come fly with me

Como o Aeroporto Internacional Dois de Julho (ou Luís Eduardo Magalhães, como queiram) já é quase meu lar, e como dar mais um relatóriozinho de viagem ficaria aborrecido – até porque a última vinda pra casa foi mesmo um tanto aborrecida – , vou fazer… adivinhem! uma listinha de pequenas experiências aeropórticas no eixo Recife-Salvador (talvez REC-SSA seja mais apropriado, whatever). Então, senhores passageiros, fasten seat belt while seated, e em caso de despressurização da cabine, já sabem, né?

a moça do check-in duvidou que eu fosse maior de idade uma vez. Com minha carteira de identidade na mão. Mas mesmo assim, me chamava de senhora.
já fui fazer check-in no guichê errado, e a moça (outra) levou um tempão pra descobrir que o vôo 1607 era de outra companhia. A mala quase foi despachada mesmo.
a livraria do aeroporto de Recife tem um sofá enorme e macio de couro, mas nunca consegui passar mais de meia hora lá. Já a de SSA é menor e não tem nem um mísero pufe. Mas foi nela que eu fiquei, da hora que abriu (6:00, eu acho) até entrar na sala de embarque.
já quase paquerei o carinha da loja de cds de SSA, só pra dar mais um tempinho de escutar Carioca inteiro. Porque eu tinha tempo e estava entendiada, ora! Deve ser Lucas o nome dele, eu acho.
já cochilei no banheiro.
já cochilei na frente da loja de cds, assistindo o show de Ivete.
já cochilei na livraria de SSA.
já cochilei no avião, e quando acordei, devia ter umas 5 pessoas dentro, e eu provavelmente ia parar em Guarulhos se não acordasse naquela hora.
já cochilei na sala de embarque (mas aquelas poltronas macias e reclináveis de couro são mesmo um pecado, e o vôo atrasou 40 minutos) e acordei com meu nomezinho sendo chamado no alto-falante, porque, aparentemente, só faltava eu pra o avião decolar.
já perdi um estilete na revista da bagagem de mão. E o pior é que era bom, com travinha e lâmina nova. Mas realmente, sou muito perigosa com uma arma de corte dentro do estojo, meus lápis de desenho que o digam…
já quase tive minha bagagem extraviada no desembarque. E o funcionário do aeroporto ainda olhou pra mim como se a culpa fosse minha por ter confundido a esteira das malas do meu vôo com a de outro. Pô, era 1 da manhã e eu estava com sono, tonta e desesperada de ver que só tinha sobrado eu lá na esteira. Deprimente.
já viajei sem nenhum contratempo.
já viajei com todos os contratempos.
minha bagagem já deu excesso (ainda bem que eu sou pequenininha e o cara do check-in era legal), por causa da singela coleção de canecas que tinha que levar pra casa.
já quase confundi minha mala com outra igual, igualzinha, na esteira do desembarque. A sorte foi que nesse dia, tinha um chaveiro enorme com meu nome escrito preso nela (na minha), porque uma vez na vida eu fui esperta e lembrei de todos os detalhes.
já tive que pegar táxi pra ir do aeroporto pra casa, porque era meio-dia e não tinha ninguém pra ir me buscar. É deprimente não ter ninguém te esperando.
já tive crise de choro no banheiro, por causa de um monte de coisas dando errado.
já passei a noite no aeroporto. As 12 horas mais chatas e insuportáveis dos últimos tempos, não por ter que ficar lá, mas por estarem todas as lojas fechadas, um frio glacial, e por não ter uma chaise fofinha de couro pra eu dormir.
consegui, em menos de 12 horas, escutar o show inteiro de Ivete Sangalo uns 3 milhões de vezes. Tocava em todas as lojinhas, passava em todas as tvs, deve ter deixado sequelas permanentes no meu subconsciente.
já li uns 3 livros inteiros esperando em aeroporto.
já almocei um milk-shake de Ovomaltine do Bob’s. Aliás, é muito difícil eu não comer porcaria no aeroporto.
já viajei duas vezes com a mesma aeromoça. E parece que ela me reconheceu vagamente também, quando disse isso a ela. Érica (Erika, Hérica, Hérika, whatever) não-sei-de-quê.
já quis fazer algo bem perverso com a criatura que ficou na janela da minha fileira na última viagem. Ela fechou a janela na hora da decolagem, e isso em uma bela manhã de sol. A visão do sol na horizontal é uma das coisas que fazem valer a pena viajar de avião, e a infeliz cometeu o sacrilégio de fechar a janela. Hunf.

Tenho que parar, que tá ficando trash. Espero que venham mais historinhas por aí, até porque eu gosto de aeroportos e tudo que vem com eles. Só me lembrem de nunca mais fazer de novo o que topei dessa última vez. 12 horas num aeroporto-fantasma, sozinha e com déficit de sono, não são nada legais. Ah! em caso de pouso forçado no mar, os assentos são flutuantes.


(soundtrack: Chico Buarque – Você Vai Me Seguir)

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