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1001 idéias de sexo

Não, eu não quero aumentar o número de acessos do meu blog com um título desses, ou pelo menos não foi essa a idéia. O caso é que caiu nas minhas mãos uma edição de NOVA com as tais 1001 idéias de sexo, para dar adeus ao papai-e-mamãe e ter noites (e dias, e tardes) cheios de luxúria – isso era o que tinha na capa.

(A propósito, me lembrem um dia de descobrir quantas dicas de sexo a NOVA já botou no ar ao todo, porque cada edição traz um número absurdo, tipo 534, 721, 69…)

Eu já havia escutado de várias pessoas, dentro e fora do blogworld, que esses manuaizinhos de NOVA, ao contrário do que anunciam, não deixam-seu-homem-louco-de-desejo. No máximo, conseguem deixar o cara louco de rir, ou louco pra se livrar de você, sua ninfomaníaca com idéias estapafúrdias que não funcionariam nunquinha num mundo real e sensato. Mas nunca parei pra ler a dita-cuja, que eu valorizo meu dinheirinho suado demais pra gastar em curiosidade junkie, e também não tô nem um pouco desesperada pra deixar-meu-homem-louco-de-desejo.

Mas deixa eu contar a história. O professor da cadeira de segunda-feira pediu, semana passada, pra a gente levar revistas pra a aula, pra fazer uma colagem e dar de presente pro papai no dia-dos-pais um painel de referências visuais do nosso público-alvo do projeto. Line Gilmore (assim como metade da turma), obviamente, esqueceu as revistas. A sorte é que tem um tio que vai todo dia pra a frente do CAC vender revistas passadas, que provavelmente encalharam nas bancas, por um precinho bem camarada. Aí, por mais ou menos $2, você pode ficar por dentro de todas as tendências de moda da estação passada, ou ler sobre a última descoberta científica revolucionária de 2 meses atrás. E desde o começo do curso, a revistas do tio são a salvação dos esquecidos, porque dá pena, sim, recortar $2 e ficar com um resto de revista que não tem nada de (tão) novo, mas pelo menos a gente tem material pra trabalhar.

Daí que (mocinhas, cuidado com as más influências) tinha essa NOVA de junho com 1001 idéias de sexo, e genteeeeem, idéias de sexo não ficam passadinhas com 2 meses. E a gente queria rir um pouco na hora do pastel de catupiry com coca-cola almoço depois da aula. Aí pronto. Comprei a NOVA de junho com Sarah Jessica Parker na capa (mas quem liga pra ela?) e 1001 idéias de sexo [/vergonha].

O que acabou sendo um atraso enorme no desenvolvimento do trabalho, primeiro porque a revista não serviu de nada na nossa busca de imagens (a não ser que você considere que é necessário mointo sexo pra fazer uma família grande de classe média-baixa, que era o nosso público-alvo). E depois, acontecia uma coisa inevitável: quem pegava a NOVA pra procurar imagens [cof cof] acabava com os olhos vidrados em uma das 1001 idéias de sexo.

Menos eu, é claro. Porque a revista era minha, fui eu que dei os $2 ao tio (morrendo de pena deles), eu ia ficar com ela pra ler depois – a não ser, é claro, que algum engraçadinho arrancasse as páginas importantes. Donde se conclui que eu fiz cerca de 80% do trabalho. Who cares?

O fato é que (enrolei enrolei mas vou falar) tivemos momentos agradáveis – leia-se de riso incontrolável – com o pastel de catupiry e as idéias de NOVA no almoço. E sim, elas são mesmo estapafúrdias. Pra começar, as tais dicas não são de NOVA, são das leitoras da revista, e dos leitores de Men’s Health (e eu boba achando que a equivalente masculina de NOVA era a PLAYBOY…). Leitora que experimentaram coisas novas e querem contar vantagem dividir os resultados, pra tornar o mundo um lugar mais feliz. Aí, temos 2 alternativas: a) tem muita gente sem-vergonha no mundo, então fique esperto com qualquer casal muito feliz do seu lado no restaurante, ou b) brasileiro é muito mentiroso meeeeesmo.

Obviamente não deu tempo de ler e comentar 1001 idéias de sexo em uma hora de almoço. Mas já saíram umas pérolas que não vou transcrever aqui, porque este é um blog família. E me fizeram pensar, sério mesmo, que depois de ler um volume tão grande de bizarrices, quero ver quem reclama de um trivial bem feito. Pronto, falei.

sente o naipe.

(soundtrack: Norah Jones – Until The End)

providências funerárias

Inspirada pelo texto da Flá Wonka no Garotas, em post especial do dia de Finados, e pelas divagações de minha vovozinha querida, no mesmo dia, sobre querer o caixão mais bonito, ainda que custasse 50 mil verdinhas, resolvi deixar aqui as instruções pra minha festa de despedida. E como não costumo dar festas em vida, imagino que seja difícil imaginar como eu teria gostado, né?

Em primeiro lugar, doem meus órgãos (os que ainda prestarem depois das doses cavalares de café e coca-cola, que provavelmente serão a causa da minha morte). Se o corpo ainda estiver apresentável, o encarregado de me arrumar, por favor, lembre de como eu me vestia. Vou odiar estar com um vestido cafoninha, desses que parecem sair da confecção direto pra as funerárias, e uma maquiagem cor-de-rosa. Eu nunca fui cor-de-rosa, ué. Lembre do lápis preto na parte de baixo do olho, dando uma leve puxadinha pra fora, e do batom vermelho-quase-vinho-com-um-leve-toque-de-roxo (é, eu me maquio com aquarela). Ah, se conseguirem a roupa de Satine (Nicole Kidman em Moulin Rouge), também vale, já que mortas não precisam mais respirar e não sentem dor com espartilhos de barbatana de tubarão. E eu ia ficar bem gostosa…

Não quero cerimônia em igreja, porque é deprimente ver que o espaço é bem maior que o número de pessoas, e é extremamente difícil alguém, principalmente se for pouquíssimo sociável como eu, encher uma igreja num velório. Deus já vai ter me recebido no céu mesmo, então não tem importância. Arrumem um lugar legal, e que não tenha escadas. Porque se eu for desastrada morta do mesmo jeito que sou em vida, o caixão provavelmente vai escorregar das mãos dos carregadores e cair dramaticamente, e abrir, e meu corpo vai ficar todo bagunçado e cheio de hematomas, e vai parecer que morri por agressão de algum namorado violento. Fora o transtorno de pegar um cadáver caído da escada, incrivelmente pesado (porque parece que o peso de uma pessoa triplica depois que morre) e colocar de volta no caixão, não sem antes quebrar alguns ossinhos. O caixão, aliás, não precisa – nem deve – ser cheio de frufrus, nem de madeira deprimentemente escura. Quero simples e de bom gosto (acho que eu mesma vou desenhá-lo um dia desses). E tem que estar forrado de veludo, ou qualquer tecido fofinho, menos pelúcia, da minha cor preferida do momento. Na presente data, é vermelho. Não esqueçam de deixar um celular e um tubinho de oxigênio, pra o caso de eu não ter morrido mesmo. Se bem que, se estiver viva, vou acabar levantando empolgadíssima quando tocar Live Forever.

O velório (que palavra… fúnebre!) tem que ser memorável. Café preto bem forte, e com açúcar na medida, do jeito que eu tomo, pra os convidados. E chocolate meio-amargo. E alguma coisinha gostosa de comer, só não vale camarão. E alguma bebidinha alcoólica pra quem quiser afogar as mágoas de ter me perdido. E coca-cola, é lógico. Mas por favor, sem excessos, que depois de tanto evitar barraco, não quero um na minha última aparição pública. Mãe, não precisa se fazer de forte, como você faz sempre que alguém morre e alguém tem que tomar as providências. Podem chorar, mas riam de vez em quando lembrando de mim. Quero um monte de fotos minhas espalhadas por todo lugar, e é óbvio, no telão, na hora do discurso da família, quando o fundo musical vai ser aquele cd de Beatles For Babies. Quero que meu avô faça uma oração daquelas beeeeeeeem enormes, e que me abençôe pela última vez. Ok, não vai adiantar muita coisa, porque já vou ter passado dessa pra a melhor (muuuito melhor) mesmo… mas é bonito.

A música é importantíssima. Não dispenso Suburbano Coração, Valsinha, Todo Sentimento e mais um monte de meu amor Chico, nem Come What May, de Moulin Rouge. Tem quer ter lugar pra as tantas paródias que já inventei em família (Deus ajude mamãe, papai e o irmãozinho a lembrarem de alguma), e, é claro, Oasis e Beatles até seguir o enterro. Só não vale Eleanor Rigby, porque ninguém merece morrer como ela. Acho até que vou fazer uma listinha…

Blackbird, You’ve Got to Hide Your Love Away, Stop Crying Your Heart e Here, There and Everywhere, Quem Vai Dizer Tchau, as tristinhas, pra a hora do choro, quando estiverem vindo me ver no derradeiro leito (oooh, falei difícil… só pra não falar “caixão”, que é uma palavra tão… fúnebre!). Depois, põe pra rodar Os Saltimbancos, primeiro musical que decorei inteirinho (o segundo foi Moulin Rouge), e as músicas que ouvia quando era criança, quando estiverem passando as fotos. Nessa hora o astral do povo deve estar mais levantadinho, porque tenho certeza que algumas das fotos escolhidas vão ser hilárias. Estou até pensando em deixar uma seleção bem fácil na área de trabalho do meu pc, e um bloco de notas com as últimas instruções bem direitinho, e todas as minhas senhas da internet, pra quem encontrar primeiro fazer o favor de encerrar Orkut, MSN, Gmail, blog… odiaria ver meu nome na Profiles de Gente Morta, credo! Mas retomando o raciocínio, quando o astral estiver melhorzinho, pode tocar I’m Only Sleeping, Yellow Submarine, Olê Olá, Dura na Queda, Razorblade dos Strokes, e a pequena audácia de Twist and Shout, ou I Will Survive (se ninguém se mexer eu volto pra puxar o pé!). Pra ser um pouquinho de nada clichê, toca alguma de Robbie Williams, que é o favorito dos enterros da Inglaterra. Angels ou She’s the One, ou Something Stupid. Mas tem que terminar com Live Forever, do Oasis, é óbvio.

Se eu tiver namorado, ele tem que fazer uma declaração de amor póstuma, cantar a nossa música (que vai estar tocando ao fundo) em meio a uma piscina de lágrimas, que se não chorar eu mato, e lembrar dos nossos mínimos detalhes juntos. E jogar uma rosa na hora de descer o caixão. E nada de amiguinhas oferecidas oferecendo um ombro amigo, ok?

As rosas me lembraram um ponto importante: as famigeradas flores de enterro, tingidas das piores cores possíveis, sabe Deus com que tinta, e que ficam cheirando mal com muito pouco tempo. De jeito nenhum!!! Pode ser no máximo um buquê de rosas na minha mão, e pétalas, muitas pétalas, dentro do caixão. E se alguém mandar alguma daquelas coroas de presente, chuta que é macumba! No ambiente todo, quero o perfume que eu usava. Não o de ocasiões especiais, mas o de todo dia, que é o que todo mundo vai lembrar.

Na hora da marcha fúnebre, peloamordedeus, não me venham com aquela Kombis (é, é Kombis mesmo, kkkk) ridícula, com aquela cortininha mais ridícula ainda atrás. Escolham um lugar bonito perto do cemitério, porque eu adoraria ser carregada a pé, pelos meus priminhos queridos. Mas se não der, arranjem um carro espaçoso e pendurem latinhas barulhentas na parte de trás, e que o carro tenha um som bem potente, pra tocar The Long and Winding Road, The Masterplan e Wonderwall.

E finalmente, o que fazer com o corpo? Não quero aquela coisa mórbida de ser cremada e jogada no mar, ou então dividida em vários pouquinhos de cinza pra todo mundo, e deixar meus restos mortais sem descanso forever and ever. Podem me enterrar tranquilamente. Adoro a cena do caixão descendo pelas cordas. Só não deixem acontecer nenhum acidente nessa hora, por favor… já vi um caixão descer todo desastrado, e não é nada legal. Ninguém ri. Joguem os montinhos de terra, que nem nos funerais de filmes americanos (é patético, eu sei), e flores. Rosas e pétalas, de preferência. E é bom uma foto bonitinha e espontânea, tirada sem que eu estivesse olhando, em preto-e-branco, na lápide. E alguma frase minha – tem muitas no blog pra escolher – ou alguma autodefinição que coloquei no orkut (a atual ficaria ótima, acrescida no final de um “e que deixou saudades”).

E pronto. E não briguem pelas lembranças, peloamordedeus. Podem brigar pelas obras de arte, e pelas cadeiras desenhadas por mim, que vão valer muitos dólares, mas não pelas lembranças (Puxa, fui ficando emotiva…). Fim. Ou R.I.P, se preferirem.

Photobucket - Video and Image Hosting
só assim pra eu descansar…
(soundtrack: Corinne Bailey Rae – Like a Star)

back to stars hollow

e o post de volta pra casa vai cada vez mais sendo adiado…

não-post

Extremamente cansada. Morrendo de vontade de escrever sobre o weekend fora de série com mamãe (que valeu cada loucura feita, mas de certa forma é a causa do acúmulo assustador de trabalhos sobre a minha cabeça), mas simplesmente não dá agora. até o final do semestre Line Gilmore não existe. Assim como não existem noites de sono e horas de não fazer nada, e horas de dizer Ni. Vão desculpando…
(soundtrack: Eels – I Need Some Sleep)

sabem quando a gente tem algo ou alguém muito intensamente, e por pouquíssimo tempo, e perde da maneira mais estupidamente idiota possível, que contando ninguém acredita? então…

Não vou nem contar.

(soundtrack: —–)

retratação

11 dias sem postar… que vergonha. E o último post foi tão curtinho que nem valeu direito… mas amanhã escrevo algo decente, e com foto(s).

Só pra constar, me olho no espelho e vejo alguém que sobrevive de café, leite moça e biscoito integral, com olheiras poeticamente mais fundas a cada dia. Comendo demais, dormindo de menos, odiando certas coisas, amando outras, me enervando com umas poucas e levando na esportiva a maioria.

See you tomorrow…

(soundtrack: Aqualung – Can’t Get You Out Of My Mind)

ela

Pra compensar o jejum de imagens dos últimos meses, o post de hoje é especial. Pra Ela, A Foto. A que eu sempre quis fazer, desde o dia em que botei os pés no décimo andar daquele edifício. Ela, que traduz a vontade que eu tenho tantas vezes, de me soltar dali e sair voando sobre Recife com as asinhas de borboleta que queria ter. Ela, que mostra a boa vista (ou Boa Vista) de todas as luzes acesas da avenida, e do pôr-do-sol que tá lá todo dia, mas eu quase nunca paro pra achar bonita. Vista que eu até já tentei desenhar, numa hora de espera na janela, que seria horrível se fosse só espera. Ela, que é todinha uma visão de cidade grande, onde os carros com pressa se transformam em feixes de luz. Ela, que me faz imaginar o que acontece dentro das outras janelas. Ela, que me deixa feliz por morar mais alto, e ver um pedacinho do mundo de cima. Ela, que por si só já é cheia de poesia.

ela.

(soundtrack: Stevie Wonder – From The Bottom Of My Heart)

bronca

Eita post pra me dar problema esse último…
tá vendo, Chico? Culpa sua! Só de raiva, não tô te ouvindo. hunf.

(soundtrack: Kid Abelha & Edgard Scandurra – Mudança de Comportamento)