creep confessions

12 de junho nunca foi um dia muito digno de ser lembrado pra mim. Já teve ano de eu só me chatear por ter que ficar em casa com minha vó-que-não-deixava-assistir-tv enquanto meus pais iam se divertir, já teve ano de passar batido sem eu nem perceber que era uma data especiaaaaal, já teve ano de eu morrer de inveja de todos os casaizinhos felizes do mundo, de abominar todos os comerciais de perfume e shopping, já teve ano de eu estar curtindo a maior fossa da minha vida, por ter levado um pé 1 mês antes… enfim, não é uma época de boas lembranças.
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Por isso, e porque é terça-feira, meu dia-da-semana-da-sorte, seguindo a brilhante filosofia do “faça primeiro, se arrependa depois”, 12 de junho de 2007 vai ser registrado e lembrado mais tarde, para o bem ou para o mal, como o dia em que eu resolvi assumir pra mim mesma e pra a meia dúzia de leitores (assíduos ou não, assumidos ou não) do meu divã particular, uma coisa que demorei a aceitar que fosse verdade, porque apesar de querer muito e de achar a vida meio vazia sem isso, passei muito tempo morrendo de medo que acontecesse – eu diria até tomando cuidado pra não acontecer muito rápido, porque não sou o ratinho estúpido da propaganda de Skol – : estou apaixonada. É, de novo. Apesar do que tem parecido nos últimos tempos, especialmente aqui no blog, meu coração não é uma pedra de gelo.

Não é como das outras vezes. Estou menos boba, menos apatetada, menos dependente, menos preocupada em fazer minha vida girar em função disso (mas de alguma maneira, contra a minha vontade, ela gira). Talvez até sentindo menos, por conta das bordoadas que meu coração já levou por aí, e resolveu se proteger. Mas o alvoroço é o mesmo. As reações químicas, sei lá. O nervoso, a animação que me denuncia do jeito mais cruel possível quando ele está por perto, a vontade de ser linda e perfeita, os sorrisos no espelho. Estava com saudade dessas coisas. Porque é gostoso sentir, mesmo sabendo que não vai dar em nada (já encaro minha dificuldade extrema de fazer um relacionamento dar certo como algo absolutamente normal, e sei que não é saudável, que pessoas equilibradas não são assim, que é um mecanismo de defesa muito fajuto, mas tem funcionado por enquanto).

Não sei quanto tempo vai durar. Não sei se ele merece. Não sei nem se ele sabe. Deve saber, é como se estivesse escrito ‘culpada’ bem na minha testa. E é estranho, porque na maior parte do tempo vivemos em mundinhos completamente diferentes, que não se encontram nunca, mesmo que eu tente prever os acasos (mas como o nome já diz, acasos não podem ser previstos, e é isso que me fascina tanto neles). O zodíaco denuncia ‘atração fatal seguida de relacionamento desastroso‘, na pior combinação astral possível, até eu lembrar que não acredito em zodíaco. O anjinho e o diabinho ficam brigando pelo sim e pelo não, e, pela lógica, quase sempre ganha o não. Quase. Porque de vez em quando, beeeeeeem de vez em quando, alguma coisa em algum lugar fica certa (ou deliciosamente errada), e eu e ele estamos na mesma frequência, mesma órbita, mesmo tom, mesmo tudo. Ele me mostra coisas novas e interessantíssimas e eu tento fazê-lo sorrir, apesar de ser irresistível aquele eterno ar de melancolia que ele tem.

Ele é a pessoa mais doce do mundo, nessas raras horas de sintonia perfeita que eu espero tanto. E vive me surpreendendo. E dá sinal de vida quando eu já estou começando a duvidar se ele lembra que eu existo. Já queimei meus neurônios tentando entender como não reparei nele antes, muito antes, quando tudo teria sido mais fácil. Provavelmente estava ocupada em juntar os caquinhos de um amor que não deu certo, pra variar. Mas ele de alguma maneira me descobriu, e me conhece menos do que eu gostaria, porém mais do que é seguro pra minha saúde emocional. Ele está lendo isso, cedo ou tarde, e vai ser interessante me ver falando dele como se não estivesse aqui, quando eu deixar displicentemente o link do post em algum lugar. Aí vou amaldiçoar com todas as forças o momento em que escrevi isso, e vou pensar que foi a maior idiotice que já fiz – não na vida, mas num passado recente -, mas não vou conseguir simplesmente tirar do ar, porque algo dentro de mim tem fortes tendências suicidas. E aí vai acontecer o seguinte:

a) eu estraguei tudo, porque ele não gosta meeeeesmo de mim, e vai achar tudo uma bizarrice e me evitar pro resto da vida. E pra completar, vou perder um grande amigo.
b) eu estraguei tudo, porque ele vai achar que pode fazer o que quiser com meu pobre coraçãozinho, agora que o tem nas mãos, e não era isso que eu queria, porque essas histórias acabam mal.
c) eu estraguei tudo, porque pode até ser que ele goste de mim, mas vai morrer de vergonha disso tudo, e me evitar pro resto da vida.
d) eu estraguei tudo, porque ele pode estar com medo de se envolver, e ao ver que eu já me envolvi, vai querer cortar o mal pela raiz, me evitando pro resto da vida.
e) eu estraguei tudo, e ele vai chegar pra mim e dizer que achou muito bonito tudo que eu escrevi e que eu sou linda – é impressionante como todos os garotos que me dão um fora dizem que eu sou linda, como se desse jeito partissem menos meu coração -, mas já está com outra pessoa (e vai contar isso justamente pra eu desistir de uma vez), e que me adora, mas pra sermos bons amigos. e depois desse papinho furado, ele vai me evitar pro resto da vida.
f) eu não estraguei tudo tão rápido, porque daqui a um bom tempo (porque homens são assim, não dão logo o braço a torcer) ele vai dizer não que gosta de mim, mas que a gente tem muito em comum e podia tentar, e aí vamos ser felizes pra sempre por uns 2 meses, até um dos dois (eu, provavelmente) estragar tudo.

Pronto. Já fiz. Agora vou ali me arrepender, provavelmente mergulhada numa lata de leite Moça pro resto da vida. Tá, pro resto da semana, vai.

:$

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sensação familiar


(soundtrack: Coldplay – Everything’s Not Lost)

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