bem, como Namorado e a irmã dele, ou Minha-Irmã e Minha-Irmã (são duas meninas que chamam uma à outra assim, “minha irmã” e “minha irmã”). E nem sei se ele lembra de mim agora, já que tem, sei lá, mais de um mês que a gente não se fala – tá, tem toda a questão dos custos telefônicos e dos horários da gente, e o fato de ele não usar celular, mas se a gente quisesse, dava pra se comunicar sim – e sei que é difícil pra qualquer pessoa acreditar, mas eu amo meu irmão. Que ganhou seu primeiro (e único, até onde eu sei) apelido de mim. Que ficou deesesperado uma vez que só tinha nós dois em casa e eu passei mal. Que morria de medo de cachorro, mas acabou roubando o posto de dono do coração de Mel, que é minha. Acho que é isso que todo irmão mais novo faz, chega roubando as coisas, e no final não dá pra ficar com raiva.

Aí por último, vi no orkut um depoimento lindo de um irmão mais velho pra a irmã mais nova. Ela está doente de coisa séria, e ele acabou confessando coisas que talvez não fossem ser ditas nunca se estivesse tudo bem. Aí pensei em como vai ser, se eu vou precisar ficar doente, ou ele, ou outra coisa bizarra acontecer pra a gente descobrir que se ama. Pra ele finalmente retribuir meus abraços, pra eu prestar atenção no que ele diz, pra a gente sentir que tem alguma coisa mais que o sangue, a miopia e o cabelo liso em comum.

Photobucket
pedaço do painel que tem ele. Algumas das fotos mais queridas da minha vida.

(soundtrack: Fernanda Takai – Diz Que Fui Por Aí)

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