dia bom, dia ruim

Não entendam mal o fato de a parte boa ser pequenininha e a parte ruim ser maior. Tamanho não é documento, estou mais feliz do que triste. É só que a parte ruim rendeu mais detalhes….
parte boa:
Sexta foi dia do amigo, e amigos importantes mostraram que existem. Em especial Swanne, que tomou conta dos meus trabalhos até eles secarem, ajeitou, colocou as etiquetas e entregou a Cloves no fim da tarde, quando eu já estava no alemão. Ela é um amor. A música da trilha de Toy Story, “You’ve Got a Friend in Me” ficou na cabeça o dia todo. Além disso, meu scrapbook – que só vi hoje – não ficou lotado de recados sem propósito, e minha caixa de emails foi poupada dos .ppts (seráaaaaa que ando meio ausente da net?), o que foi simplesmente uma maravilha.
..
Estão em meu poder os 12 devedês (isso mesmo, dozeeeeeeeee) da coleção de documentários de Chico meu amor. Além da discografia completa dele, incluindo aí a playlist do show inesquecivelmente memorável que eu tive a felicidade de assistir. Isso significa pelo menos 50 horas de música e voz pra sustentar meu vício. E mamãe mandou mais um monte de coisinhas carinhosas, que só me deixaram com mais saudade. Eu diria que a melhor de todas foi a cartinha, escrita à mão e tudo, mas seria mentira, porque o melhor mesmo foi o suprimento vitalício de Chico. Pra completar, o Brasil ganhou ouro no vôlei de praia, e eu vi tudinho. Apesar de não estar tão empolgada com o Pan, adoro vôlei, e foi um jogo bonito. E as brasileiras dão de 10 a zero nas cubanas, não só no jogo, mas no corpitcho também. Nunca tinha visto atletas com barriguinha (provavelmente de cerveja, só pode) antes de hoje. E a postura daquelas duas, peloamordedeus, nem parecia que estavam brigando por medalha! Enfim, Brasil ganhou, fiquei feliz.
parte ruim:
fui assaltada em Boa Viagem, por um pivetinho em quem eu poderia muito bem dar uma mãozada, pra usar a linguagem dos nativos daqui. Ou seja, já posso ser considerada cidadâ recifense, iupii!. O moleque me abordou enquanto eu esperava abrir o sinal pra atravessar a rua, e eu nem ouvi quando ele disse “passa o radinho ou eu te furo toda” da primeira vez, porque o cara do REM tava cantando muito alto. Imitation of Life, se não me engano. E na fração de segundo entre o pirralho falar e eu tirar os fones de ouvido, deu pra pensar:
*que o que ele segurava embaixo da camisa podia ser tanto uma faca quanto uma caneta esferográfica, e eu não ia pagar pra ver.
*que ele podia tentar puxar a mochila que eu levava nas costas, caso eu não desse o radinho. Com celular, 2 cartões de crédito e o do banco, e o pior: os devedês de Chico.
*que o outro pivete, maior e mais mal encarado, que estava do outro lado da rua, podia estar com ele, e querer fazer alguma coisa séria comigo caso eu não desse o radinho.
*que o trabalho de Design e Meio-ambiente, que eu estava levando pra imprimir no shopping, estava dentro do radinho.
*que o tom de verde da camiseta do moleque era muito anos 90.
*que alguma das 4.87325 pessoas que estavam na parada de ônibus, logo ali, podiam tentar me ajudar de alguma maneira, mas todas eram tabacudas (vocabulário local, de novo, não quero ficar repetindo idiotas o tempo todo) o suficiente pra achar que aquilo era só uma conversa entre amigos no meio do cruzamento.
(Tá, a parte da camiseta eu inventei agora. Mas eu realmente lembro do tom de verde). Não deu tempo de pensar em gritar, ou correr, ou tentar sair da situação de qualquer maneira menos idiota. Dei o radinho e o menino saiu correndo, na direção da praia. E eu saí correndo pro outro lado, pra a parada de ônibus. Pelo menos sentei antes de desabar naquele choro ridículo, mas mesmo assim foi uma cena… aff, não quero ser repetitiva, mas foi uma cena ridícula. Uma das pessoas que fizeram montinho em cima de mim pra saber o que tinha acontecido era uma moça que trabalhava num restaurante chinês ali perto. Logo, minha tarde terminou nos fundos do tal restaurante chinês, com um copo de água com açúcar numa das mãos, o celular na outra e um monte de pessoas indignadas, cada uma contando suas próprias experiências de assalto. Um cara, que pelo que eu entendi era policial, ainda saiu atrás do moleque, mas pra variar não deu em nada. Emocionante. Deus sabe quando vou ter dindin pra comprar outro radinho. Pelo menos Ele me protegeu de alguma coisa pior (lá vem a Poliana…). Alguém já falou uma vez pra a gente agradecer a Deus por não ser o assaltante. É difícil, mas faz sentido. O pirralho devia estar desesperado por uma cola, ou então fez o que fez obrigado por alguém realmente perigoso. Eu realmente queria que ele pagasse pelo que fez, porque a coisa mais horrível nessas horas é a sensação de impotência sua e impunidade do outro. Mas, com a vida que a criaturinha deve levar, vai receber o castigo que merece um dia na vida, se é que já não recebeu.
E pronto. Tenho uma quantidade absurda de exercícios do curso de alemão pra fazer até amanhã. Mas hoje já é domingo, graças a Deus. Hoje dá pra ser preguiçosa e chicólatra, e é exatamente isso que vou fazer, assim que acordar no meio da tarde.
by the way: domingo em alemão é Sonntag. Muito parecido com Sunday, ou “dia do sol”, já que sol em alemão é Sonnen. Acho que vou me interessar um bocadinho por mitologia germânica/celta daqui a uns dias, assim que entrar de férias. Diz a lenda que Constantino, quando resolveu que o mundo todo tinha que ser cristão-ortodoxo, botou pra lascar nas crenças dos povos bárbaros. Matou gente, fez milhões de decretos, instituiu milhões de impostos pra quem não adorasse a Deus como ele queria. Mas entre outras coisas (a religião foi se adaptando confortavelmente a cada contexto), ele não conseguiu mudar o dia do sol, que entre as entidades da natureza, era a mais adorada pelo pessoal de lá. É até meio engraçado pensar que hoje os cristãos, católicos, ortodoxos, pentecostais etc, adoram a Deus no mesmo dia dedicado ao sol da mitologia pagã… mas enfim, isso explica porque o domingo das línguas latinas, inventadas depois e derivadas principalmente do grego, é tão diferente dos Sundays da raiz anglo-saxã. Tcharaaaam, Line Gilmore também é cultura! E eu juro que não olhei nada no google. E se tiver alguma besteira muito grande, pensem que pelo menos eu tentei dar uma de menininha culta. E corrijam, por favor.
(soundtrack: Chico Buarque – Até Pensei)
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