in memorian

Lembra quando a gente jurou amizade eterna, pra sempre-sempre-eternamente-amém? Lembra quando a gente acreditava com todas as forças que não íamos nos esquecer nem nos afastar, e dos rios de lágrimas de despedida que choramos na frente de todo mundo, e que todo mundo achava nós duas as maiores amigas de todos os tempos do colégio (tá, da turma, vai)?

Lembra de quando todos perguntavam pra você quando queriam saber de mim, e vice-versa? Lembra das conversas intermináveis nas folhas de fichário, e dos olhares e risinhos presos que tornavam elas completas? Dos bilhetinhos com canetas coloridas, onde dizíamos frases feitas, mas que pareciam feitas só pra nós, e que mais tarde viraram cartas e coisas imensas e importantíssimas… Lembra das horas e horas e horas na frente do colégio depois da aula, porque não tinha nada melhor pra fazer com o tempo do que gastá-lo em longas conversas sobre garotos, ou em qualquer nada que fizéssemos juntas… das reuniões de trabalho em equipe, que sempre começavam e terminavam só com nós duas, porque você nesses dias almoçava lá em casa, e era sempre strogonoff, lembra disso? Lembra do tanto que uma chorou no ombro da outra? Lembra de como eu sempre tinha o coração de manteiga pra umas coisas, e você pra outras, e dava certíssimo, porque uma trazia a outra de volta sempre… Lembra de como você era patricinha e eu um caos, você organizada e eu criativa, você observadora ao extremo e eu completamente avoada? Não sei como a gente deu certo tanto tempo. Lembra de nossas briguinhas idiotas, e de outras nem tanto, mas que serviram pra que a gente se aceitasse mais (ou não)? Eu lembro de tudo.

Da primeira vez que vi você, de aparelho e cheia de coisinhas no cabelo, e pensei que esse era o tipo de gente com quem eu nunca conseguiria me dar bem. E da vez em que eu te disse isso, e você disse que pensou a mesma coisa de mim, que nunca pensou que seríamos melhores amigas. Eu lembro do seu antológico fichário de pelúcia rosa, da sua agenda da Capricho, da inveja que eu tinha de você pelo tanto de coisas legais que você tinha. Da inveja que você tinha de mim por causa das minhas notas… do primeiro 10 em química que eu tirei, e poderia ter nos tornado inimigas pra sempre, mas foi nos deixando cada vez mais próximas, e muitas vezes era você quem me ensinava o assunto. Lembro dos emoticons extremamente irritantes do seu MSN, da maneira como você sabia me provocar, me chamando de CDF, e na verdade você estudava bem mais do que eu… lembro da época em que a gente começou mesmo a chamar a outra de “melhor amiga”, e como eu me sentia feliz. lembro de como você me fazia ver meus erros, de como você era importante pra mim e eu pra você. Aí, de uma hora pra outra (ou talvez não) isso tudo era vidro e se quebrou. E eu sei exatamente quando foi. Dava pra sentir, eu já conhecia seu jeito de dizer que não foi nada, mas deixando implícito como uma faca nas costas, por baixo da roupa, que foi sim, muita coisa. Aí não adiantava mais nenhuma cartinha com canetas coloridas ou pedido de desculpas. Resolvemos então fingir, as duas, que estava tudo bem. Estamos até hoje fingindo, e essa é a coisa mais patética que duas pessoas que se conhecem tanto podem fazer. E fico às vezes achando que o anel que tu me deste, e que era vidro, se quebrou por culpa minha só. Não foi.

Uma coisa muito curiosa é que nós não ficamos parecidas, como melhores amigas sempre ficam. Devemos ser como água e óleo. E eu morro de pena de ter acabado meio implícito, e de a gente não ter resolvido alguma coisa que nem sei mais o que é, de tão diluída que está pelos meinhos do nosso relacionamento. A gente se viu há menos de 6 meses, e em algumas vezes, foi como se você não estivesse lá, ou fosse outra pessoa completamente diferente. Você deve ter me visto assim também. Mas quem fez isso não foi a vida pós-colégio, o mundo novo, as outras amizades. Simplesmente não sou mais capaz de te ler, e isso é triste. Eu não te encontro mais, você apagou todos os registros que podiam me fazer lembrar da minha amiga de escola sempre que eu quisesse. E há um tempão eu peço que você apareça, que dê sinal de vida… coloco seu nome no Google e a única coisa que aparece é a lista de aprovados no vestibular. Fico sem querer aceitar que não vai fazer a menor diferença. Vamos continuar fingindo. Porque pelo menos enquanto foi de verdade, foi bom. Bom não, foi maravilhoso, foi a amizade mais intensa que já tive na vida, e talvez seja isso que eu estava tentando salvar, de tanta saudade que tenho, e sentir de novo, nem que fosse um pouquinho de nada, nem que fosse faz-de-conta. Não quero mais, porque cada vez que acho que vai dar certo e não dá, dói mais.

Lembra de quando a gente conversou sobre a vida depois da escola, e você disse que nós íamos manter contato, e eu fiquei meio cética, dizendo que aos poucos vão rareando as coisas em comum, vão surgindo outros interesses, e daqui a um tempo nem assunto pra conversa a gente ia ter mais, lembra? Você falou que não, não com nós duas. A gente ia conseguir sim manter a amizade pra sempre, não importava como. Eu acreditei, isso eu lembro. Boba eu.

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(soundtrack: Roupa Nova – É Cedo)

off the record: a maratona de listinhas continua, viu, povo? É só eu ter inspiração pra fazer a próxima!

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