bad day

Não sei se já falei aqui do meu costume um tanto inútil de passar um tempo enorme olhando fotos, sejam elas antigas ou nem tanto. Acontece muito nas noites de insônia, quando tenho uma tonelada de trabalhos pra fazer mas o défict de atenção conspira contra. Ou quando estou triste, carente, sem graça, quando o choro não vem, apesar da vontade. Aí vejo e lembro de tempos em que eu não me vestia tão bem (não tem jeito, a gente sempre acha que se veste melhor agora do que antes), mas não tinha essas crises de cansei-da-vida com tanta frequência.

Eu adorava meu cabelo cacheado, mas vai demorar um século se eu quiser ficar daquele jeito de novo. Não sei onde estava com a cabeça quando fiz a loucura de cortar, só pra provar pra aquele infeliz – e pra mim mesma – que eu não gostava mais dele nem me importava com qualquer coisa que ele pensasse, porque ele me disse uma vez (e eu nunca esqueci) que achava lindo meu cabelo comprido. Eu devia ter cacheado de novo, devia ter continuado romântica e linda, balançando meus cabelos perfeitos. Estariam batendo agora no meio das costas…

Eu adorava meus olhos verdes de um ano atrás. O engraçado é que agora acho que não iam combinar mais comigo. Estão mais fundos, meus olhos, depois de tantas noites acordada, com ou sem motivo, e agora preciso dos óculos não só pra enxergar, mas pra esconder as olheiras de Vandinha Adams. Acho que não vou me livrar deles até o fim do curso, no mínimo.

Eu adorava aquela correntinha roubada, de enorme valor sentimental e cheia de segundas intenções, pendurada no pescoço o tempo todo, em tantas fotos. Hoje olho pra ela e fico triste, mas não consegui deixar de usar. Foi do pescoço pro pulso esquerdo, pro pulso direito, e há uns 5 minutos voltou pro pescoço, como se eu quisesse voltar no tempo, pra quando eu era mais feliz e menos preocupada. Ou melhor, preocupada com coisas que valiam a pena. Se eu soubesse que ser gente grande era desse jeito, não sei se teria topado tudo tão fácil. O que me alivia é a certeza de que nada ia continuar do mesmo jeito, mesmo que eu fizesse de tudo pra prender as coisas e as pessoas nos seus lugares. Foi melhor ter mudado antes que tudo mudasse de mim.

Não estou nos meus melhores dias. O tempo passa voando, e não lembro quando foi que sorri com gosto, ou que fiz algo que realmente mereça ser lembrado depois. Talvez seja a simples falta de registro que me deixa assim. Fotos mesmo (minha saudosa câmera se foi já há uns meses), ou as palavras soltas na agenda, que no começo do ano eu escrevia todos os dias. Só fico pensando que não é nada saudável viver de lembranças, que eu devia parar de me stressar tanto e fazer alguma coisa legal, mas não dá tempo. Estou muito ocupada ficando triste, sentindo saudade, querendo voltar, querendo que tudo se exploda (pra não dizer outra palavra mais feia), esperando acontecer algo que lá no fundo sei que não vai. Trash, eu sei. E o pior de tudo é que eu acho meus olhos lindos quando ficam assim marejados.

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rir era uma coisa assim espontânea


(soundtrack: Cazuza – Vida Louca Vida)

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