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o ateliê, ou crise de nostalgia recente

Ontem me peguei debruçada no murinho do 2º andar do CAC, olhando de cima o ateliê. Seis meses atrás era eu quem estava ali, lixando, polindo, ficando nervosa. E fazendo amigos.

Sim, o ateliê é o lugar perfeito pra fazer amigos. Enquanto as mãos se ocupam de seja lá qual for a peça que você tem que entregar terça que vem, a mente fica livre pra viajar por todos os lugares possíveis e imagináveis, e pra conversar com quem esta do lado na mesa, um pouquinho mais ou um pouquinho menos cheio das mesmas coisas pra fazer do que você. E é assim, contando o número de noites sem dormir e o tamanho do cansaço, e rindo da desgraça própria e da alheia que a gente vai se conhecendo.

Nem precisa dizer que morro de saudade. E nos últimos períodos que passei naquela bagunça de tintas, resinas, gesso e telas de serigrafia, já conseguia gostar do processo antes de ele ter acabado e eu estar finalmente de férias. Tão diferente de agora, dessa falta de ligação com tudo, desse jeito bagunçado (não no bom sentido) como os dias passam na federal.

Sim, minhas costas doíam. Meus dedos perdiam as impressões digitais. Minhas roupas ficavam imprestáveis. O nariz e a garganta viviam irritados com o cheiro de tinta. Eu não sabia o que era um almoço decente, porque não dava pra largar todas as coisas urgentes e sentar numa mesa e comer de garfo e faca. E tinha dias que eu não conseguia organizar uma frase completa e falar, de tão esgotado que meu cérebro ficava. Mas o cansaço e a falta de digitais e de sono, e as roupas manchadas, e o nariz irritado, e até alguma cicatriz de estilete eram sinal de que eu tinha feito muita coisa, e normalmente valia a pena. Ver a peça pronta, sem nenhum arranhão e nenhuma falhinha (os arranhões e as falhas e os machucados ficavam todos pra mim) era a coisa mais incrível do mundo. Acho que não sou nem um pouco feita pra esse mundo novo de coisas não-físicas que se forma cada vez mais rápido. Preciso pegar, sentir, ver a coisa se mexendo nas minhas mãos.

Hoje eu olho e meio que não sei como eu conseguia. E hoje a grande maioria das conversas de corredor que ainda dá pra ter com os colegas é lembrando das loucuras que a gente fazia no ateliê, e de como fomos, aos pouquinhos, virando amigos.

Ai ai. Saudade de quando eu funcionava em 220.

(soundtrack: Nouvelle Vague – Killing Moon)

meu melhor amigo é o meu amor

Tive uma noite de insônia, como há tempos nâo acontecia. Daquelas de não conseguir fazer nada produtivo, só zapear na internet (ou melhor, no viciante Google Reader). Daí botei pra tocar o cd dos Tribalistas, herança que ficou de Curupa. Claro, eu já conhecia umas músicas soltas, e já tinha escutado algum tempo antes, mas deu saudade das músicas fofinhas e das letras inteligentes, e de umas experimentações meio doidas que Arnaldo Antunes gosta de fazer.

Aí tocou Velha Infância. Que era tema de novela, da época em que eu assistia alguma novela gostando mesmo. Mulheres Apaixonadas, pra ser mais específica. Isso lá nos meus 14 anos. Mas não foi a novela que marcou a música em mim. No ensino médio, tive a melhor professora de literatura EVER. Ângela, meio gordinha (tá, os meninos diriam que ela era muito gostosa, isso sim), menos de 1,60m, um enorme amor pela literatura, e pela vida, e pelo amor. No primeiro ano, pelo que me lembro (e alguém me corrija se eu estiver errada), ela ainda era solteira, mas meio enrolada com um cara. Que de vez em quando ligava na hora da aula, e deixava seus olhos brilhando. Ela trabalhava demais, mas ainda conseguia se arrumar e ser estilosa. Ela era feliz, dava pra ver.

A gente estava estudando, como acontece em todo primeiro ano, os estilos literários de cada época. O da vez era o Trovadorismo, hit da Idade Média. E os módulos de literatura da gente tinham análises chatíssimas de métrica, estilo e semântica das tais “cantigas de amigo”, e eu, apesar de adorar literatura, fosse ela qual fosse, não era muito fã de poesia, sempre preferi a prosa mil vezes. E acharia tudo aquilo um saco, se não fosse Ângela. Pois bem, um belo dia ela trouxe o clássico microsystem do colégio e um cd, que não sei se era dos Tribalistas ou da novela, mas que tinha Velha Infância. E foi genial quando ela mostrou que aquilo ali era uma cantiga de amigo musicada.

Futucando fundo na memória, porque tô com preguiça de ir no google ou no wiki, as cantigas de amigo eram escritas pelos trovadores pra suas amadas, numa época em que não se permitia falar abertamente de amor, porque, segundo a Igreja, amor era pecado. Ou algo assim. Mas eles diziam com uma ternura imensa coisas como “eu gosto de você, e gosto de ficar com você, meu riso é tão feliz contigo”, e as moças entendiam, e o mundo continuava girando apesar da Santa Inquisição e da Peste Negra.

Eu achei aquilo tudo tão doce que passei até a gostar um tiquinho de poesia (tudo ficou mais fácil depois que chegaram Manuel Bandeira e Drummond, é claro) e comecei a escrever coisas de amor pra aquele que era meu amor na época, embora não merecesse um trisco do que eu sentia. E fiz disso um hábito, escrever coisas pra garotos que cheguei a amar – e algumas viraram cartas, ou e-mails, ou posts, mas a maioria ficou guardada na gaveta -, até o dia em que um deles tornou tudo infinitamente mais fácil, sem me dar tempo sequer pra pensar em escrever alguma coisa.

Mas ontem me deu saudade. De Ângela, do primeiro ano, de mim mesma, como eu era, de como tudo era intenso e novo. De sentir de novo aquele tipo de amor que só acontece quando se tem 14 anos. Que inunda tudo, que está em todo lugar, que a única coisa que dá pra fazer com ele é sentir, sentir, sentir e esperar que passe. Sim, porque amor de 14 anos é sempre torto e não-correspondido. Mas ainda assim é amor.

E lá vou eu divagando de novo. É, acontece quando você só dorme uma hora e passa o resto do tempo lendo blogs de mulherzinha.

(soundtrack: Tribalistas – Velha Infância)

no ônibus

Dizem que andar de ônibus é um inferno. Que ninguém merece os molequinhos pidões “eu pudia tá matano, eu pudia tá robano”, ou a vibe Kolene do lugar, ou a simples visão de gente feia. Eu confesso que penso assim em boa parte do tempo. Mas um dia desses, no ônibus, aconteceu uma coisa, dessas bobas que deixam a gente feliz o resto do dia.

Estava eu indo pro centro da cidade, sentadinha na última cadeira, na janela, escutando o melhor de The Cardigans e pensando em nada específico. Uma situação bem favorável e atípica no cotidiano dos ônibus, obviamente. Fazia sol, mas não estava absurdamente quente (eu estava na janela, duh!). Aí, pra me tirar do transe e atrapalhar meu good day sunshine, alguém joga uns 5 panfletos de propaganda pela janela em cima de mim.

(eu tenho ódio mortal por essa prática de distribuir panfletos. Se fosse dinheiro jogado no lixo ainda era bom. Mas é dinheiro jogado no meio da rua, que deixa a cidade feia, suja e melequenta em dias de chuva. Mas voltando à história do ônibus)

Estava eu lá, maldizendo o dia em que inventaram o panfleto, e pensando “o que é que eu faço com todo esse lixo”, quando uma menininha de uns 2 anos, que estava snetada do lado com a avó, estende a mão e rouba um dos panfletos do meu colo. “Perfeito”, pensei eu, e quando estava já pra concluir a idéia de dar todos os panfletos pra a menininha, que além de tudo ia ficar feliz e entretida brincando com eles enquanto a avó resolvia coisas de vó na cidade, lembrei de quando eu guardava panfletos de rua pra fazer coraçõeszinhos de origami. Faz uns 2 anos isso, eu aprendi a fazer os tais coraçõezinhos e morria de pena de jogar os panfletos fora. Tinha uma caixa cheia, que hoje não faço a menor idéia de onde esteja. A maniazinha passou, eu fiquei mais ranzinza, e hoje simplesmente jogo no lixo mais próximo, ou dentro da bolsa (que dependendo do nível de bagunça, pode ser comparada tranquilamente a um lixo mais próximo).

Enfim, eu olhei a menininha, olhei aquele monte de papel, e comecei, num rompante de ternura, a fazer um coraçãozinho de origami. A coisa mais fofa do mundo era a expressão de surpresa da menininha, perplexa de ver como eu tinha feito aquilo. Dei o coraçãozinho pra ela, a avó disse “agradece, Fulaninha!”, ela riu, mas não disse nada, como é de praxe pra crianças que querem envergonhar mães/avós/tias/madrinhas, e eu senti aquela alegria boba de ter feito feliz alguém completamente desconhecido.

Sobraram uns 3 panfletos inúteis na minha bolsa ainda, porque chegou minha vez de descer do ônibus. Mas àquela altura, eu não dava a mínima, e seria capaz até de continuar fazendo origamis se já não estivesse tão perto de tudo que tinha que resolver na rua feito gente grande.

(soundtrack: Arnaldo Antunes – Para Lá)

line e cá

Ok, já fazem três dias, mas só agora consegui processar o domingo no shopping fazendo programa de mulherzinha com Carol. Foram deliciosas as três horas falando sem parar – sem parar mesmo – de sapatos, lencinhos, casamentos, vestidos, ternos com-gravata ou sem-gravata  (porque nós duas temos namorados que ficam incríveis de terno), tequila, drinks de mulherzinha com tequila, música, chocolate, receitas, filmes de mulherzinha, livros de mulherzinha, café em suas mais variadas formas, viagens e todo e qualquer assunto que pudesse surgir dentro dos parênteses, chaves e colchetes da nossa conversa, como ela mesmo definiu.

Mas a saudade aumentou absurdamente depois que eu cheguei em casa e fui arrumar a bolsa, cheia de bagunça daquela tarde.  E sim, eu preciso dela. Pra virar noites assistindo Sex and the City, pra discutir estampas, pra andar em ritmo de mulherzinha nos corredores do shopping, pra perder tardes com os livros-objetos-de-desejo da Cultura, pra dividir habilidades manuais de caderninhos a origamis, pra tomar drinques cheios de frescuras (sou super curiosa pra ver como Carol fica depois de umas chicaritas), e dançar, e rir. E experimentar todos os cafés possíveis e imagináveis. Todas essas coisas que a gente sonha pra um fim-de-semana perfeito, mas poderiam durar o resto da vida.

e parece que a garçonete do café tem habilidades motoras super parecidas com as nossas, pra a foto ter saído com um foco desses…

(soundtrack: Amy Winehouse – Valerie)

perto demais.

Daí eu inventei de assistir Closer, num dia em que dava pra matar alguém só com aquele olhar fulminante de “a culpa é sua”.

O filme é um dos meus favoritos, justamente porque me traz de volta à realidade de que todo mundo adora uma boa mentira, como Alice diz em determinado momento. Ninguém suporta a verdade o tempo todo, ainda mais em seu modo mais cruel e cortante. Closer, que poderia muito bem ser uma história de amor bobinha sobre dois casais que vivem se trocando mas no final se entendem, abstrai as cenas gratuitas, o cotidiano açucarado que todo mundo gosta de ver, e mostra só aqueles momentos em que as coisas mudam e doem. Quando as pessoas falam a verdade. Quando as traições são confessadas sem pedidos de desculpas, quando a dor mais guardada lá no fundo vem à tona. Quando um dos dois vai embora.

E a gente torce tanto pra eles darem certo. Não importa quem com quem, porque em determinado momento, todos amam, todos são o sexo frágil, todos precisam do outro, do que está indo embora. E é aí que se vê que nada no mundo é absoluto, nem o amor que a gente pensa e quer que seja pra sempre. Eu fiquei imaginando o que seria do desfecho do filme se ninguém dissesse a verdade, se Dan, Alice, Anna e Larry agissem como pessoas normais e simplesmente mentissem, pra o bem da relação. Mas aí tem aquele momento em que você não aguenta mais, que mentir pra agradar o outro é anular a si próprio, que não dá mais pra se importar com sentimentos alheios, que isso sufoca demais.

Closer começa com amor à primeira vista, termina com… não, eu não vou dizer como termina. Nem sei direito na verdade. Só não termina em beijo. Começa e termina com a mesma música. Incomoda. Deixa um nó na garganta, uma vontade de chorar, um medo estranho de dizer a verdade, mas ao mesmo tempo a vontade de jogar em cima do outro toda a culpa de tudo, todas as mínimas coisinhas que, a seu ver, ele fez pra que seu amor acabasse. A verdade, enfim. Ou de se encolher dentro do outro e esperar que fique tudo bem.

Dan: And you left him, just like that?
Alice: It’s the only way to leave. “I don’t love you anymore. Goodbye.”
Dan: Supposing you do still love them?
Alice: You don’t leave.

(soundtrack: Damien Rice – The Blower’s Daughter)

obviously, you’ve never been a 13 year-old girl.

Minha primeira memória de As Virgens Suicidas é de muito tempo atrás. Passava o tempo todo na HBO, e o engraçado é que eu sempre via na grade de programação, mas nunca via passar. Eu achava o título bizarro, e que era um filme de terror ou algo assim. Eu era criança.

Aí, em 2007, quando Maria Antonieta era A-Estréia-do-Ano, e só se falava em Sofia Copolla, todas as resenhas e críticas que eu lia faziam alguma referência às virgens suicidas, não só porque a estrela era a mesma (Kirsten Dunst, linda!), mas por causa do tema recorrente nos filmes de Sofia, que é o sentimento de solidão das pessoas incompreendidas pelo resto do mundo – coisa que super pode virar clichê nas mãos de qualquer um, mas não sob o olhar sensível de Sofia. Fiquei morrendo de vontade e curiosidade de assistir As Virgens Suicidas, até porque diziam que era incrível, mas as locadoras não tinham, e a febre de Sofia Copolla passou quando o mundo descobriu que Maria Antonieta não era tão bom assim. Eu achei visualmente lindo e exuberante, e a trilha sonora é fantástica (é incrível o timing perfeito de Sofia,pra fazer as músicas dizerem mais do que a gente é acostumado a escutar), apesar de o filme ficar chato do meio pro fim, e todo mundo saber como termina.

Aí, numa madrugada dessas de esquecer a televisão ligada, eu acordei bem antes da hora, e estava passando na globo (é incrível como eles só passam os filmes bons de madrugada, eu realmente não sei qual é a estratégia desse povo), e tive que assistir, meio dormindo meio acordada, e sem as lentes de contato, uns 15 minutos pra descobrir que filme era. Pela hora, dava pra saber que já estava do meio pro fim. E eu sou totalmente contra estragar um filme assistindo o fim antes do começo – odeio pegar filme pelo meio – , mas fiquei hipnotizada com o climinha triste e o resto da história que estava sendo contada. Corri pra baixar na internet, e demorou. Muito. Não é que nem baixar, sei lá, Batman, que todo mundo tem ou vai ter, e é figurinha fácil em qualquer torrent. As Virgens Suicidas é de 99, e acho que mesmo na época não chegou nem perto de ser um blockbuster. Anyway, o filme demorou tanto pra baixar que eu me esqueci dele. Acabou indo parar em alguma pasta obscura que não olho nunca. Encontrei ontem, numa daquelas operações arruma-espaço-no-pc.

É lindo. Dá pra ver que foi bem experimental (o primeiro filme de Sofia), apesar de extremamente bem feito. Adoro filmes com narrador e explicações paralelas, e esse tem. E senti, com a trilha sonora – belíssima -, a mesma coisa de Maria Antonieta. sem falar que as músicas são rocks e baladinhas deliciosas dos anos 70, que é quando se passa a história. E é clarinho, stonewashed, calmo, que nem a moda hippie daquele tempo. E leve, tão leve, ao contrário do tema que aborda. As Virgens Suicidas, ao contrário do que eu pensava quando era pequena, é um filme delicado, feminino, inteligente e cheio de sentimento. E triste, muito. Me arrependi de ter demorado tanto a descobrir, mas vai ver foi no tempo certo, que com 13 anos eu não ia entender mesmo (e quem já assistiu acabou de perceber a ironia, né? Cecilia com o psiquiatra, no comecinho do filme). Adoro quando um filme consegue me emocionar, coisa meio difícil ultimamente. ok, teve Batman, que é O-Filme-Do-Ano até agora, mas Batman é outro nível. Falo desses filmes melancólicos e cheios de significados, que deixam uma sensação de “sei lá” no final. Com reticências. E agora vocês me dão licença que vou atrás da trilha sonora.

E pra quem ficou curioso, dá uma olhadinha no trailer =)

(soundtrack: Heart – Magic Man)

1. não sei qual é a desse povo que começa a namorar e em duas semanas tá falando “eu te amo” a torto e a direito, e dizendo que Fulano-De-Tal é o amor da minha vida, e que não me imagino sem você, e outras chicletices do gênero. E o pior: quem faz isso é mulher. E o pior: no orkut. E o piooooor de tudo não é que dali a um mês, quando o amor-da-minha-vida dá um pé na bunda, a cidadã fica super com cara de tacho no orkut, e se fazendo de desencanada. A burrice-mor é continuar se fazendo de namorada, demorar pra trocar o status de relacionamento e ainda deixar o scrapbook do cara cheio de recadinhos fowfos e chicletes você-ainda-é-meu-mesmo-que-não-saiba. Sério mesmo, é deprimente. É pra levar um chute? Leve com um mínimo de honra, né. Por isso que já tô me enchendo com o orkut. E não, esse parágrafo não tem nada a ver comigo.

2. Acompanhar as Olimpíadas é frustrante. Sei lá, num passado muito distante, lá nos meus 10 anos de idade, eu pensava que o Brasil era o país que ganhava todas as medalhas, e ficava vidrada num simples jogo de vôlei contra, sei lá, a Eslovênia. Aí agora vejo Galvão ficando super feliz quando as seleções da gente têm a sorte de ficar em oitavo numa final de natação. Sei lá, deve ser porque nunca me contentei com pouco, ou mais ou menos, ou quase, pra tudo na vida. Ou então não é assistir as Olimpíadas que é frustrante. É crescer e entender as coisas como elas são de verdade que é.

3. não sei se alguém aqui notou, mas eu ando meio cortante ultimamente, nos meus textos. Precisavam me ver digitando os posts, é quase um acesso de raiva. Não sei exatamente o motivo disso. Tenho alguns palpites, que vão de TPM crônica a stress de começo de período, o que é um mau sinal, porque o começo do período é a parte menos stressante dele, e tudo só tende a piorar. Ou foi a mudança brusca férias>>aulas, que eu sempre tirei de letra, mas agora me incomoda profundamente. E junte-se a isso o fato da eminência de um fim-de-semana inteiro sem namorado perto, e o sofrimento por antecipação de saber que quando ele voltar, já vai ser segunda-feira, e um mau-humor geral se abate sobre toda a face da Terra nas segundas-feiras, logo a semana já vai estar sendo um saco.

4. E quero que alguém me explique o motivo de eu não achar tempo pra nada, mesmo tendo todas as noites e mais 8 horas livres em horário comercial toda semana. Acho que preciso arrumar um curso desses bem hardcore, que tome meu tempo inteiro e dê muito trabalho, quem sabe assim eu ganho umas poucas horinhas de qualidade, né?

5. Não encontro Cá de jeito nenhum, e tô precisando urgente de uma BFF pra me dar colinho e ouvir meus impropérios, que não seriam jogados desse jeito no blog se ela estivesse aqui. E deixar passar aos poucos essa vontade que não é só de chorar, é de chorar violentamente. Tipo, o que está acontecendo comigo não é chuva. É tempestade de raios e trovões enormes e barulhentos. E essa nem Chico dizendo “não se afobe não” consegue aplacar. Pronto, falei.

Preciso de um saco de pancadas. E de umas caipiroskas. E daquele abraço que me entende, quando eu me balanço compulsivamente antes de chorar até dormir. Preciso dormir.

(soundtrack: Chico Buarque – Futuros Amantes)

carta aberta

Não sinto vontade de nada agora. E não era assim que eu deveria me sentir, quando tem tanta coisa começando, tanta coisa que parece que vai ser boa. Mas algo estava errado hoje. Com você. Com o jeito como você colocou rápido o cinto de segurança, com o beijo que foi um dos mais cheios de sentimento que você já me deu (pelo menos eu senti assim), mas estava estranho. Com o jeito como você estava alheio imediatamente antes. Com o jeito como você quase disse alguma coisa, mas desistiu. Odeio quando você faz isso.

E de repente me deu um medo horrível, e uma tristeza imensa, e uma vontade de chorar. Eu esperei o telefone tocar, e você me dizer qualquer coisa fofa. Não tocou, você não disse, e eu só fiz me encolher debaixo do cobertor, com a barra de chocolate que você deixou aqui da última vez, e torcer pra isso passar. Não passou ainda, e agora só estou torcendo pra chegar amanhã, e eu ver você, certo e seguro e meu amor, e tudo estar exatamente como deve ser.

(soundtrack: Robbie Williams – Better Man)

look at all the lonely people

A gente tem que prestar mais atenção ao que acontece com as pessoas que estão por perto (e as que nem estão tão perto assim). Tem tanta gente passando por coisa que a gente nem imagina… Porque parece estar tudo bem, porque tá calmo na superfície. Mas ninguém devia ter que enfrentar os próprios fantasmas completamente sozinho. Chega uma hora que as forças acabam, a vontade de continuar vivendo acaba, e a gente precisa de alguém pra nos puxar de volta pra a vida, ou pelo menos tentar. Pelo menos saber.

Aí quando acontece o pior, quando alguém tenta parar de viver e consegue, não dá pra entender. Porque ninguém prestou atenção. eu não prestei.
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De alguma maneira ela estava pedindo ajuda, não é possível.

Eu vou sentir falta. Sim, soa hipócrita ouvir alguém que não fala com uma pessoa há meses dizer que vai sentir falta, mas é diferente a falta de “até as próximas férias” da falta de “mais nunca”. E vou lembrar dela feliz e espevitada, como sempre foi, desde a primeira vez. Ela não hesitava em dizer “te amo”. Ela abraçava. Ela ajudava. Ela cantava e dançava. Ela falava alto. Ela dizia o que ninguém mais tinha coragem. Ela tinha que ter tido coragem pra continuar, pra passar por cima do que quer que estivesse acontecendo, como sempre teve pra tudo na vida. Ela parecia tão feliz, tão normal.

Hoje ela me fez esquecer de coisas pequenas, tipo minhas unhas e o fim do período e as horas que eu não tenho, e pelo menos por um dia parei pra pensar no que realmente importa. E eu quero a vida, por mais assustadora que pareça, por mais difícil que seja continuar. E não vou enfrentar meus fantasmas sozinha.

(soundtrack: Beatles, – Eleanor Rigby)

CDU – Várzea

Aquele dia no ônibus foi muito estranho, e alguns minutos depois eu senti que foi decisivo pra o que estava acontecendo. Eu não falava com ela há mais de um mês. Estávamos nos ignorando mutuamente com a maior classe do mundo, como duas pessoas que simplesmente não se conhecem. Um belo dia aconteceu de ela sentar do meu lado no ônibus, indo da federal pra a cidade. Eram poucos lugares vazios. Tudo bem. Ia ser uma meia hora longa, eu pensei.

Ela disse oi. E a gente começou a conversar amenidades, e coisas que aconteceram naquele meio tempo, do tipo “consegui um estágio”, “tô procurando apartamento pra morar aqui perto”, “meu iPod quebrou”, “comecei a namorar”, “coloquei 5 cadeiras esse período”. Não tínhamos nenhuma disciplina em comum naquele período.

A gente tinha começado uma amizade que tinha tudo pra dar certo, menos os temperamentos. Um belo dia, brigamos feio (e é por isso que eu super desaconselho qualquer pessoa de fazer trabalho de faculdade com amigo). E eu não ia pedir desculpas. Nem ela. A amizade e todas as coisas em comum acabaram, desceram pela descarga mesmo. Eu viajei de férias, fiquei 3 semanas totalmente desligada de tudo o que dizia respeito à faculdade, inclusive esse pequeno problema. Quando voltei, não senti a menor vontade de “voltar” com ela. Ainda estava morrendo de raiva. E achei outros amigos. E continuei vivendo, muito bem, obrigada.

Mas naquele dia no ônibus, conversando com ela tão naturalmente, senti sim um pouquinho de saudade. Porque foi divertido o tempo que durou. Aí chegou a hora de ela descer, eu ainda ia ficar no ônibus. Nenhuma das duas tocou no assunto que nos fez brigar feio. Nenhuma das duas pediu desculpas. Eu não desci antes do que pretendia, só pra continuar a conversa. Não importava tanto.

Depois dessa meia hora de trégua no ônibus, voltamos a não nos falar com toda a classe do mundo. Pra o resto da vida, provavelmente.

(soundtrack: Wilco – Via Chicago)

off the record: estou tão sentimental e ultimamente. E lembrando de coisas passadas com uma facilidade enorme.

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