Poliana e o banjo

Fim de período é um coisa estranha. Ao mesmo tempo é aquela agonia de terminar tudo a tempo, a sensação de que nada vai dar certo, a certeza lá no fundo de que vai dar sim, nem que muitas noites tenham que ser sacrificadas pra isso, a pontinha de melancolia por estar cada vez mais perto do fim do curso (tá, ainda estou no 3o período, mas sou muito sentimental) e a vontade de que certos momentos acontecessem mais vezes, e que se não fosse fim de período, seriam bem melhor aproveitados. Já ouvi milhões de vezes que ser feliz é simplesmente uma questão de aproveitar o momento, mas só há pouco tempo consegui colocar isso em prática. Já caí naquela de esperar as férias pra ser feliz, esperar ter determinada coisa pra ser feliz, esperar entrar na faculdade pra ser feliz, esperar ter um namorado pra ser feliz, esperar as coisas acontecerem. Mas não tem nada a ver com isso. E obviamente, o post de hoje é totalmente Polianístico.
O dia foi cheio e passou rápido, e eu sabia que ia ter que ficar até tarde no ateliê terminando o mock-up (modelo em escala real) de um banjo – não riam. Sabia que váaaarias pessoas ficariam lá também, porque tá todo mundo muito atrasado com esse trabalho, e sabia que ia ser divertido, porque normalmente é. Mas foi muito mais do que eu imaginava. Uma coisa que comentei com quem tava lá é que esses trabalhos práticos são uma terapia, porque enquanto a gente se ocupa com um, não pensa nos outros 20 que tem pra fazer. Além disso, é nessas horas que as amizades ficam mais fortes, que rolam todas as fofocas, que a gente fica espontâneo, rindo da própria desgraça e falando uma quantidade enorme de besteiras por minuto. Claro que hoje tinha o agravante da cola de contato (a tão popular cola-de-sapateiro) afetando nosso cérebro, e o fato de estarmos não numa sala, mas no meio do corredor do 1 1/2º andar do CAC, porque nossa sala foi emprestada – que tal – pra uma turma do curso de Letras, aquele bando de sem-teto.
Podem me chamar de doida, mas eu adoro fim de período. Sabe quando uma tragédia muito feia acontece, e as pessoas de determinado lugar ficam mais unidas? o caso é bem esse, e a gente compete pra ver quem tá no pior drama, e apesar de dizerem que na faculdade cada colega quer mais é que o outro se exploda, a gente, principalmente quem paga disciplinas com Cloves, se ajuda, e muito. É, porque existe uma divisão peculiar na turma, entre quem-paga-Cloves e quem-não-paga Cloves. QNPC normalmente anda de cabelos, unhas e roupas limpas, tem vida social e vai cedo pra casa depois da aula. e QPC… boooom, enfiiiiim, ontem a gente saiu do corredor do 1 1/2º andar do CAC às 21:50, e cada um com uma pilha enorme de papelão ondulado e muita cola grudada nos dedos. E vai ser um dos dias que vou sentir saudade, depois que tudo terminar. Eu e Biba cantando “o que é imortaaaaaaaal não morre no finaaaaaaaaal”, João Paulo – a criatura que todos nós amamos odiar – que começava todas as frases com o “engraçado é que…”, Emmanuel e Yasmin brigando por um pedaço de pizza (é, hoje teve até pizza, porque uma hora a gente fica com fome, e a cola nem tava dando um barato tão bom), minha obsessão por lixar o que quer que seja, o tamanho dos peitos do vidro de perfume de Cani*, as discussões sobre a legitimidade do Daniel-San, o instrumento musical escolhido pelas meninas, que é mais ou menos como um violão quadrado esquisito de 3 cordas, e dizem elas que é tocado pelas gueixas (a coisa existe mesmo, e o nome de verdade é shamisen, veja mais aqui). E de brinde, da série coisas que só acontecem no banheiro feminino, a coreografia super original de Uma Mão Lava a Outra, super hit do Castelo Rá-tim-bum, quem lembra?
Já faz um tempinho que não abro a boca pra dizer, porque não sentia mesmo, e a boca fala do que o coração está cheio, mas finalmente hoje, agora, tenho certeza de estar feliz. porque as coisas aconteceram e eu não fiquei só esperando. E é claro que é bem mais fácil dizer isso em casa, de banho tomado, cheirando a shampoo e não a substâncias alucinógenas, corrosivas e possivelmente cancerígenas.
*cada um teve que fazer um modelo de um vidro de perfume, e Cani escolheu fazer, pra Jean Paul Gaultier, um em forma de corpo de mulher, o que obviamente gerou uma discussão em torno do tamanho dos atributos da figura em questão.

(soundtrack: Wilco – When You Wake Up Feeling Old)

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