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ensaio sobre os nerds

Nerds são interessantes. Fazem parte da rara espécie de pessoas com quem se pode conversar sobre qualquer assunto (qualquer assunto mesmo, porque eles não deixam o papo morrer nem quando você começa a falar de moda ou de um seriado-de-mulherzinha) por horas a fio. Fora eles, só BFFs. Nerds levam embora a noção do tempo, e do tanto de coisas que tem pra fazer enquanto se conversa com eles.

Nerds captam qualquer referência obscura que você queira inserir na conversa, e são capazes de rir, por exemplo, de uma piada idiota sobre a Câmara dos Comuns do parlamento inglês. E entendem quando você não encontra a tradução pra aquela palavra em outra língua, e acaba falando em inglês, ou em alemão, whatever. Nerds, do nada, só pra te irritar, começam a falar nerdês, C++ês, ou a recitar, como se fosse a Bíblia, a fórmula de um logaritmo algoritmo. E querem que você prove suas teorias mirabolantes sob tal tal e tal parâmetros. E aí dá vontade de dar um beijão de cala-a-boca torcer o pescoço deles.

Nerds são fáceis em termos de dar presente. É só descobrir o filme que ele adora, mas só conseguiu assistir baixado da internet, numa resolução muito mais-ou-menos, ou o livro que ele ainda não leu. Ou na dúvida, dar um pendrive. Não tem erro. Mas o melhor de tudo é ganhar presente deles. Porque um nerd autêntico vai fazer de tudo pra descobrir, como se fosse o resultado daquela equação impossível, o que você gosta, e seu presente vai ser, além de tudo, uma sacada genial.

Nerds não vão te chamar pra sair, ou te dar uma cantada. Pelo menos não do jeito que caras normais fazem. Porque ganhar uma garota envolve todo um jogo de probabilidades e variáveis, e um nerd vai querer ter todas elas garantidas, então você tem que se mexer, pelo menos dar um sinalzinho de que as contas dele estão certas. Ok, com umas doses de Sagatiba muita sorte, talvez ele tome uma atitude.

Nerds super fazem meu tipo, isso não é segredo pra ninguém. Têm uma certa insegurança que faz deles caras muito fofos. E são educados e tímidos e têm uma vontade enorme de acertar. De provar pra si mesmos que estão certos, eu acho. Alguns só funcionam à distância, e, seja você perdidamente apaixonada por um deles ou não, nerds são sempre bons amigos. Nerds são naturalmente predispostos a serem creeps, e é triste, muito triste ver um com o coração partido. Nerds amam, e não é pouco. E costumam se apaixonar pelo que não entendem, e é assim que meninas más transformam nerds puros e doces em cold heartbreaekrs.

Por sorte o meu ainda é puro e doce. E irresistivelmente, apaixonantemente nerd, em todos os sentidos. Sei lá, tem alguma coisa naqueles óculos…

(soundtrack: Mallu Magalhães – Get to Danmark)

[/sentimental]

Eu vou sentir falta dele. Na verdade era isso que eu queria dizer, quando falei que a pessoa da mesa do lado vai sentir falta das nossas conversas barulhentas e do meu riso incontrolável, que é sempre culpa dele.

Foi ele a primeira pessoa que puxou assunto sem-ser-de-trabalho comigo. E que tentou me mostrar o que é música boa (opiniões controversas a esse respeito, mas tudo bem). Ele é o cara mais underground que eu conheço, e não sei como consegue acumular tanto conhecimento em, sei lá, um metro e sessenta de altura. Ele leu os livros que eu sempre quis ler. Ele conhece mais de Chico Buarque do que eu (!!!). Ele já atingiu outro nível de maturidade, e conhece muita coisa de muita coisa. E ainda assim discute comigo como se ganhar a discussão valesse a vida. Ele é o tipo de pessoa que você leva anos conhecendo, aos poucos. Eu só tive seis meses. E queria ter aproveitado melhor.

Ele vai embora, e eu vou sentir falta. Pronto, falei. E ele diz que eu sou má, cruel, fria e sem coração, mas de vez em quando tenho sentimentos (viu?). E vou sentir falta. E vai demorar pra ocuparem a mesa em frente à minha com alguém à altura, apesar de ele dizer que eu sou muito fácil pra rir, que dou risada de qualquer besteira. Mas mesmo a 4718496532 quilômetros de distância, a gente sempre tem o skype. Não dá mais pra levantar e verificar a intensidade do riso provocado, ou tentar ganhar uma discussão apelando pro olho-no-olho. Mas sempre tem o skype.

Não vou desejar sucesso, que ele já deve estar de saco cheio disso. Quero, sim, que ele se divirta bem muito na Microsoft, e não deixe eles lá saberem que ele vai comprar um Macbook com o salário que receber de tio Bill. E que continue sendo o cara mais underground que eu conheço.
;;
[Pelo visto eu tenho sorte com bons amigos à distância...]
..
(soundtrack: Chico Buarque e Miúcha – Maninha)

01090609610

Aí eu faço um post superbonitinho de aniversário, e logo depois largo o blog às traças. E fico me sentindo horrível por isso. E quando resolvo postar, não é nem porque a inspiração veio e vou escrever coisas geniais, engraçadas ou irresistivelmente emocionantes. Foi só o pingo de vergonha na cara que mandou dizer que existe (ainda). Tanto que vou colocar aqui uma coisa completamente inútil.

Pois então. Este site pertence a uma criatura (ou a várias criaturas) aficcionadas por código de barras. Tem camisetas, canecas, pop art, tudo o que é pensável de fazer com as talis linhazinhas. Inclusive um barcode-calculator-tabajara, que eu usei, porque adoro essas besteiras. E como sou muito competente e esperta, só não consegui descobrir quanto tô valendo no mercado ultimamente… então, se alguém por acaso tiver um leitor ótico ou paciência ou curiosidade pra tentar me pagar no banco, me avisa quanto é, ok?

Photobucket


(soundtrack: Feist – Gatekeeper)

Pequenos nis totalmente desconexos # 67105498

Quando muita coisa acontece e eu não consigo organizar tudo num texto só, o resultado é o seguinte:

Terminei de ler A Menina que Roubava Livros. Esse é um daqueles livros que a gente fica guardando, lendo aos pouquinhos, pra não acabar logo. Demorei uma semana pra tomar coragem e ler as últimas 20 páginas. É lindo, triste e cheio de poesia. E acho que vai demorar pra eu ter nas mãos um romance que chegue no nível desse.

Assisti Juno essa semana. E a única coisa que consegue descrever o filme direito é isso: ^^. Muito fofo. A trilha sonora é uma delícia (já disse que adoro Belle and Sebastian, né? Pronto, é toda mais ou menos nesse estilo), e miacabei com o uniforme de corrida de Bleeker, e o vocabulário de Juno, e o humor inteligente, e o jeito como Namorado ficava carinhoso, assim do nada. Foi o primeiro filme-de-mulherzinha que a gente viu junto, e não contem pra ninguém, mas tenho certeza que ele gostou.

Começaram as aulas. Mais precisamente 2 horas de aula em uma semana. É, duas, não 20. Porque esse pessoal que faz design é tãaaaao relax que ninguém se dá ao trabalho de aparecer pra assistir (ou dar) aula na primeira semana. Só esta que vos fala. E sei que não é normal reclamar de não ter aula – e pra mim foi até bom, porque eu tinha outras coisas pra fazer nos horários – mas realmente não gostei. Me senti profundamente enganada, porque escolhi disciplinas tãaao legais e estava louca pra começar. Aliás, pensando bem, estou ainda, né, já que não começou…

Descobri um blog. Da mesma dona do Para Francisco. Ela é mignon, cheia de tatuagens e entende muito de moda. E todos os dias tira fotos da roupa com que vai pro trabalho (aliás, o trabalho dela é super legal também, pra ela poder vestir essas roupas cool) e publica no Hoje Vou Assim. E eu super quis fazer a mesma coisa, mas adivinha só, eu não tenho tanta roupa assim pra fazer o blog ser interessante, e em mais ou menos um mês ou dois, a coisa ia perder a graça. Um dia, quando eu ganhar bem muito dinheiro e for uma mega dizáine de sucesso, mato a vontade.

E por último, ganhei um selo da Intense:

É o primeiro que este humilde blog recebe, e sinceramente, não sei se sou muito dessas coisas, e por isso não vou passar pra frente, porque não tenho tantos contatos assim. Mentira, porque tenho muitos amigos blogueiros legais e não quero excluir nenhum deles. Mentira, é porque estou com preguiça de linkar. Mas gostei, viu Intense? Brigada =D
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(soundtrack: Cat Power – Sea of Love (da trilha de Juno))

gentileza

Daí que Namorado, além de ser lindo, lord e muito fofo, é irresistivelmente nerd. E um belo dia, veio me dizer que pegou o código-fonte do meu blog e centralizou a imagem do topo, que estava torta, desse jeito:

(clique para ampliar)

Era algo que me incomodava profundamente desde sempre, mas eu não tinha idéia de como fazer pra ajeitar. E é claro, ele só não me fez uma surpresa completa porque precisava do login e da senha do blogspot pra alterar de verdade. E eu aposto que ele conseguiria pegar sem permissão, afinal todo nerd é meio hacker, e meus dados são salvos no pc do trabalho, mas não. Veio todo fofo dizer só que tinha conseguido.

..

E agora, senhoras e senhores, o layout do blog tá bonitinho e centralizado, e perfeito ^^, desse jeito que vocês estão vendo agora, êeeeee. Ok, pode parecer que não foi nada. Bom, pra mim foi.

……

Digam se não é pra ser perdidamente apaixonada por um cara desses…

(soundtrack: Rita Lee – If I Feel)

inutilidade particular

Ninguém mandou eu fazer não (ultimamente ninguem manda memes pra mim, por que será hein?), só fiquei com vontade, e tá aí.

(clique para aumentar)


Meu desktop, que tem:

os Beatles na fase do terninho – adooooro a fase do terninho!
um monte de setups de programas que tomaticamente vão pra a área de trabalho ao serem baixados.

um monte de ícones que nunca uso (porque todos estão na barrinha de baixo, láaa no cantinho ou no menu, que redundância).
o episódio 13 de Gossip Girl, que não assisti ainda.
o Paint aberto. Não o Photoshop, não o Illustrator, não o Corel, não o 3DMax, não o Flash, nenhum desses programas de gente grande, e que todo dizáine tem obrigação de saber mexer. O Paint. Que ainda é o melhor programa de todos quando tudo que a gente quer fazer é dar um print screen no desktop pra botar no blog por causa de um meme que não foi mandado fazer. No horário de trabalho. Rá.

Pronto, me analisem.

(soundtrack: George Harrison – Behind That Locked Door)

off the record: George virou meu Beatle favorito. O cara compôs algumas das minhas músicas favoritas não só dos Fab Four, mas do mundo todo. Tocava 23 instrumentos. Engavetou um monte de composições porque Paul, que era o dooooono da banda, provavelmente tinha medo do talento dele, e só deixava George ter 2 músicas dele em cada disco dos Beatles. E quando o sonho acabou, lançou um álbum triplo. Triplo. Yeah baby. Com músicas tão gostosas e fofas e bem arranjadas e geniais que não consigo parar de escutar. Levou uma beeeela furada de olho de Eric Clapton (que pegou Patti, mulher de George) e mesmo assim conseguiu conservar a amizade com ele. Um lord. Fora que era o mais relax dos quatro, e o mais gato também – o único pegável, eu diria, porque os garotos de Liverpool não eram exatamente lindos. É ele no canto esquerdo da foto do desktop ^^.

upgrade

Botei umas besteirinhas-de-blog no blog. Estava inspirada e com vontade de mudar, mas não demais, porque ele nunca esteve tanto do meu jeito, no geral. Mas foram coisas sutis, então, pra quem não costuma perceber mudanças pequenas, vamos por partes:

1. dá pra ver quantas pessoas tem online bisbilhotando meu nis, né legal? Um dia, quando o blog estiver bombaaaando com, tipo, 281 usuários online, eu coloco um anúncio do Google.
2. fiz um coisinho-de-fotos bem parecido com o flickr que eu tinha num passado distante, com fotos que têm um valor sentimental enorme pra mim (ainda falta uma com Namorado, que eu sei que tá deixando muita gente curiosa por aqui, mas ele ainda não me mandou as fotos da gente junto – mãaaaaaaae, eu quero uma câmera!), e fico besta de vez em quando olhando. Eu sou muito besta.
3. mudei discretamente os arquivos, e agora dá pra ir direto pra qualquer postagem (é só clicar na setinha antes de cada ano/mês que os títulos aparecem) sem ter que passear pelo blog todo até encontrar.
4. inventei uma nova seção, a última, láaaa em baixo: coisa de nerd. São umas besteiras de internet, tipo o playerzinho da last.fm (music all the time around here), a Teoria Pedestáltica, tão citada por aqui, o Letroca, joguinho de formar palavras completamente viciante e um site onde você pode criar seu próprio baralho com qualquer imagem que quiser, e de vez em quando tem concursos que elegem o melhor. E linkei porque é legal. E nerd.

E tudo isso pra você, ilustre visitante, ficar aqui bem muito tempo, ler bem muito, achar o blog o máaaaximo, me linkar, fazer propaganda, até o dia em que tanta gente vai estar lendo que eu vou pensar “ei, dá pra ganhar dinheiro com isso!”. Aí pego os melhores posts, transformo em livro, viajo o mundo todo pra divulgar e digo que eu não seria nada sem meus ilustres visitantes. E quem acompanha desde os primórdios vai comentar com os amigos e dizer com o maior orgulho que conhece o blog desde que era só um blog, e que até já falou comigo no msn.

Mentira, é só porque amo esse lugar. Mais do que nunca.

(soundtrack: Beatles – She Said She Said)

update 13/12 01:13 a.m.
Namorado já tem foto no coisinho aí do lado. =D

orelha.

Gosto de livros com orelhas. Com elas, dá pra ter noção da altura da história em que se está. E dependendo do livro, fico me sentindo meio melancólica por estar mais perto do fim do que do começo, ou mais entusiasmada para descobrir o final, pelo simples fato de usar a orelha direita em vez da esquerda pra marcar a página.

Alguns livros sem orelhas são tão bons, e eu leio tão sem sentir, tão fácil, que acabam sem aviso. Me deixam um vazio, uma vontade de que a história tivesse continuado, porque não senti que chegou realmente ao fim. Tinha mais coisa. As orelhas evitam isso, além de serem bastante úteis antes de começar a ler. Gosto das que têm trechos da história, mais do que daquelas com biografia do autor. E não suporto orelhas que têm escritos outros títulos da mesma editora. Pra isso existe a boa e velha segunda, ou terceira ou quarta página. Porque também não suporto que coloquem na última.

A última página de um livro é sagrada. É a última coisa vista, é o que fica, no fim das contas. E, é claro, as orelhas um pouquinho amassadas.

E por quê isso agora? Bom, acabei de passar pra a orelha direita.

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e mais tarde tem o post oficial pós-leitura dele, que é delicioso.

(soundtrack: trilha instrumental de Amélie Poulin)

pra dias sem inspiração (3)

Já faz um tempinho que descobri que listinhas são ótimas pra driblar o branco quando preciso seriamente tirar as teias de aranha, já que fata de inspiração não é desculpa plausível pra qualquer um que queira ser designer quando crescer. Entãaaao, aplico aqui o que aprendi com a experiência em um milhão de projetos: a metodologia da listinha. Não importa de que assunto, ou que tamanho, ou que teor, ela sempre ajuda minha cabecinha pipocante de DDA. E a da vez é simplesmente o que eu fiz nos últimos quinze (desesseis, desessete, dezoito) dias, porque coisas acontecem e precisam ser lembradas mais tarde:

Li um livro de Tolkien, e virei fã. E fui chamada de hobbit na dedicatória. Porque eu sou bobinha e não sei botar moral. E realmente, devo ter o tamanho de um hobbit… crap.
Comprei discos de vinil no pátio da Igreja do Carmo (depois de uma longa peregrinação desde a Av. Guararapes até encontrar o tal carinha que vendia vinil) e fiz um relógio com um deles. Não importa se ainda não foi pendurado, ou se nunca mostra a hora certa, o fato é que tá aqui, com numerozinhos e tudo. E me senti criativa, cult e retrô, especialmente porque um dos discos foi a trilha de Grease ^^
Falando nisso, assisti Grease!! E todos os teen movies feitos desde então devem algo a esse. E John Travolta estava uma coisa com aquele jeitinho de bad boy, jaqueta de couro, costeletas e tudo.
me atrevi a cozinhar (cof cof), numa festinha particular com Emmanuel e Yasmim aqui em casa (ninguém precisa saber que era massa-pronta-com-molho-pronto e batata-congelada-pra-fritar), e foi incrivelmente divertido.
cortei a franjinha, que já estava se mimetizando com o resto do cabelo. E fiquei meio com cara de sapeca, a não ser nos dias em que meu cabelo é quase uma linha de prumo, de tão retinho, que aí pareço um pouquinho com Ahn-dre-ah depois da reforma (Ahn-dre-ah de O Diabo veste Prada, ou Anne Hataway do filme homônimo, pra os desavisados).
encontrei meu quartzo rosa (que aparece no caótico layout do blog, ele mesmo), que não sei onde tinha se metido, e não saiu do meu pescoço até sumir de novo hoje.
escutei cds inteiros, coisa rara pra mim. E ouvindo com calma, dá pra perceber que tem algo que une uma música à outra, e é legal escutar sem saber o nome, só deixar rolar. Notei, entre outras coisas, que uma banda não precisa de guitarras pra ser legal, como é o caso de Keane. E que Parachutes, de Coldplay, é perfeito pra dias de chuva e dor-de-cotovelo. E que Linkin Park (me matem, eu escutei um disco inteiro de Linkin Park) só quer ser o U2.
aprendi muitas coisas no processo de formatação/instalação de todos os programas possíveis e imagináveis/reconfiguração do meu querido pc. Depois de um longo inverno, ele volta a ser meu companheiro de aventuras.
fiz um dos brigadeiros mais deliciosos ever. Com chocolate em pó de verdade polvilhado por cima do prato que fui detonando aos poucos, de colher, sem enrolar, como deve ser todo brigadeiro-fora-de-festa que se preze. Além disso, é o lado bom de não ter irmãozinho perto pra dividir, hohohohoho.
dei uma pausa na lua-de-mel com Chico, pelo simples fato de estar morrendo de saudade de todas as minhas outras músicas, que fiquei mais de 1 mês sem escutar, enquanto meu pc estava em coma. E não me senti nem um pouquinho culpada por isso, afinal, os Beatles, os Strokes, os Hermanos, os Gallagher e tantos outros estavam lá, guardadinhos, esperando que eu os tirasse da gaveta. Mas aposto que assim que meus dvds chegarem, we’ll be honeymooners again.
ganhei uma bala e um desenho na aula de hoje, presente de Karina, a pessoa mais zen que já conheci, e que é uma grande amiga.

tive idéias na hora certa. Acho que minha criatividade nunca foi tão cobrada como agora. Ainda bem que ela compareceu no lugar certo, porque seria um grande problema escrever coisas geniais no blog todo dia, e deixar meus projetos ao léo. Por sorte, foi o contrário (nãaaao, bloguinho, não fique sentido, que eu posso trancar a faculdade, mas não você. Acalmou?).
percebi que não consigo viver em baixa rotação. Ou seja, peguei (de novo, porque eu nunca aprendo) 6 cadeiras na faculdade, cada uma com seu grandioso e complicado projeto final, e uma monitoria que começou ontem, e até agora não sei se é ou não remunerada. De qualquer jeito, it’s not about the money, it’s about the currículo. E pelo prazer de criticar trabalhos dos calouros (muahahahahaaaaa). Como diria meu saudoso amigo Cazuza, essa é a vida que eu quis.
só pra compensar, passei um fim de semana inteiro de molho, só pondo os pezinhos fora de casa pra levar o lixo pra fora. Na horizontal, tirando o atraso dos filmes repetidos e cercada por junk food e coca-cola, além do precioso controle remoto. Como diria meu saudoso amigo Cazuza, essa é a vida que eu quis.
comi algodão doce, hoje mesmo, menos de 5 minutos atrás, depois de desistir de parecer gente grande.


(soundtrack: Billie Holiday – Someone to Watch Over Me)

off the record: percebi uma coisa de uns tempos pra cá: nunca mais escrevi nada triste, chateado ou no mínimo levemente deprê, o que é muito estranho. Até porque não tenho muita vocação pra Poliana. Aposto que Freud (ou Renata Ingrata, renomadíssima filósofa de botequim) explica. Pode ser uma espécie de bloqueio doentio de tudo que naõ me agrada, ou estou transformando isso aqui num universo paralelo, pra escapar da penosa vida que tenho que enfrentar aqui fora. Mas segundo o dito popular, quando a esmola é demais, o santo desconfia. Ou então, depois da calmaria vem a tempestade. Ou então é neura minha, que sou paranóica e bocó o suficiente pra desconfiar de uma simples sucessão de dias bons, em vez de aproveitá-los.

só hoje

Hoje consegui cumprir minha cota de 5 ou 6 mil palavras ditas.

Hoje lembrei de novo como é bom ler algo não-didático e não-obrigatório, mesmo quando tinha coisas extremamente didáticas e obrigatórias pra fazer. E dei boas risadas, completamente sozinha. Tinha esquecido como isso é bom.

Hoje quase matei aula pra participar de uma oficina de dança de salão que estava acontecendo na sala de dança – é, o CAC tem uma sala de dança, igual àquelas de filme! Cada dia descubro um lugar novo naquele labirinto de concreto, é fascinante – , mas não tive coragem. Nem de levar falta na aula nem de me arriscar a dançar.

Hoje tomei suco de manga de verdade. Não de polpa de manga, mas de manga mesmo. Até meio azedinha. E me fez sentir meio criança de novo, quando costumava catar as mangas maduras que caíam e lutar com elas até só sobrar o caroço cheio de fiapos.

Hoje percebi que não sou um completo desastre na arte de criar um produto (ops! Design não é arte, é planejamento!! E se eu esquecer disso, não vai ser naaaada bom), e que minhas idéias medíocres não são muito piores que as idéias também medíocres de alguns colegas meus. Claro que morro de inveja de quem inventa uma coisa genial e absurdamente necessária, e que a gente pensa como ninguém teve essa idéia antes, mas de vez em quando tenho que parar de dar passos maiores que a perna – e unfortunately, não sou nenhuma Ana Hickmann.

Hoje descobri que estar na faculdade faz um bem enorme pra minha saúde. Sei lá, acho que só estava me sentindo carente e sozinha, querendo conversar com alguém ao vivo. Odiei o último fim-de-semana. Eu não costumo odiar fins de semana…

Hoje lembrei, olhando a foto 3×4 da carteira de estudante, que engordei um bocadinho desde que vim morar em Recife. E, bem, fiquei melhor.

Hoje vi um filme de Almodóvar. Um filme cuja sinopse soaria bem vulgar, e até meio com cara desses filmes que mocinha decente não assiste (E novamente Almodóvar consegue nos convencer com suas histórias absurdas. Exemplinho: a freira grávida de um travesti que está morrendo de AIDS). Mas era um Almodóvar puro-sangue: colorido, sensível, latino, com uma trilha sonora perfeita e envolvente e com toda a reverência que o diretor sabe prestar às mulheres. Ele nos entende (claro que entende, ele é gay, dãaaa!). Tudo Sobre Minha Mãe. E o melhor de tudo é que foi na telona, com um bocado de gente realmente interessada em assistir, e rindo nas horas certas – não sei se já mencionei aqui que eu adoro idas ao cinema, porque, de alguma forma, acontece uma empatia entre as pessoas que estão ali, de rir e se emocionar junto, e eu me sinto mais próxima dos outros espécimes humanos ao meu redor, and it feels good -. E o melhor de tudo é que foi de grátis, graças ao meu interesse nada comum pelos cartazes de coisas culturais espalhados pelo CAC, e à imensa vontade que estava de assistir a um Almodóvar. E à força de vontade de ir, mesmo estando meio sem graça e com dor de cabeça. E à boa companhia de Karina, que sabia onde era o Instituto Joaquim Nabuco. Estou doida pra ver Volver.

Hoje dei graças a Deus por todos os sinais fechados que peguei indo de volta pra casa no ônibus. Explicação: enquanto esperava o saudoso CDU-Várzea, tive a brilhante idéia de abrir o esfarofado pacotinho de biscoitos integrais – ou comida de passarinho, como um colega meu de escola costumava chamar – e a intenção era mesmo de comê-los. Exatamente na hora em que ia pôr um pouco daquela farofa na boca, chegou o ônibus, invariavelmente lotado, e sim, tive que ficar segurando o pacotinho numa mão, enquanto tentava, com a outra, segurar meus cadernos e me agarrar em algum lugar pra não cair estatelada no chão e arrancar risadinhas e olhares de piedade dos passageiros. Quer dizer, pensando bem, nem tinha pra onde cair, porque o tijolo demográfico estava mesmo compacto hoje. E pensando bem, de novo, podia ser que algum príncipe encantado, me vendo ali, completamente vulnerável, segurando pateticamente minha comida de passarinho, percebesse a oportunidade perfeita pra se aproximar e mostrar que era perfeito pra mim, e que sim, podia passar o resto da vida comigo. kkkkkkkk! Viajei agora… mas enfim, não caí, por causa dos sinais fechados, que me deram tempo e condição de soltar a mão de onde quer que ela estivesse agarrada, pra ajudar na difícil tarefa de comer os biscoitos.

Hoje lembrei como o centro de Recife é bonito à noite. E senti saudade.

Hoje eu estava estranhamente risonha. E meu cabelo, com uma ajudinha do vento, deu a impressão de enfim estar no lugar certo (engraçado,ainda parece estar, mesmo depois do banho, e de não ter sido penteado). Queria que ele estivesse assim quando eu precisasse impressionar alguém, porque uma das minhas maiores fontes de insegurança é esse cabelo que não me obedece nunca.

Hoje vi a lua. Gosto dela cheia, mas hoje estava grande e bonita, bem no comecinho do quarto minguante. Eu amo a lua.

Hoje nem parece uma segunda-feira…talvez tudo isso signifique que a terça tenha que ser um dia horrível. Então, pelo menos eu aproveitei. E registrei. Sei lá, foi um dia comum, mas eu senti que estava vivendo, e só isso já basta. Tenho que aprender a tornar cada dia único assim.

Hoje estou feliz, e nem sei se tenho mesmo todos os motivos. Só sei que não estava condicionada a ninguém nem a coisa nenhuma. Que bom.

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(soundtrack: Legião Urbana – Tempo Perdido)

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