(a)política

Vejam a expressão emocionada da garota na hora de votar pra presidente pela primeira vez:
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Preferia um milhão de vezes continuar na cama, lendo Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez é o caraaaaaa!), tão mergulhada que já estava na história. Mas fui cumprir meu dever de cidadã, mais ou menos como quem vai fazer exame de fezes.

“Normal”, vocês podem pensar, “Line Gilmore nunca disse uma palavra sobre política por aqui, uma opiniãozinha sequer, deve ser totalmente desligada dessas coisas!”. Não é isso, eu juro. Antes fosse. Já entrei em discussões acaloradas e que não deram em nada com colegas de escola, amigos e gente da família sobre a atual conjuntura. E infelizmente, a única certeza que fica, seja eu de direita, de esquerda, centro-direita, centro-esquerda ou o diabo a quatro, é a de que o país está uma grandessíssima porcaria, não só por culpa dos políticos, obviamente, mas principalmente pelo descaso com que muita gente trata a política. Gente como eu inclusive, confesso, assumo a culpa. A razão pela qual me abstive de falar de política aqui no blog por esse tempo todo foi muito simples: não quero brigar, nem causar polêmica. Ou então porque eles não merecem. Mas como hoje foi um dia memorável, uma festa da democracia, uma prova de que o país está no rumo certo (sei…), tenho que falar.

Com 1 ano e pouco de idade, eu cantava a musiquinha do Lula-lá, ensinada por mamãe e tia Rosane, toda vestida de vermelho, com boné, botton, tudo que a militância tinha direito. Vai ver naquela época eu acreditava. Até em 2002 eu acreditava (estranho, porque o outro velhinho gordo da roupa vermelha já fazia parte das histórias-de-xixi-na-cama há muito tempo), sinceramente. Tinha 14 anos, e teria votado nele. Parei de acreditar na mesma época que parei de acreditar em príncipe encantado. Muitas gafes, escândalos, vergonhas e dossiês depois, Lula não me diz mais absolutamente nada. Só fez dar atestado de incompetência nesses 4 anos. “Tá, mas por quê você foi votar de vermelho?”

Em parte pra satisfazer a vontade que tive um dia de ser uma dessas mocinhas que metem as caras, balançam bandeiras, gritam “por la liberdad!” pelo meio da rua, entre bombas de gás e medo de ir presa. É, eu queria, se tivesse algo pelo que valesse a pena lutar. Fui de vermelho porque o vermelho um dia significou alguma coisa, um sonho de que alguém podia fazer melhor pelo país. E pra o povo ficar olhando mesmo. E porque estou em uma fase um tanto quanto vermelha também… e porque amo vermelho. Mas não foi pra votar no Lula. “Tá, e o Alckmin?”

Tadinho do Alckmin, com aquela cara de chuchu… Por um momento cheguei a acreditar nele também, no 1º turno ainda, quando o programa ainda dava pra engabelar os eleitores mais incautos. É, eu caí na magiquinha do programa eleitoral. E nas histórias da Veja. Ainda bem que não dei meu voto a ele, porque justifiquei no 1º turno, lá em Recife ainda. Fiquei feliz quando ele conseguiu empurrar a disputa mais pra frente, porque estava doida pra ver Lula se ferrar jnos debates, aos quais teria que comparecer. O dossiê ainda colocou mais lenha na fogueira, a coisa tava ficando boa… e meu chuchuzinho estraga tudo. Passei a ver um demagogo de marca maior, que não deu resposta pra nada, que ficou com medo de mostrar quem era, de defender as privatizações, que se escondeu atrás do escândalo, batendo sempre na mesma tecla, como se não houvesse assuntos muitíssimo mais relevantes pra discutir na campanha. Que foi uma decepção completa nos debates (é, pelo menos na minha visão das coisas, Lula conseguiu se sair melhor nos debates). Aliás, que campanha mais esculhambada, viu… como é que pode um candidato à presidência ter uma musiquinha que ninguém lembra?? Um candidato sem musiquinha relevante não merecia o meu dedinho apertando no verde.

Anulei, com muito orgulho. Eeeeeu, dar o meu primeiro voto de presidente pra o menos pior? Já sabia que Lula Molusco ia ganhar, então fui lá com aquele sentimento meio de conformismo, meio de indiferença, mas completamente de uma satisfaçãozinha egoísta de saber que ganhou, sim, mas não foi com meu dedinho. Vou pagar pelas brincadeirinhas do PT no Planalto como todo o resto do Brasil, fazer o quê? Aí, gente, é isso que me irrita tanto quando se trata de política: saber que, por mais que se discuta, não dá pra fazer muita coisa. De que adianta “ser o patrão”, me digam… Votei de olhos fechados, num gesto simbólico de justiça (não, na verdade foi porque zero-zero era muito deprimente, e estava sem idéias pra qualquer outro número), e dou um doce a quem adivinhar quais foram os meus números (mãe, tá proibido falar, viu?). Post que vem mostro a foto. Fim. Piririririm!

(soundtrack: Queen – Bohemian Rhapsody)
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Uma resposta em “(a)política

  1. Voce votou no 90?? Nao…no 88? AHHHHHHHHHHHHHHHHH!! No 89!!! Ganhei uma agendinha????? hehehe Aline, gosto de politica e gostei muito do seu texto. Bjo!

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