love story

Tudo começou numa tarde chata de domingo, no distante ano de 2003. Eu tinha 15 anos, e lembro como se fosse hoje. A gente morava na Av. Bahia, porque a casa onde em moro por 1/3 do ano estava em construção. Tinha um colchão no chão, na frente do sofá, com a distância perfeita pra a televisão, e uma profusão de travesseiros e edredons. Aí começou aquela série ainda desconhecida dos reles mortais que não tinham tv a cabo: Tal Mãe, Tal Filha, no SBT. 1º episódio da 1ª temporada. Rory vai para Chilton. De repente, passou a 1 hora normal do episódio, e quando eu me dei conta, já estava irremediavelmente viciada. Eu e mamy, as próprias Gilmore Girls.
Mas todo mundo sabe que se tem uma coisa que o SBT não respeita de jeito nenhum, são os fãs de séries gringas. Logo, a season 1 de GG (eu nem sabia ainda que o nome era Gilmore Girls) foi assistida muito mais-ou-menos, fora de ordem, sem frequência certa, e depois de um tempo o vício foi passando, porque não tinha muita coisa que o alimentasse.
Aaaanos mais tarde (ok, um ano mais tarde), mamy e papy finalmente resolveram colocar DirecTv em casa – já na casa nova, recém-construída -. Então, um dia, totalmente por acaso, zapeando pelos canais de séries, descobri Gilmore Girls, passando todos os dias às 10:30 e 15:30 no Warner Channel. Obviamente era a reprise, porque a nova temporada (4ª, se não me engano) passava todas as terças-feiras, e já escrevi algo sobre esse ser um dos motivos de eu adorar tanto esse dia da semana.
GG virou minha novela-das-oito. Eu não perdia dejeitonenhum, até porque no Warner, os episódios passavam certinho. Chegava toda terça da Clave de Sol, corria pro banho e pra frente da tv. E todo dia eu travava uma batalha com o irmãozinho, pra convencê-lo a para de assistir o que quer que ele estivesse vendo e me dar o controle. Mas eu conseguia. E lia spoilers (com todo o cuidado pra não saber mais que o necessário), baixava wallpapers, catava a trilha sonora – que só foi ser organizada e botada à venda bem recentemente -, enfim, era fã de GG em todos os sentidos. Nada em Gilmore Girls é óbvio. Nem o humor, nem nada do que acontece, nem a maneira das duas de demonstrar amor. Ainda lembro do episódio em que Dean diz que ama Rory, e ela, ao invés de dizer “eu também”, entra em choque e sai correndo. Minha vida e meu relacionamento com mamy tinham (têm) uma semelhança absuuuuuuuuurda com os fatos pitorescos tirados da cabeça de Amy Sherman-Palladino, e logo a gente começou a se chamar Rory e Lor. Só para os íntimos.
Aí, um belo dia, quando voltei das férias em Recife, no começo de 2005, doida pra matar a saudade de Lorelai, Rory, Luke, Jess, Dean and co., mamy me vem com a notícia aterradora que tinha cancelado a DirecTv. Porque tava ficando caro, porque ela ficava sozinha em casa, porque eu ia entrar no 3o ano e não precisava de tanta distração, etc etc etc. Eu quase surtei. Eu quase cortei os pulsos. Eu quase me joguei da varanda (mas não ia adiantar muita coisa, porque é só 1º andar). Mas o que é que eu podia fazer, né, a vida continua, eu tinha trezentos milhões de outras coisas pra pensar, então aceitei com resignação meu destino de órfã de Gilmore Girls.
Parei com os spoilers, parei com os fóruns, mudei meu wallpaper, saí de todas as comunidades de GG, porque a raiva de não estar assistindo ia ser enorme. Esse foi meu surto de abstinência. Mas com o tempo, a frustração passou, afinal eu estava no 3º ano, e o que não sobrava era tempo pra me lamentar. Mas também, eu sabia que um dia Rory e Lor iam voltar pra mim, e não ia adiantar nada eu ficar sabendo de toda a season 5 sem assistir. Perdia a graça. Mas mamãe ficou sendo Lor, e vovózinha carrega pra sempre a lisonjeira alcunha de Emily Gilmore, porque certas coisas simplesmente ficam.
Quando resolvi ter um blog, eu precisava de um apelido, tipo Vivi Griswold, Clara McFly ou Flá Wonka (não é segredo nenhum minha tietagem do Garotas, né pessoal?). Aí, nada melhor que Line Gilmore, of course. Deu uma saudadezinha. Sempre dava, não tinha jeito. Eu ficava sabendo por línguas soltas que Rory dispensou Jess, que Lorelai estava com Christian, que Lorelai estava com Luke, que Richard e Emily se separaram, que Rory estava com Logan – aaai Looooooogan! – , que Lor e Rory estavam brigadas (o quêeeeeee?), que Amy Sherman ia largar a série, que a season 7 era a última e nem estava tão boa assim, e de repente aconteceu. GG acabou. E eu nem me despedi. E eu nem vi como acabou. Buá.
Um belo diiiiiia, há pouco mais de 1 mês, no auge do meu tão famoso fim de péríodo, vejo eu um dvd escrito “Gilmore Girls – 6ª temporada”. Demorou pra eu me lembrar de onde aquilo tinha saído, e mais importante: por que eu não assisti antes. Mas é claro! Roni baixou e me deu, mas se eu não tinha visto a season 5, como é que ia assistir a season 6 assim, sem mais nem menos? Pensei, pensei, olhando pra a cara do dvd, e resolvi, numa daquelas madrugadas solitárias e sem sono: dane-se a ordem dos episódios, e dane-se o fim do período, eu ia matar a saudade de GG there and then.
E matei. Assisti os 7 episódios (só cabe isso num dvd) em 3 dias. Ver de novo todas aquelas coisas que eu conhecia tão bem me deu uma melancolia gostosa. o Dragonfly Inn, as empregadas rotativas de Emily Gilmore, o cachorro de Lorelai, cujo nome é só um pouquinho esquisito – Paul Anka -, as canecas de café do Luke’s… caí no vício de novo, depois de anos “limpa”. E como sempre acontece, fiquei doida por mais. A sorte é que na época, outras coisas me fizeram surtar, e minha atenção se desviou um pouco. Mas assim que entrei de férias, vim embora pra casa e botei o dedinho no mouse, e começou a baixação, meio a contragosto de mamy, porque ocupa um espaço absurdo no pc (300 mega, cada ep), mas ela sabe que a culpa foi dela de ter cancelado a DirecTv. No momento, já tenho a 6ª e a 7ª temporadas completas, e a 5ª pela metade. Vou levar todos os devedês pra casa, feliz da vida, e GG vai ter um lugar de honra, junto da minha coleção de documentários de Chico. Aliás, descobri um gosto especial por colecionar coisas, mesmo que seja só mandar baixar no eMule e let it happen, é uma alegria imensa quando vejo os eps se completando e marco o ok na listinha que eu fiz pra não endoidar com tantos números, e vou guardar de lembrança.
No momento, estou assistindo a season 6, o que ainda falta dela. Tudo in english sem legendas, porque a paciência pra procurar é pouca e a vontade de assistir é muita. Além do mais, é uma incrível ginástica mental tentar entender o que as duas falam na velocidade peculiar Gilmore. Minhas férias vão ter gosto de Stars Hollow.

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off the record: acabei de ter noção de como eu sou absurdamente nerd, geek, ou o que quer que essa paixão desenfreada por uma série americana seja.
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(soundtrack: Grant Lee Phillips – Monalisa – da trilha de Gilmore Girls)
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