só hoje

Hoje consegui cumprir minha cota de 5 ou 6 mil palavras ditas.

Hoje lembrei de novo como é bom ler algo não-didático e não-obrigatório, mesmo quando tinha coisas extremamente didáticas e obrigatórias pra fazer. E dei boas risadas, completamente sozinha. Tinha esquecido como isso é bom.

Hoje quase matei aula pra participar de uma oficina de dança de salão que estava acontecendo na sala de dança – é, o CAC tem uma sala de dança, igual àquelas de filme! Cada dia descubro um lugar novo naquele labirinto de concreto, é fascinante – , mas não tive coragem. Nem de levar falta na aula nem de me arriscar a dançar.

Hoje tomei suco de manga de verdade. Não de polpa de manga, mas de manga mesmo. Até meio azedinha. E me fez sentir meio criança de novo, quando costumava catar as mangas maduras que caíam e lutar com elas até só sobrar o caroço cheio de fiapos.

Hoje percebi que não sou um completo desastre na arte de criar um produto (ops! Design não é arte, é planejamento!! E se eu esquecer disso, não vai ser naaaada bom), e que minhas idéias medíocres não são muito piores que as idéias também medíocres de alguns colegas meus. Claro que morro de inveja de quem inventa uma coisa genial e absurdamente necessária, e que a gente pensa como ninguém teve essa idéia antes, mas de vez em quando tenho que parar de dar passos maiores que a perna – e unfortunately, não sou nenhuma Ana Hickmann.

Hoje descobri que estar na faculdade faz um bem enorme pra minha saúde. Sei lá, acho que só estava me sentindo carente e sozinha, querendo conversar com alguém ao vivo. Odiei o último fim-de-semana. Eu não costumo odiar fins de semana…

Hoje lembrei, olhando a foto 3×4 da carteira de estudante, que engordei um bocadinho desde que vim morar em Recife. E, bem, fiquei melhor.

Hoje vi um filme de Almodóvar. Um filme cuja sinopse soaria bem vulgar, e até meio com cara desses filmes que mocinha decente não assiste (E novamente Almodóvar consegue nos convencer com suas histórias absurdas. Exemplinho: a freira grávida de um travesti que está morrendo de AIDS). Mas era um Almodóvar puro-sangue: colorido, sensível, latino, com uma trilha sonora perfeita e envolvente e com toda a reverência que o diretor sabe prestar às mulheres. Ele nos entende (claro que entende, ele é gay, dãaaa!). Tudo Sobre Minha Mãe. E o melhor de tudo é que foi na telona, com um bocado de gente realmente interessada em assistir, e rindo nas horas certas – não sei se já mencionei aqui que eu adoro idas ao cinema, porque, de alguma forma, acontece uma empatia entre as pessoas que estão ali, de rir e se emocionar junto, e eu me sinto mais próxima dos outros espécimes humanos ao meu redor, and it feels good -. E o melhor de tudo é que foi de grátis, graças ao meu interesse nada comum pelos cartazes de coisas culturais espalhados pelo CAC, e à imensa vontade que estava de assistir a um Almodóvar. E à força de vontade de ir, mesmo estando meio sem graça e com dor de cabeça. E à boa companhia de Karina, que sabia onde era o Instituto Joaquim Nabuco. Estou doida pra ver Volver.

Hoje dei graças a Deus por todos os sinais fechados que peguei indo de volta pra casa no ônibus. Explicação: enquanto esperava o saudoso CDU-Várzea, tive a brilhante idéia de abrir o esfarofado pacotinho de biscoitos integrais – ou comida de passarinho, como um colega meu de escola costumava chamar – e a intenção era mesmo de comê-los. Exatamente na hora em que ia pôr um pouco daquela farofa na boca, chegou o ônibus, invariavelmente lotado, e sim, tive que ficar segurando o pacotinho numa mão, enquanto tentava, com a outra, segurar meus cadernos e me agarrar em algum lugar pra não cair estatelada no chão e arrancar risadinhas e olhares de piedade dos passageiros. Quer dizer, pensando bem, nem tinha pra onde cair, porque o tijolo demográfico estava mesmo compacto hoje. E pensando bem, de novo, podia ser que algum príncipe encantado, me vendo ali, completamente vulnerável, segurando pateticamente minha comida de passarinho, percebesse a oportunidade perfeita pra se aproximar e mostrar que era perfeito pra mim, e que sim, podia passar o resto da vida comigo. kkkkkkkk! Viajei agora… mas enfim, não caí, por causa dos sinais fechados, que me deram tempo e condição de soltar a mão de onde quer que ela estivesse agarrada, pra ajudar na difícil tarefa de comer os biscoitos.

Hoje lembrei como o centro de Recife é bonito à noite. E senti saudade.

Hoje eu estava estranhamente risonha. E meu cabelo, com uma ajudinha do vento, deu a impressão de enfim estar no lugar certo (engraçado,ainda parece estar, mesmo depois do banho, e de não ter sido penteado). Queria que ele estivesse assim quando eu precisasse impressionar alguém, porque uma das minhas maiores fontes de insegurança é esse cabelo que não me obedece nunca.

Hoje vi a lua. Gosto dela cheia, mas hoje estava grande e bonita, bem no comecinho do quarto minguante. Eu amo a lua.

Hoje nem parece uma segunda-feira…talvez tudo isso signifique que a terça tenha que ser um dia horrível. Então, pelo menos eu aproveitei. E registrei. Sei lá, foi um dia comum, mas eu senti que estava vivendo, e só isso já basta. Tenho que aprender a tornar cada dia único assim.

Hoje estou feliz, e nem sei se tenho mesmo todos os motivos. Só sei que não estava condicionada a ninguém nem a coisa nenhuma. Que bom.

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(soundtrack: Legião Urbana – Tempo Perdido)

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