Mensagens com Etiquetas 'historinhas'

pra contar pros netos

Eu tinha perdido meu celular, e estava mais ou menos desesperada. Fiquei completamente desesperada quando consegui um telefone emprestado de alguém no estágio, liguei pra Namorado e ele disse que não, eu não tinha esquecido no carro dele. E voltei a ficar só mais ou menos desesperada quando ele disse que sabia com quem estava, que foi um tal de Alisson que foi procurado pela tia do restaurante do CAC, porque era o primeiro número na minha agenda telefônica. A tia ligou, o tal-do-Alisson foi lá e pegou meu celular pra me devolver, não sem antes ter que provar, de 082651356 maneiras diferentes que me conhecia e não era um cara mal-intencionado que só queria roubar um celular todo arranhado e incrustado de materiais estranhos (porque é isso que acontece quando você é uma pessoa agoniada e trabalha com materiais estranhos que deixam a mão suja).

Enfim, o-tal-do-Alisson ligou pra Namorado – que era o número mais recente na discagem rápida – e queria combinar com ele pra entregar, só que o horário dos dois era péssimo, então era melhor eu mesma combinar com o-tal-do-Alisson, pra pegar meu aparelho no outro dia.

Seria uma história no mínimo curiosa, se o-tal-do-Alisson não fosse o super-famoso-blogueiro-e-meu-amigo-de-internet Aju. Que tinha se mudado pra Recife há menos de 1 mês. Cujo telefone estava na minha agenda há menos de uma semana. E que eu ainda não havia conhecido pessoalmente(!!!). Agora já tinha motivo. E no dia seguinte à agonia toda de “perdi meu celular”, eu estava esperando aju na frente do CFCH, de chapeuzinho e flor vermelha no cabelo. E tivemos uns bons 40 minutos de conversa fiada regada a coca-cola, e eu super me diverti com as histórias desastrosas de Aju com meninas-que-gostam-de-forró. É, foi mais do que no mínimo curioso… é dessas histórias que a gente conta no Natal pra a família. ai ai.

E hoje é aniversário do Aju. E como boa conselheira sentimental e psicanalista particular, eu sei que já disse, mas vou dizer de novo, que não custa: vem muita m* por aí (brincadeira, a frase certa é “gosto muito de tu, e te desejo muita felicidade, muita sorte e pouco forró daqui pra frente”).

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e muitos anos de vida.


(soundtrack: Barão Vermelho – Maior Abandonado)

dois anos atrás

Dois anos atrás, eu morava numa cidade com pouco mais de 200 mil habitantes.
Dois anos atrás, eu estava apaixonada.
Dois anos atrás, eu tinha os cabelos pretos e compridos, e quase lisos.
Dois anos atrás, minha escrivaninha era lilás (eita, rimou!).
Dois anos atrás, eu mal sabia fritar um ovo.
Dois anos atrás, eu escutava Los Hermanos sem parar. Tá, e Engenheiros do Hawaii *vergonha*, mas só porque estava apaixonada.
Dois anos atrás, eu estava começando a aprender a mexer no Photoshop, e fazia coisas legais e diferentes, apesar de ingênuas, com fotos minhas.
Dois anos atrás, eu tinha um fotolog.
Dois anos atrás, eu contava os dias pra ir embora de casa.
Dois anos atrás, eu virava noites conversando no MSN.
Dois anos atrás, dia 6 de março de 2006, eu criei um blog. Já tinha tido outros, que não duraram mais de 3 meses, e não sabia no que ia dar. Fiz mais porque tive uma idéia genial pra o layout, porque estava inspirada, e porque era fã das Garotas Que Dizem Ni.
Dois anos atrás, eu não fazia idéia.

Ok, posso estar sendo repetitiva, mas não canso de dizer: meu blog é meu divã. E fazem parte dessa terapia todos os amigos que descobri nesses dois anos, blogueiros ou não. E todos os curiosos, que lêem sempre, mas nunca comentam, e até quem só vem aqui uma vez, lê o blog inteiro e nunca mais volta. Blogar me abriu os olhos pra um mundo completamente novo e enorme. E esse lugarzinho se tornou um registro perfeito, detalhadíssimo e com todas as emoções a que tive direito das coisas mais importantes de 2 anos da minha vida. Quem me conhece sabe a necessidade que eu tenho de memórias palpáveis (ou quase), e de lembrar delas, pegar, ver, ouvir, sentir. Mudei de cidade, me apaixonei, fiquei feliz, triste, nervosa, stressada, com medo, ri, chorei, critiquei, elogiei, me arrependi, desabafei, inventei histórias, e que bom que não deixei tudo isso passar em branco.

Dois anos depois, minha escrivaninha é vermelha, meus cabelos são castanhos, eu moro na 3ª maior cidade do Brasil, estou apaixonada, meu gosto musical melhorou consideravelmente (e descobri o last.fm), sei fritar ovo e outras coisinhas, sei mexer bem direitinho no Photoshop, abandonei o fotolog, e ainda sou fã das Garotas que Dizem Ni.

E depois do discurso de aniversário, vem o bolo (a parte mais legal, êeee): quem acompanha isso aqui desde o começo sabe que o blog já teve váaaaarios layouts. Uns duraram muito tempo (o último ficou no ar por quase um ano), outros passaram por aqui rapidinho, mas todos, em determinado momento, conseguiram me traduzir de uma maneira única. E pra comemorar o aniversário, temos cara nova pro blog, êeeeeee! E não vou explicar o conceito, o uso das cores, os significados por trás de cada coisa, porque isso não é trabalho de faculdade. É meu lugar, e pronto. E todos são muito bem-vindos.

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e agora eu faço um desejo e assopro.


(soundtrack: Kimya Dawson – Tree Hugger)

pede pra sair, 07!

2007 não vai ter listinha de retrospectiva. Não, eu não me revoltei com o mundo. Sim, eu ainda adoro listinhas. Mas o ano foi de coisas que não dá pra listar direito, e que não cabem bem em palavras. Mas vou tentar.

Foi um ano bom, um dos melhores. Não sei se teve algo a ver com essa coisa especial que tenho com o número 7, ou se foi simplesmente porque resolvi relaxar com algumas coisas, só sei que me senti feliz na maior parte do tempo.

Ganhei, de uma tacada só, um estágio e um namorado. Fiz amizades valiosíssimas, uma das quais começou aqui mesmo, no blog, e rendeu 2 dias verborrágicos e inesquecíveis de muitas fotos e muitos abraços (né, Cauol?). Entrei de groupie numa banda, e aproveito a ocasião pra fazer o merchan de Arts’n Crafts, a banda da galera (que merecia um slogan melhor euma marca decente, já que é só de dizáines, mas como diz o ditado “casa de ferreiro…), que tá com cd novo quentinho-saído-do-forno e é só pedir pra Felipe, Celso, Canudo ou Hermano que eles gravam uma cópia original autêntica pra você, ou ir baixar no eMule, “Cributo a Silvio Gatis”. Breve tem resenha do álbum aqui no blog, na qual eu obviamente terei que sacrificar minha língua ferina e meu humor sarcástico em favor dos meninos, porque o som deles é muuuuuito bom (mentira, é muuuuuuito trash, mas a gente tem que dar apoio, né…). Briguei, briguei feio. A ponto de mudar de turminha. Perdi uma amizade que estava começando, mas não ia valer a pena de qualquer jeito, porque não me fez falta. Viajei um bocado, estou viajando aliás, e disse certo quem falou que navegar é preciso. Me apaixonei. Chorei por causa de garotos. Entrei em confusão por causa de garotos. Me enganei com as aparências por causa de garotos. E encontrei um que fez meu coração finalmente querer sossegar e ser feliz sem complicar demais as coisas. Fui numa festa a fantasia, e vi de novo como sou perfeccionista até na hora de me divertir, porque meu vestido de Noiva-Cadáver-de-Tim-Burton ficou lindo. Senti saudades. Dei e ganhei presentes, e os melhores foram os que não tiveram motivo nem data especial. Li muito. Fui iniciada na Terra Média de Tolkien e mal posso esperar pra ter nas mãos os Contos Inacabados, cujo único defeito é justamente terem sido interrompidos antes do final, porque Tolkien moreu. Passei tardes incontáveis na Livraria Cultura e na Saraiva, e descobri que tenho um fraco por comédias românticas. Ouvi muita música boa e diferente. Aprendi a escutar álbuns inteiros. Sou beatlemaníaca convicta, continuo eternamente chicólatra, mas vi que existem muito mais coisas entre o dó e o si do que sonha a nossa vã filosofia, e estou ansiosa por mais. Tive minha bicicleta roubada debaixo do meu nariz (= estacionada no CAC) e experimentei uma coisa estranha e horrível, mistura de raiva com impotência. E dias depois comprei outra – é eu nunca aprendo… Esqueci como é ficar sozinha. Aprendi que família é importante, mas não é tudo. Fiquei mais independente e deixei muitas neuras de lado, apesar de ter gente por aí achando que eu tenho problemas sérios e que preciso de terapia. Ganhei 2 cartões de crédito e abri mais uma conta em banco. Recebi correspondência em casa, no meu nome (correspondência é diferente de carta, correspondência é coisa de gente grande). Senti o peso de estar virando gente grande, e senti saudade de quando não era. Descobri que gosto de gatos, e gosto de colecionar coisas. Assisti todos os episódios de Gilmore Girls, e nunca fui tão fã de Lorelai e Rory como agora. Esqueci que televisão existe, pelo simples fato de que existem coisas muito mais importantes – e interessantes – pra fazer na vida.

No fim das contas, ri mais do que chorei, e 2007 termina com uma sensação boa de não ter perdido muito tempo, de ter experimentado, de ter sentido, de ter vivido, bem e muito. Bem muito. E que venha 2008, com gosto de gás.

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pôr-do-sol no Jacaré, um dos últimos do ano.


(soundtrack: musiquinha do Fantástico – aaaaaai saudade das minhas músicas!)

pedaço de alguma história


Uma hora, quando tudo estava no seu devido lugar, e parecia que a noite não podia ficar mais perfeita, ela se recostou naquele abraço sob medida, e mais um clichê invadiu sua cabeça, ela que sempre achava que tudo na sua vida parecia cena de filme. Ela pensou, e teve vontade de escrever (mas não tinha caneta) num guardanapo (mas não haviam guardanapos) e passar por debaixo da mesa (mas eles não estavam numa mesa) o bilhetinho escrito “will you still love me in the morning?”

(soundtrack: The Beatles – Something)

C8H10N4O2

- Olá, meu nome é Aline, sou viciada em cafeína e estou limpa há 5 minutos.
[todo mundo]
- Olá, Aline.
- Tudo começou quando fui fazer um exame de vista por causa da miopia. Eu tinha 12 anos, ia precisar usar óculos e estava achando um saco dilatar a pupila e esperar uma eternidade até me mandarem esperar em outra sala, e outra, e outra, e outra… foi aí que eu vi: a garrafa térmica de café, numa mesinha. É verdade mesmo isso que vocês dizem, de evitar o primeiro gole. Não me lembro de ter tomado café antes. Minha mãe conta que quando eu era bem criancinha, pedi café a ela uma vez, o que ela estava tomando. Ela (como toda boa mãe que não quer os filhos hiperativos e com gastrite), fez pra mim uma xícara de Nescafé forte, sem açúcar, e muito quente. Pra eu ficar traumatizada e odiar café pra o resto da vida. Sei lá, se algum psicanalista se atrever a adivinhar o que tem dentro da minha cabeça, provavelmente vai dizer que meu gosto absurdo por café é uma forma inconsciente de rebeldia, que eu fui reprimida na infância, que eu não saí da fase oral e que é tudo culpa da minha mãe.
- Você já foi a um analista?
- Tive umas sessões com uma psicóloga uma vez, por causa do meu comportamento anti-social na escola, mas só lembro que odiava os 50 minutos, e adorava brincar com os cachorrinhos filhotes da casa dela.
- Ok, continue a história do café.
- Sim. Quando tomei o copinho de café do hospital de olhos, achei que era a bebida mais deliciosa qe existia. Talvez tenha sido o tédio de uma tarde inteira sentada com os olhos ardendo, mas o fato é que, depois desse dia, passei a tomar cafezinho em qualquer lugar que me oferecessem, ou que tivesse a garrafa térmica ao alcance, e sabia até dizer qual era o melhor da cidade, e qual eu não tomava mais nunca. A gente não tomava café em casa. Minha mãe e meu pai bebiam café-de-mentira, instantãneo, e desse eu nunca aprendi a gostar. Nunca escondi deles, sabe… isso.
- Bom, já é um ponto positivo. A família precisa conhecer o problema.
- Pois é. Então, um tempo depois, numa daquelas promoções de troque-pontos-por-alguma-coisa, A cafeteira chegou lá em casa. Simples, pequena, daquelas italianas que fazem o café subir com o vapor. Eu estava no último ano de colégio, e precisava de algo que me mantivesse acordada e concentrada durante as aulas, que eram o dia inteiro e às vezes à noite. Foi aí que começou de verdade… hmm…
- A dependência.
- Isso.
- Não se sinta constrangida de falar, você está aqui pra isso.
- Certo. (…) Então, eu nunca fui de dormir muito, desde criança acho isso uma perda de tempo. Quando achei uma coisa que me permitia ficar esperta além dos limites normais… enfim… não dava mais pra passar sem o café de manhã, à noite e nos intervalos do colégio, porque o diretor era muito bonzinho e queria seus alunos concentrados na aula, então deixava sempre uma garrafa à mão. Eu… eu sempre acreditei que ele me ajudava, que me deixava mais inteligente, mais ágil, que eu pensava mais rápido. Não é à toa que café é a bebida dos nerds. Bom, eu passei no vestibular pra Design, numa universidade pública a 1200km de casa. É claro que levei a cafeteira. E as noites acordada ficaram muito mais frequentes. Quando não era trabaho de faculdade, era insônia mesmo. E no outro dia eu estava menos esgotada do que deveria, por causa do café. A xícara virou uma caneca de 400ml, e de uns tempos pra cá, tenho tido dores de cabeça quando não tomo todo dia. Quer dizer, quando não dá tempo de preparar. Um dia desses, um colega meu olhou pra mim sério e disse “Line, diminua o tanto de café que você toma”. E eu sei que preciso mesmo, que isso vai acabar me matando, que eu devo ter uma úlcera do tamanho do mundo no meu estômago, que não sei por que milagre não senti ainda, que meus dentes vão ficar amarelos, mas é tão difícil. Eu preciso dele, sabe… Ontem mesmo tive que passar a noite acordada fazendo uns caderninhos, eu sabia que não ia conseguir se não tomasse… e ainda tem o cafezinho do trabalho, que sai quentinho toda tarde, é demais pra mim.
- Calma, calma. Respira… isso. Tudo que você precisa é força de vontade. Um dia de cada vez, esse é o nosso lema. Tente se afastar de tudo que possa ser tentador. Esconda suas canecas, outro dia você disse que tem uma coleção delas, não é isso?
- É… minhas canecas…
- Então, esconda as canecas, tente não ir a lugares que te lembrem café, sabe… livrarias, a maioria delas tem café, ajude sua mente a se libertar, porque você não precisa de nada que já não esteja dentro de você.
- Isso foi profundo…
[moça da recepção]
- Licença… acabei de fazer café, tá fresquinho, alguém aceita?
..
off the record: não, isso não aconteceu de verdade. Minha imaginação é fértil. Sim, eu sou viciada em café. Não, pessoas que enchem minha cabeça, eu não quero parar. Sim, meus dentes estão um pouquinho amarelos. Não, eu não tenho úlcera, nem gastrite, nem refluxo, nem um buraco no meio do estômago. Ele (meu estômago) deve ser como aquela cheerleader de Heroes, capaz de se regenerar sozinho. Sim, eu tenho dores de cabeça de vez em quando, por falta de cafeína. Não, eu não vou deixar de ir na livraria Cultura nem na Saraiva, nem jogar fora minhas canecas (até porque meus lápis, canetas, escovas de dentes e toda sorte de bugingangas ficariam órfãos sem elas). Sim, hoje é uma noite de insônia.

É, acho que tô tomando muito café…

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(soundtrack: Nirvana – Smells Like Teen Spirit)

os garotos da minha vida

(by the way, o filme que dá nome ao post de hoje é muuuuito bom. Um dos poucos com Drew Barrymore que não é comédia romântica. Mas o assunto não é esse, então vamos ao que interessa.)

nº 1
Ele lembra de mim de vez em quando, não sei por que. Mas nunca me diz nada. Continua do mesmo jeito, romântico e doce, embora o gosto dele pra certas coisas tenha se tornado meio duvidoso ultimamente. Às vezes me pego pensando por que tudo aconteceu daquele jeito, e como minha vida seria se eu tivesse deixado pra trás outras coisas ao invés dele. Mas tudo é uma questão de escolhas, e não me arrependo. Gosto de pensar que fui importante pra ele como ele foi pra mim. Um bocado. Ele é aquela pessoa que a gente nunca esquece, mas a lembrança vai ficando meio enevoada, dormindo sem fazer barulho. O primeiro drama, o primeiro amor.

nº 2
Ele virou outra pessoa, que eu não reconheço de jeito nenhum. Ele era brilhante, vivia pra suas invenções e sua música. E me hipnotizava. Perto dele eu não era mais que uma menininha boba e apaixonada. Ele estava nos meus sonhos desde um tempo que eu nem sei quando foi, e só fazia brincar com meu coração, porque sabia que eu era dele de uma maneira quase doente. Mas seu perfume irresistível mudou, suas feições mudaram, ele tirou o aparelho, engordou, virou funcionário público, tem um fiat Uno e vai casar com uma moça direita e ser o orgulho da família. E no fim de tudo fiquei aliviada de não ser parte disso. Não gosto das coisas óbvias, como eu também não sou.

nº 3
Ele é um enigma. Deve ter dupla personalidade. E a que eu gosto mais é a que menos aparece. Isso é justamente o que eu mais odeio nele, esses desaparecimentos por tempo indeterminado. Como se ele precisasse de mais espaço do que qualquer pessoa poderia dar, o tempo todo se escondendo atrás daqueles óculos de sol. Eu queria que ele precisasse de mim, que só comigo ele fosse constante. Que ele estivesse por perto. Mas cansei de esperar, e talvez seja muito tarde quando aparecer a personalidade dele que eu gosto.

É, deu saudade de falar no assunto. Ultimamente, garotos me machucam cada vez menos. E não sei se isso é sinal de que aprendi a lidar ou eles ou se desaprendi a lidar com amor. E se eu terminar esse post, vou acabar tendo que escrever sobre coisas que tenho medo, mas não quero (e não tenho que) lidar agora. Agora só quero a alma leve.

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eu era romântica, e não faz muito tempo.

…...
(soundtrack: Robbie Williams – Eternity)

love story

Tudo começou numa tarde chata de domingo, no distante ano de 2003. Eu tinha 15 anos, e lembro como se fosse hoje. A gente morava na Av. Bahia, porque a casa onde em moro por 1/3 do ano estava em construção. Tinha um colchão no chão, na frente do sofá, com a distância perfeita pra a televisão, e uma profusão de travesseiros e edredons. Aí começou aquela série ainda desconhecida dos reles mortais que não tinham tv a cabo: Tal Mãe, Tal Filha, no SBT. 1º episódio da 1ª temporada. Rory vai para Chilton. De repente, passou a 1 hora normal do episódio, e quando eu me dei conta, já estava irremediavelmente viciada. Eu e mamy, as próprias Gilmore Girls.
Mas todo mundo sabe que se tem uma coisa que o SBT não respeita de jeito nenhum, são os fãs de séries gringas. Logo, a season 1 de GG (eu nem sabia ainda que o nome era Gilmore Girls) foi assistida muito mais-ou-menos, fora de ordem, sem frequência certa, e depois de um tempo o vício foi passando, porque não tinha muita coisa que o alimentasse.
Aaaanos mais tarde (ok, um ano mais tarde), mamy e papy finalmente resolveram colocar DirecTv em casa – já na casa nova, recém-construída -. Então, um dia, totalmente por acaso, zapeando pelos canais de séries, descobri Gilmore Girls, passando todos os dias às 10:30 e 15:30 no Warner Channel. Obviamente era a reprise, porque a nova temporada (4ª, se não me engano) passava todas as terças-feiras, e já escrevi algo sobre esse ser um dos motivos de eu adorar tanto esse dia da semana.
GG virou minha novela-das-oito. Eu não perdia dejeitonenhum, até porque no Warner, os episódios passavam certinho. Chegava toda terça da Clave de Sol, corria pro banho e pra frente da tv. E todo dia eu travava uma batalha com o irmãozinho, pra convencê-lo a para de assistir o que quer que ele estivesse vendo e me dar o controle. Mas eu conseguia. E lia spoilers (com todo o cuidado pra não saber mais que o necessário), baixava wallpapers, catava a trilha sonora – que só foi ser organizada e botada à venda bem recentemente -, enfim, era fã de GG em todos os sentidos. Nada em Gilmore Girls é óbvio. Nem o humor, nem nada do que acontece, nem a maneira das duas de demonstrar amor. Ainda lembro do episódio em que Dean diz que ama Rory, e ela, ao invés de dizer “eu também”, entra em choque e sai correndo. Minha vida e meu relacionamento com mamy tinham (têm) uma semelhança absuuuuuuuuurda com os fatos pitorescos tirados da cabeça de Amy Sherman-Palladino, e logo a gente começou a se chamar Rory e Lor. Só para os íntimos.
Aí, um belo dia, quando voltei das férias em Recife, no começo de 2005, doida pra matar a saudade de Lorelai, Rory, Luke, Jess, Dean and co., mamy me vem com a notícia aterradora que tinha cancelado a DirecTv. Porque tava ficando caro, porque ela ficava sozinha em casa, porque eu ia entrar no 3o ano e não precisava de tanta distração, etc etc etc. Eu quase surtei. Eu quase cortei os pulsos. Eu quase me joguei da varanda (mas não ia adiantar muita coisa, porque é só 1º andar). Mas o que é que eu podia fazer, né, a vida continua, eu tinha trezentos milhões de outras coisas pra pensar, então aceitei com resignação meu destino de órfã de Gilmore Girls.
Parei com os spoilers, parei com os fóruns, mudei meu wallpaper, saí de todas as comunidades de GG, porque a raiva de não estar assistindo ia ser enorme. Esse foi meu surto de abstinência. Mas com o tempo, a frustração passou, afinal eu estava no 3º ano, e o que não sobrava era tempo pra me lamentar. Mas também, eu sabia que um dia Rory e Lor iam voltar pra mim, e não ia adiantar nada eu ficar sabendo de toda a season 5 sem assistir. Perdia a graça. Mas mamãe ficou sendo Lor, e vovózinha carrega pra sempre a lisonjeira alcunha de Emily Gilmore, porque certas coisas simplesmente ficam.
Quando resolvi ter um blog, eu precisava de um apelido, tipo Vivi Griswold, Clara McFly ou Flá Wonka (não é segredo nenhum minha tietagem do Garotas, né pessoal?). Aí, nada melhor que Line Gilmore, of course. Deu uma saudadezinha. Sempre dava, não tinha jeito. Eu ficava sabendo por línguas soltas que Rory dispensou Jess, que Lorelai estava com Christian, que Lorelai estava com Luke, que Richard e Emily se separaram, que Rory estava com Logan – aaai Looooooogan! – , que Lor e Rory estavam brigadas (o quêeeeeee?), que Amy Sherman ia largar a série, que a season 7 era a última e nem estava tão boa assim, e de repente aconteceu. GG acabou. E eu nem me despedi. E eu nem vi como acabou. Buá.
Um belo diiiiiia, há pouco mais de 1 mês, no auge do meu tão famoso fim de péríodo, vejo eu um dvd escrito “Gilmore Girls – 6ª temporada”. Demorou pra eu me lembrar de onde aquilo tinha saído, e mais importante: por que eu não assisti antes. Mas é claro! Roni baixou e me deu, mas se eu não tinha visto a season 5, como é que ia assistir a season 6 assim, sem mais nem menos? Pensei, pensei, olhando pra a cara do dvd, e resolvi, numa daquelas madrugadas solitárias e sem sono: dane-se a ordem dos episódios, e dane-se o fim do período, eu ia matar a saudade de GG there and then.
E matei. Assisti os 7 episódios (só cabe isso num dvd) em 3 dias. Ver de novo todas aquelas coisas que eu conhecia tão bem me deu uma melancolia gostosa. o Dragonfly Inn, as empregadas rotativas de Emily Gilmore, o cachorro de Lorelai, cujo nome é só um pouquinho esquisito – Paul Anka -, as canecas de café do Luke’s… caí no vício de novo, depois de anos “limpa”. E como sempre acontece, fiquei doida por mais. A sorte é que na época, outras coisas me fizeram surtar, e minha atenção se desviou um pouco. Mas assim que entrei de férias, vim embora pra casa e botei o dedinho no mouse, e começou a baixação, meio a contragosto de mamy, porque ocupa um espaço absurdo no pc (300 mega, cada ep), mas ela sabe que a culpa foi dela de ter cancelado a DirecTv. No momento, já tenho a 6ª e a 7ª temporadas completas, e a 5ª pela metade. Vou levar todos os devedês pra casa, feliz da vida, e GG vai ter um lugar de honra, junto da minha coleção de documentários de Chico. Aliás, descobri um gosto especial por colecionar coisas, mesmo que seja só mandar baixar no eMule e let it happen, é uma alegria imensa quando vejo os eps se completando e marco o ok na listinha que eu fiz pra não endoidar com tantos números, e vou guardar de lembrança.
No momento, estou assistindo a season 6, o que ainda falta dela. Tudo in english sem legendas, porque a paciência pra procurar é pouca e a vontade de assistir é muita. Além do mais, é uma incrível ginástica mental tentar entender o que as duas falam na velocidade peculiar Gilmore. Minhas férias vão ter gosto de Stars Hollow.

.
off the record: acabei de ter noção de como eu sou absurdamente nerd, geek, ou o que quer que essa paixão desenfreada por uma série americana seja.
..

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where you lead, I will follow
(soundtrack: Grant Lee Phillips – Monalisa – da trilha de Gilmore Girls)

dossiê de dizáine

Foi encontrada, após diversas suspeitas e uma busca incessante, em meio aos arquivos acadêmicos de X* a seguinte conversa com Y*. Em meados de fevereiro, X estava desenvolvendo um projeto de um cantil que resfria a água a 0ºC instantaneamente, bastando apertar um botão. E Y estava tentando criar um sistema de resfriamento subcutâneo, controlado por ondas de rádio, ou algo assim. X e Y cursavam, então, o 2º período do curso de Design da Universidade Federal de Pernambuco, e desenvolveram seus projetos a mando de um renomado professor da UFPE. Eis, a seguir, o material, que contém revelações bombásticas a respeito das metodologias usadas e das possíveis consequências do desenvolvimento dos referidos projetos:

X diz: poxa, meu projeto é tão simples, e eu nem sei se vai funcionar mesmo
Y diz: o meu também não… na verdade a graça é essa
X diz: kkkkkkkkkkk
é, realmente. mas veja só:
o gas carbônico tem ponto de ebulição a -78ºC
ele vai ter q estar a essa temperatura no reservatório
Y diz: hhmmmm…o que complica é que você tem criar um material que resista a esse grau de dilataçao
X diz: e depois que liberar, o choque térmico vai ser enorme pra um liquido que esteja em temperatura ambiente
Y diz: realmente, vai congelar a água de qualquer jeito
X diz: ou eu descubro outro gás…
Y diz: só se for uma gotícula
X diz: ou a coisa complica seriamente.
mas a quantidade liberada é mínima mesmo, que é pra aumentar a vida útil do produto
Y diz: mas e o armazenamento?
X diz: pois é, aí é a complicação maior, porque não pode ser rígido, e qualquer tecido quebra a uma temperatura dessas, até os próprios pra neve e temperaturas inóspitas… a saida vai ser encontrar outro gás
Y diz: hhmmm deixa eu falar com um amigo meu , ele estuda quimica.
tô falando com ele agora
X diz: ah tá, ok. pode ser qualquer gas com PE perto do PF da água
Y diz: álcool ? heheheheheb
X diz: kkkkkkkkkkk
a coisa tá feia
Y diz: ó, ele acabou de dizer que álcool etílico deve congelar a uns -20, acho que algo assim
X diz: nãaaao!! tem que ser um que seja gás na temperatura ambiente e fique líquido a mais ou menos 0º, ou um pouco menos… até -15º, eu acho, -20º… porque num pode ser sólido, senão a válvula não libera
Y diz: já tô vendo aqui… aaah! e tem o negócio da válvula, né
X diz: pois é, tem que estar líquido pra liberar
Y diz: ele acha difícil ter algum gás na temperatura ambiente e que vire líquido a 0º… só vendo melhor (bichinho, ele ainda é 1º periodo!…)
X diz: ooooow
tô vendo que vou ter que enrolar o prof, e omitir esse pequeno detalhe
Y diz: pequenérrimo
X diz: mas num é possivel!!! tem tanto elemento químico no mundo! tem que ter um com as características que eu quero!!
Y diz: acho que você vai ter que mexer e alterar o se projeto, pensar num outro sistema de resfriamento…
algo, sei la, biônico
X diz: biônico, haha!
aí só gelo mesmo
Y diz: não, não, pense numa solução mais mecânica que química
X diz: poxa, era tão mais fácil se fosse pra produzir calor, que aí qualquer forcinha de atrito dava conta
Y diz: que nada , existe já um negócio assim, vende na europa , é um chocolate quente , acho que tem outras coisas também, mas me interssou mais esse: você aperta a parte de baixo da embalagem, que libera um negócio na parte de baixo do copo que esquenta o negócio, isso em uns 10 segundos
X diz: hmmmm… muito esclarecedor. tem algum link disso aí?
Y diz: é o must!
X diz: qual é o mecanismo?
Y diz: não sei, eu vi num supermercado
X diz: :

(…)

X diz: pô, se tem algo que esquenta, deve dar pra fazer algo que esfria!
lembra do nome, pelo menos?
Y diz: pelo contrário , existe microondas , mas só não existe nehuma máquina que esfria tão rapidamente
X diz: aaaaaaaaaaaa
que saco!
Y diz: na verdade existe um cooler pra garrafa mas não é tão rápido não
X diz: sim, sim… e é elétrico, né
Y diz: mas so esfria garafa por garrafa…
é elétrico, de tomada
X diz: sei… num adianta.
eu tinha pensado em fazer alguma coisa elétrica no meu, com carregador USB
Y diz: hhmmmm
X diz: só que ia ficar pesado, por causa da bateria, e nãm era muito prático, e não consegui pensar em nada instantâneo
Y diz: hhhmm… mas você pode criar o sitema pensando numa tecnologia que ainda não existe
X diz: teria q ser como uma microgeladeira…
mas a idéia do gás era bem mais viável por conta da longa durabilidade, porque seriam quantidades minimas liberadas, e fica bem mais leve.
É isso!!!!! eu posso pensar num gás que ainda não existe, né
kkkkkkkkkkk
Y diz: eita, aí já é demais…
rapidinho, já vorto!
X diz: oráit

(…)

Y diz: aime béquee
X diz: menina, me enchi de esperanças agora
Y diz: por que?
X diz: procurando no santo-google-pai-dos-burros, naquele textinho prévio, tinha que o hélio tem PE perto de zero…
quando eu fui ver, era o zero absoluto, -273ºC
pfffff!!! me animei todinha pra ser isso :P
Y diz: heheheheh puf tadinha
X diz: mas tô procurando ainda, e pode ser que tenha alguma combinação de gases também…

(…)

X diz: aháaaa, achei um melhorzinho já: Radônio, PE -61,8º
Y diz: não é tóxico?
X diz: num sei, tô lendo ainda. mas não vai ter contato direto com o líquido.
Y diz: mas e a radiação?
X diz: pode ser q seja cancerígeno, mas esse é um risco que temos que correr..
Y diz: foi assim q mariee-currie morreu
eeeeita… pra esfriar água, prefiro gelo!
X diz: kkkkkkkkk
mas isso é o tipo de coisa q só se descobre 20 anos depois, quando pessoas começam a ter mortes estranhas… num tem problema pra um trabalho de faculdade, hohoho!! o tal gás é muito usado em radioterapia, não deve fazer tão mal assim.
Y diz: é vero, é vero…
afinal nada mais importante q beber água gelada
X diz: lógico! água e qualquer outra coisa
Y diz: é verdade, o que seria do mundo se só existisse gatorade quente??
X diz: pois é! e tudo agora é a praticidade! resfriamento instantâneo! quem se preocupa com radiação nociva? (acho q dá pra colocar isso no textinho…)
Y diz: um problema de cada vez , primeiro resolvemos calor , depois as mortes (é né, algo bem MacDonalds…)
vê, meu amigo tá falando aqui de umas bolsas q atletas usam, que quebra uma pastilha aí fica bem fria
X diz: eita, num conheço não… pastilhas de que?
Y diz: não sei, vou procurar. mas é descartavel, isso que é o maior problema
X diz: realmente… vamos continuar com o gás. até agora, radônio tá ganhando.
Y diz: afinal , daqui a 20 anos mesmo ou a terra ja vai ter sido destruida ou o câncer curado
X diz: acho que é mais provavel a 1ª opção. temos que ser otimistas, né…

Sabe-se que X obteve nota máxima com o projeto, entregue 2 semanas depois de ocorrida a conversa aqui relatada, e está em liberdade. Alega estar trabalhando em um projeto de iluminação revolucionário, ambentalmente correto, com uso de material reutilizado. Infelizmente, o cantil de resfriamento instantâneo não pôde ser desenvolvido, por conta das limitações tecnológicas da universidade. Nunca saberemos, então, das intrigantes consequências que atingiriam o mundo através de tal invento.


*nomes não revelados para preservar a integridade física das pessoas envolvidas.

(soundtrack: Kaiser Chiefs – Ruby)

come fly with me

Como o Aeroporto Internacional Dois de Julho (ou Luís Eduardo Magalhães, como queiram) já é quase meu lar, e como dar mais um relatóriozinho de viagem ficaria aborrecido – até porque a última vinda pra casa foi mesmo um tanto aborrecida – , vou fazer… adivinhem! uma listinha de pequenas experiências aeropórticas no eixo Recife-Salvador (talvez REC-SSA seja mais apropriado, whatever). Então, senhores passageiros, fasten seat belt while seated, e em caso de despressurização da cabine, já sabem, né?

a moça do check-in duvidou que eu fosse maior de idade uma vez. Com minha carteira de identidade na mão. Mas mesmo assim, me chamava de senhora.
já fui fazer check-in no guichê errado, e a moça (outra) levou um tempão pra descobrir que o vôo 1607 era de outra companhia. A mala quase foi despachada mesmo.
a livraria do aeroporto de Recife tem um sofá enorme e macio de couro, mas nunca consegui passar mais de meia hora lá. Já a de SSA é menor e não tem nem um mísero pufe. Mas foi nela que eu fiquei, da hora que abriu (6:00, eu acho) até entrar na sala de embarque.
já quase paquerei o carinha da loja de cds de SSA, só pra dar mais um tempinho de escutar Carioca inteiro. Porque eu tinha tempo e estava entendiada, ora! Deve ser Lucas o nome dele, eu acho.
já cochilei no banheiro.
já cochilei na frente da loja de cds, assistindo o show de Ivete.
já cochilei na livraria de SSA.
já cochilei no avião, e quando acordei, devia ter umas 5 pessoas dentro, e eu provavelmente ia parar em Guarulhos se não acordasse naquela hora.
já cochilei na sala de embarque (mas aquelas poltronas macias e reclináveis de couro são mesmo um pecado, e o vôo atrasou 40 minutos) e acordei com meu nomezinho sendo chamado no alto-falante, porque, aparentemente, só faltava eu pra o avião decolar.
já perdi um estilete na revista da bagagem de mão. E o pior é que era bom, com travinha e lâmina nova. Mas realmente, sou muito perigosa com uma arma de corte dentro do estojo, meus lápis de desenho que o digam…
já quase tive minha bagagem extraviada no desembarque. E o funcionário do aeroporto ainda olhou pra mim como se a culpa fosse minha por ter confundido a esteira das malas do meu vôo com a de outro. Pô, era 1 da manhã e eu estava com sono, tonta e desesperada de ver que só tinha sobrado eu lá na esteira. Deprimente.
já viajei sem nenhum contratempo.
já viajei com todos os contratempos.
minha bagagem já deu excesso (ainda bem que eu sou pequenininha e o cara do check-in era legal), por causa da singela coleção de canecas que tinha que levar pra casa.
já quase confundi minha mala com outra igual, igualzinha, na esteira do desembarque. A sorte foi que nesse dia, tinha um chaveiro enorme com meu nome escrito preso nela (na minha), porque uma vez na vida eu fui esperta e lembrei de todos os detalhes.
já tive que pegar táxi pra ir do aeroporto pra casa, porque era meio-dia e não tinha ninguém pra ir me buscar. É deprimente não ter ninguém te esperando.
já tive crise de choro no banheiro, por causa de um monte de coisas dando errado.
já passei a noite no aeroporto. As 12 horas mais chatas e insuportáveis dos últimos tempos, não por ter que ficar lá, mas por estarem todas as lojas fechadas, um frio glacial, e por não ter uma chaise fofinha de couro pra eu dormir.
consegui, em menos de 12 horas, escutar o show inteiro de Ivete Sangalo uns 3 milhões de vezes. Tocava em todas as lojinhas, passava em todas as tvs, deve ter deixado sequelas permanentes no meu subconsciente.
já li uns 3 livros inteiros esperando em aeroporto.
já almocei um milk-shake de Ovomaltine do Bob’s. Aliás, é muito difícil eu não comer porcaria no aeroporto.
já viajei duas vezes com a mesma aeromoça. E parece que ela me reconheceu vagamente também, quando disse isso a ela. Érica (Erika, Hérica, Hérika, whatever) não-sei-de-quê.
já quis fazer algo bem perverso com a criatura que ficou na janela da minha fileira na última viagem. Ela fechou a janela na hora da decolagem, e isso em uma bela manhã de sol. A visão do sol na horizontal é uma das coisas que fazem valer a pena viajar de avião, e a infeliz cometeu o sacrilégio de fechar a janela. Hunf.

Tenho que parar, que tá ficando trash. Espero que venham mais historinhas por aí, até porque eu gosto de aeroportos e tudo que vem com eles. Só me lembrem de nunca mais fazer de novo o que topei dessa última vez. 12 horas num aeroporto-fantasma, sozinha e com déficit de sono, não são nada legais. Ah! em caso de pouso forçado no mar, os assentos são flutuantes.


(soundtrack: Chico Buarque – Você Vai Me Seguir)

outros sonhos

De repente, de uma hora pra outra, eu estava toda cheia de esperanças. Por uma coisa que já parecia sem remédio, porque parecia humanamente impossível conseguir, na véspera do show, um ingresso pra ver meu amor. Depois de ouvir histórias de gente que teve que acampar na porta dos pontos de venda, e estar lá as 4 da manhã pra conseguir uma entrada, 1 mês antes do show, e pior: de gente que esperou 13 horas na fila e os ingressos esgotaram antes, já estava aceitando razoavelmente o fato de Chico ser nada mais que um amor platônico, um ídolo distante, que a gente nem sabe se existe mesmo quando não vê ao vivo.

Mas, como diz o mestre Joseph Climber, a vida é uma caixinha de surpresas. E por causa de tanta confusão que aconteceu, a produção do show resolveu abrir mais um dia, e segunda-feira da semana passada, já estavam à venda ingressos pro domingo, dessa vez sem chance pra cambista, exigindo documentos, tudo como devia ter sido feito desde o começo. E eu só faltei matar todos que não me avisaram disso. Anyway, comecei a ficar animadinha, e por 5 dias, tentei insistentemente me comunicar com a bilheteria do teatro, até que (ooooh!) no sábado à tarde, alguém teve a boa vontade de atender o telefone e dizer que sim, ainda havia ingressos.

E lá vou eu, dentro de um animado Rio Doce – CDU, pra Olinda, acionar a família toda e mais um pouco pra realizar meu sonho, atravessar a Agamenon (a avenida mais punk que já atravessei, adrenalina pura!!), dar uma voltinha no Tacaruna pra achar um caixa do Bradesco, gastar meus dedinhos e os créditos do celular pra conseguir, já perto de 8 da noite, comprar o tão desejado (e caro) ingresso, e conseguir quem me levasse pra casa depois do show. E assim, num esforço conjunto de gente que talvez nem saiba do que estava fazendo, e com zilhões de variáveis que podiam dar errado, tudo encaixou direitinho.

E no domingo, eu dormi mais pra o tempo passar rápido, e estava feliz como uma menina apaixonada. E cheguei lá mais de 2 horas antes do início previsto, e isso foi o ponto alto: ninguém avisou ao público do domingo que o show não iria começar às 21h, como tinha no ingresso, e sim às 19h. Realmente achei bem estranho o tanto de gente no saguão, quando pensei que fosse ficar solitária e ansiosa, esperando o movimento começar. Pois começou na hora em que pus o pé lá dentro. Nem deu pra tirar a clássica foto no painel enorme (que mamãe tem), nem encontrar ninguém, nem nada. Ora, eu fui ver Chico, e era só pra isso que estava ali.

E ele começou dizendo que tinha voltado a cantar, porque sentiu saudade, e que estava na boca do povo, cantando. E o público, que misturava fãs de antigamente e de hoje, meninas e senhoras apaixonadas, socialistas endinheirados, foi ao delírio. Depois, quando cantou que ela bambeia, cambaleia, é dura na queda, custa a cair em si, foi uma das coisas mais emocionantes que já ouvi na vida, porque era justamente sobre o fiapinho de sonho que ficou em mim o tempo todo, pra vê-lo de perto. Não entendi uma palavra de O Futebol, que não conhecia, e pouquíssimas de A Bela e a Fera e Ela é Dançarina, embora essa seja uma das mais fofas. E fiquei toda besta porque, no meio de um monte de pseudo-fãs, eu sabia a letra de todas as músicas do disco novo e quase todas das outras tantas. Foram muitas, mais de 30. E aí duas doidas invadiram o palco. Queria que fosse eu uma dessas meninas, queria ter coragem. Chegaram junto, tiraram foto, uma tentou tascar um beijo nele, e só fiquei com vontade de gritar, tamanho era o despeito, pra a sujeitinha acordar, que ele não era o Bono.

As palmas meio animadinhas pra a morena d’Angola que leva o chocalho amarrado na canela foram engraçadas. Ninguém sabia se devia ficar solene ou soltar toda a emoção de respirar o mesmo ar que Chico. Eu pelo menos não sabia. Não sabia se fechava os olhos pra deliciar ainda mais os ouvidos ou deixava os dois bem abertos, porque eu já sabia, meu Deus, tão fulgurante visão não se produz duas vezes no mesmo lugar. Fechei quando ele disse que o amor não tem pressa, ele pode esperar, porque simplesmente adoro essa maneira de encarar as coisas. Eu esperei, em silêncio, até achar quetinha alguma chance, e consegui ver meu amor dos olhos verdes.

Vi a lua cris, vi o avesso da montanha, o cenário era a coisa mais genial do mundo. E ficou de todas as cores. E brilhava em todos os ritmos. Adorei as músicas que ele canta no feminino, especialmente a Palavra de Mulher, que diz que vai voltar. O ponto alto foi quando Wilson das Neves subiu no palco pra cantar junto, e Chico arriscou um sambinha, que acabou na coreografia de Coisinha de Jesus. Aí, a reverência já tinha ido pro espaço. E o teatro paralisou quando ele saiu na carreira, sem olhar pra trás e nem jamais dizer adeus.

Mas todo mundo sabia que ele voltava, pra dizer que são 10 horas e o samba tá quente, deixa a menina contente. E foi aí que eu corri pro pé do palco (ou quase, que já tinha muita gente mais saidinha do que eu) e consegui ver que ele sorria e parecia feliz. Como se estivesse mesmo com saudade. E até arrisquei um sambinha, porque o clima me contagiou e meu vestido era rodado. E curti. Curti tudo, toda a felicidade, até o fim, até ele sair de verdade depois do segundo bis, sumir no mundo sem me avisar, e agora eu era louca a perguntar o que é que a vida vai fazer de mim.

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e por sonhar o impossível, ai…
(soundtrack: Chico Buarque – Porque Era Ela, Porque Era Eu)

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