sem título

Vazio. Vontade nenhuma de conversar com ninguém. Dia que pode tranquilamente pasar em branco. Limbo. Hoje não é um daqueles dias em que necessito tanto de pessoas perto de mim. Só ficar em paz fazendo minha coisas. Estranhamente, vim passar o carnaval com a família, exatamente porque era com a família. Família de vez em quando enche o saco. Pessoas que eu não estava morrendo de vontade de ver, salas cheias de gente e barulho, onde não dá pra ler Budapeste sossegada, onde não dá pra pensar. Aí vou sozinha pra a rede, pra a varanda, pra a piscina, e todo mundo pensa (ninguém fala, mas tenho certeza que pensam) que eu estou com algum problema, ou apaixonada, ou escondendo alguma coisa, só porque não ando muito sociável. Só porque estou em dias introspectivos. E porque a única pessoa com quem talvez eu fosse sociável acabou de ir embora.

Lídia ficou aqui tanto tempo que eu me acostumei com ela por perto, me fazendo companhia no meio de um monte de meninos de 15 anos, me emprestando brincos e maquiagens, sendo sempre mais sensata do que eu, mais responsável, mais adulta. Nós nos equilibrávamos, sendo opostas. E uma sempre achava a outra mais bonita. Ela me fez um bem enorme, do tamanho da falta que faz agora. E talvez por não ter chorado ao me despedir dela no aeroporto essa madrugada, estou com a saudade entalada na garganta, que não me deixa dar mais que um sorrisinho sem graça pra quem chega fazendo graça comigo.

Eu já disse isso tudo a ela, ela já sabe que vou morrer de saudade, que ela é, provavelmente, a amiga mais leal que já tive até hoje, que ela me faz querer ser uma pessoa melhor, que eu a amo demais, mais do que uma irmã. Mas eu quis escrever, pra ver se as lágrimas finalmente vinham, essas minhas lágrimas, sempre tão carregadas de tudo. Não vieram.

Eu sou chorona de despedidas, e amante delas. Acho que elas têm que acontecer, pra que a última lembrança que se tem da pessoa, se for mesmo a última vez que se vê, seja a de um abraço, um beijo, um “tchau, mas volte logo”. Um “eu te amo” esperado por tanto tempo, algo assim. É deprimente sair sem se despedir, pensar que a última coisa que você disse pra aquela pesoa foi “me dá um copo d’água”, “tá, agora deixa eu usar o computador”, sei lá. Não falo aqui de despedidas eternas, embora se aplique também. É mais de alguém que só vou ver daqui a 1 ano, e mesmo assim, morro de saudade. Não disse nada a Lídia na hora de ela entrar no embarque, porque tudo já tinha sido dito. Dei só um abraço que é só de nós duas. E valeu.

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e a gente se divertiu.
(soundtrack: Rob Thomas – Time After Time)
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