ele e ela

parte 1 – nenhuma novidade e uma surpresinha boa

minha lua-de-mel com Chico continua, e ainda mais deliciosa depois de assistir Roda-Viva, o dvd que dei a mamãe de presente de aniversário, onde meu amor dos olhos verdes (que aqui parecem azuis) fala do início da carreira, de como largou o curso de Arquitetura da USP (!) pra viver de música, dos famosos festivais da década de 60, de quando a ditadura começou a complicar as coisas, e mais um monte de coisas interessantíssimas, pelo menos pra mim, que estou cada vez mais caidinha por ele. Minha vontade era dar o box inteiro de presente, mas o sonho esbarrou em problemas orçamentários (cof cof) e, bem, se alguém quiser me dar, ou dar a ela qualquer outro dos 10 dvds que ainda faltam, tamos aceitando. E valem a pena, porque são os únicos dvds que eu provavelmente não cometeria o sacrilégio de copiar se eles já não fossem bloqueados contra pirataria. Mas o melhor de tudo foi ter descoberto, entre outras belíssimas, Benvinda – assim mesmo, junto e com N -, uma dessas pérolas escondidas pra fã descobrir, e que parece que é pra mim. Ei-la:


Dono do abandono e da tristeza
Comunico oficialmente
Que há lugar na minha mesa
Pode ser que você venha por mero favor
Ou venha coberta de amor
Seja lá como for, venha sorrindo, ai
Benvinda, benvinda, benvinda
Que o luar está chamando
Que os jardins estão florindo
Que eu estou sozinho

Cheio de anseios e esperança
Comunico a toda a gente
Que há lugar na minha dança
Pode ser que você venha morar por aqui
Ou venha pra se despedir
Não faz mal, pode vir até mentindo, ai
Benvinda, benvinda, benvinda
Que o meu pinho está chorando
Que o meu samba está pedindo
Que eu estou sozinho

Venha iluminar meu quarto escuro
Venha entrando como o ar puro
Todo novo da manhã
Venha minha estrela madrugada
Venha minha namorada
Venha amada, venha urgente, venha irmã
Benvinda, benvinda, benvinda
Que essa aurora está custando
Que a cidade está dormindo
Que eu estou sozinho

Certo de estar perto da alegria
Comunico finalmente
Que há lugar na poesia
Pode ser que você tenha um carinho para dar
Ou venha pra se consolar
Mesmo assim pode entrar que é tempo ainda, ai
Benvinda, benvinda, benvinda
Ah, que bom que você veio
E você chegou tão linda
Eu não cantei em vão
Benvinda, benvinda, benvinda
Benvinda, benvinda
No meu coração

parte 2 – o que realmente me trouxe aqui a essa hora

O dia de hoje foi tudo, menos chato. Não teve o sol que ela tanto adora, pelo menos não o tempo todo. Teve chuva, frio, merguho no mar que deu errado, mas não tinha importância. Era pra ser feliz, e foi. Era pra ser espontâneo, e foi. Era pra ser leve, engraçado, divertido, e foi. Que nem ela, a dona do dia. Que mesmo sem convidar ninguém, teve a casa cheia (e o melhor: cheia de amigos de verdade, que vá lá, pode até ser que tenham vindo só pela comida, mas vieram de livre e espontânea vontade), e festa, e bolo e coca, e Chico, e fotos. E teve eu agoniada pra fazer um post-de-aniversário decente, mas ela não deixava a cadeira do computador esfriar nem por 5 minutos. O MSN não parava de tocar, pipocaram homenagens nos blogs por aí e zilhões de scraps no orkut que ela tinha que responder na hora. Percebi uma coisa: minha mãe é muito querida de verdade por muita gente, e ela fez por merecer. Cuidou com carinho de todas as amizades que tem, e eu espero um dia poder ser assim. E isso já está virando post-de-dia-das-mães, então vou matar 2 coelhos com um post só.

Eu nem preciso dizer, ela sabe que é responsável por muito do que eu sou hoje. Não que eu seja lá grande coisa (mas ela acha que eu sou, pra não fugir à regra), mas alguma coisa boa ficou, com certeza. Os cílios longos, a paixão por Chico e por coca-cola, o senso de obrigação de fazer as coisas direito, só pra não dizer nada muito óbvio como inteligência, beleza e um enorme senso de humor (será que eu forcei um pouquinho?). É meio lugar-comum dizer que “além de mãe, ela é minha amiga”, mas o pior é que é verdade, apesar da pieguice. Não essa amizade afrescalhada de roupinhas iguais e conversinhas de namorado, como acontece com umas mães frustradas ou medrosas que tentam se aproximar das filhas a pulso, do tipo “se não pode vencê-los, junte-se a eles”, porque isso seria medíocre demais pra nós duas. É mais como Lor e Rory mesmo, apesar de também ser meio lugar-comum, embora num universo um pouquinho mais seleto. Aff, não dá pra ser original e exclusiva o tempo todo.

Não sou afeita a essa melosidade que paira no ar nessa época do ano, nem a coisas tocantes e profundas, nem a palavras difíceis, nem a frases feitas, nem a coraçõezinhos cor-de-rosa. O necessário, ela já sabe. O meu amor, e a certeza de que, longe ou perto, com ou sem celular na bolsa, eu tô por aqui, e ela pode contar comigo.


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pra ela ^^


(soundtrack: Chico Buarque – Benvinda)

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