não exatamente um post feliz

Acontece uma coisa incrivelmente estranha comigo ultimamente: parece que quanto mais coisa acontece comigo, menos eu consigo postar. E não falo aqui de falta de tempo ou de conexão (e as duas coisas realmente conspiraram contra mim, além do mr. Blogger, que entrou em manutenção um dia desses, justo quando eu tinha feito um post daqueles que a gente se orgulha de ter escrito), mas o pior de tudo é a dona Inspiração que – entrando em ritmo de copa – me dá um olé de vez em quando, cada vez mais de vez em sempre.
Tá. Pra começar, domingo passado vi mamãe no aeroporto (quem frequenta o blog dela já deve saber) , e foi só por uns 40 minutos, mas valeu muuuuuuito ter acordado cedo, ter feito meu priminho acordar cedo pra me levar, enfrentar o frio (é, frio!) que faz em Recife de manhã cedo, só pra ver mamãe ao vivo, e ver que, contrariando todas as expectativas, ela está incrivelmente bem!! E linda, e muito mais magra do que eu me lembrava, uau!
Ok, vou explicar essa história das expectativas. Tive sérias dúvidas sobre trazer ou não esse assunto pra dentro do blog (e muitos dos ilustres visitantes até já sabem), mas como isso aqui é meu divã, vou me abrir com ele, kkkkk…
Mas então… meus pais se separaram recentemente. Muito recentemente mesmo, tipo, meu pai veio pra Recife essa semana. Mas é claro que uma separação não acontece deuma hora pra outra, e com eles não foi diferente. as coisas não estavam às mil maravilhas há um bom tempo. E vou confessar agora que na maioria das vezes que eu resolvi não postar oficialmente porque estava down, o motivo era esse. Já passei por todas as fass traumáticas da situação, desde não acreditar, não entender, não aceitar, não segurar as lágrimas, não ter idéia de como ia ser a vida daqui pra frente… já tive pena de mim mesma, já me senti totalmente impotente (e realmente não tinha nada que eu pudesse fazer), já tive raiva de meus pais, por terem deixado isso acontecer, e sabia desde o começo que os dois tinham culpa no cartório. Mas passou.
Deus me deu clareza pra ver que se meus pais não estão felizes um com o outro, é melhor que tentem ser felizes cada um no seu canto. E que os dois me amam do mesmo jeito, talvez até mais do que antes. E que não foi culpa minha. E (pelo menos pra mim, pelo menos por enquanto), acho que não vou ficar cheia de traumas, até pelo fato de já estar crescidinha, e de meus pais terem sido muito felizes juntos na época em que eu ainda podia ficar traumatizada. Talvez, aliás, essa seja uma das razões pelas quais eu fiquei de boca aberta da primeira vez que minha mãe me explicou a situação, porque pra mim, eles tinham sido feitos um pro outro. Eu cresci vendo surpresas, presentes de dia dos namorados, aniversários de casamento, beijos, saídas pra jantar sem as crianças… às vezes ainda é difícil entender como o amor morre desse jeito. Aí tem uma música de Nando Reis, que me acompanhou um bocado durante todo o percurso, que diz:
“a gente não percebe o amor
qu se perde aos poucos sem virar carinho
guardar lá dentro o amor não impede
que ele empedre, mesmo crendo-se infinito
tornar o amor real é expulsá-lo de você
pra que ele possa ser de alguém”
(quem vai dizer tchau)
Sei lá, vai ver foi isso o que aconteceu. Já cheguei na fase de desistir de tentar entender. A única vontade qu eu tenho agora é a de fazer diferente deles, apesar de não saber direito onde foi que erraram. De não desperdiçar o amor, de fazer feliz quem me ama.
E essas coisas todas vieram parar aqui por conta da melancolia que costumo sentir perto do Dia dos Namorados, com tanta gente iritantemente feliz e apaixonada à minha volta… e depois que eu vi, aqui na casa de meus avós, o quarto do meu pai, as coisas dele arrumadas no guarda-roupa. As camisas que o tempo todo dividiram espaço com os vestidos de minha mãe, a cama com um travesseiro só no meio (e meu pai nem dorme de travesseiro, minha mãe é que sempre usa uns 3 ou 4), os sapatos dele sozinhos… muito estranho.
Mas com essa história toda, pelo menos meu irmão e eu fomos poupados da parte de ver o pai só nos fins de semana, ou ter que dizer qualquer coisa na frente de um juiz, ou ver os pais brigando por causa de pesão alimentícia. E eu agradeço a Deus todo dia por ter vindo pra cá, e não estar morando com nenhum dos dois.
Esses dias meu pai foi no cinema comigo, assistir O Código DaVinci (não perguntem o que eu achei do filme). Como se ele quisesse recuperar o tempo perdido de alguma coisa… sei lá.
E eu ia falar de tanta coisa no post de hoje! Mas não sobrou espaço pra mais nada.
(soundtrack: Wilco – How To Fight Loneliness)
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11 respostas em “não exatamente um post feliz

  1. Foi bom poder ver as coisas sob seu ponto de vista, e descritas em palavras.
    Não tenho muito o que comentar, ou talvez tenha muito… mas nem dá…
    De toda forma, é bom saber que na sua cabeça as coisas estão se arrumando… e que você viu com seus pr[oprios olhinhos que a mamãe sobreviveu.
    (Se me contassem, eu também teria dúvidas!)
    Te amo, sempre, filha. E muito.
    More than words can say.
    E se lhe ajuda, eu também não sei como tudo isso foi acontecer. No dia que descobrir, eu te conto.

  2. Oi Line…sou o Sr. Diet Analfa…companheiro de sua linda mãe. Emocionante e ousado este post. Pouco teriam essa coragem. E, mais do que isso, mostra o quanto vc é madura para encarar uma situação difícil e ainda escrever sobre ela. Parabéns.

  3. Line, tb agradeci a Deus por vc está longe neste momento,Deus sabe sempre o momento exato das coisas acontecerem.
    Ao ler o seu blog, veio em minha mente vários momentos maravilhosos que vcs viveram e a emoção fez várias lágrimas cairem, mas sei que Deus está no controle da situação e com certeza fará todos vcs terem força para enfrentar esta situação(como já estão tendo).
    Saiba que te amo muito e que estarei sempre aqui qdo precisar minha maninha(emprestada) bjsssssss

  4. Nossa, nem imaginava que ela estivesse se separando, pelo blog dela não deu pra perceber… Seu irmão perdeu um pouquinho né, já que seu pai vai morar longe… Mas antes duas pessoas felizes separadas, do que juntas tristes e emburradas, né? :)
    Tomara que você esteja bem feliz. ;***~
    Vem assistir um jogo daqui da Copa em João Pessoa, tu fica na minha casa!!! X)

  5. Resumindo a ópera: há mais de 3 anos eu percebi meus pais diferentes. Fui atrás e descobri que meu pai estava tendo um caso com uma criatura da minha idade. Só que ele dava muita bandeira e minha mãe, mesmo sem ter certeza, foi percebendo e murchando. Um ano depois, eu não aguentei mais ver aquilo e contei tudo o que sabia pra ela, pra que, assim, ela pudesse tomar uma atitude. Lá se foram dois anos em que ela não fez nada. Os dois não se falam dentro de casa e quando falam é pra brigar. Eu, como você, já passei por n fases antes de chegar na que estou hoje: à parte. Eu não tenho nada haver com a vida deles… eles que são brancos, que se entendm.

    Mas, mesmo que estejamos firme nessa decisão, algumas vezes é difícil se manter a parte de tudo quando eu olho pra ela e vejo ela triste pelos cantos… Você não tem noção de como ela envelheceu nesses últimos anos. Ela tem 65 anos… Todo mundo dava 45, 50… Hoje as pessoas acham que ela tem 70.

    Ruim. Difícil. Mas faz parte… E, como você disse, só nos resta tentar fazer diferente.

    Então, força na peruca!!!

    Beijo

  6. eu tbm sou assim, quanto mais coisa acontece e eu acho que tenho mil assuntos, a inspiração vai “simbora” não-sei-pra-onde.

    Foi bem sincero e muito bonito o que você falou. Assim, eu não pude cescer vendo meus pais juntos, pois meu pai morreu quando eu tinha 5 anos. Então sempre fui muito carente de um lado e muito paparicada de outro… mas aí virei adolescente, jovem… e vi que o que realmente eu achava lindo e sentia falta era de ver pais juntos se amando. Frequentava a casa das minhas amigas e via os pais delas sorrindo juntos, se beijando, saído para jantar sozinhos… e nutri uma admiração sem tamanho por isso. E decidi que eu queria ser assim quando crescesse e casasse. Queria ser um casal bonito e feliz.

    Essa imagem bonita de amor, carinho, vc tem. Eles amam vc e se são felizes assim, agora, que assim seja.

    se cuida, menininha.
    qualuer coisa estou por aqui, tá?! de verdade!!

    beijão

  7. olha eu aki !!! como vc pediu !! Coloquei minhas patinhas no seu blog :P Bem, eu pude ler seu post e varios outros que vc escreveu… Mas esse me pegou de surpresa. Eu não sabia do seus pais… Por isso fica dificil escrever algo nesse momento que possa cofortar vc. Me pegou de surpresa mesmo. Enfim, eu vou escrever um e-mail dakeeeele tamanhão pra vc !! Tah ?? Se puder me escreve, vc jah sabe onde me encontrar :)

    Gostou do nickname ?? hehe :P

    Adorei o seu espaço, o seu blog eh lindo :P igual ao seu coração.

    Fik c Deus e manda lembrança ao meu amigão, o Super Pig :)

    bjos

    Menino de 18 anos.

  8. Quem danado é esse *Menino de 18 anos* que vc sabe onde encontrar, hein?? Hein??? Hein???
    Vai desembuchando logo, logo!!!

    Ei, *Menino*, eu sou a mãe, tá? Prazer? Depois eu digo! hahahahahaaa
    Favor aparecer *lá em casa* e deixar um contato pra eu fiscalizar, ok?

    Rai ai…

  9. Amei você ter usado palavras do Nando Reis e o maravilhoso é poder viver depois da separação pra ver que o amor “desempedra” quando a gente consegue ver vida além da primeira escolha…e fazê-lo fluir para fora de nós. Amo sua mãe e apesar de não conhecer seu pai e sua família fiquei de longe torcendo pra todos recuperarem o fõlego rápido e fazerem a vida fluir…Lindas palavras, gostei de ler. Beijim

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