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15 coisas aleatórias sobre mim

- não sei dirigir. Quando tinha uns 15, 16 anos, o que eu mais queria era ter 18 anos e aprender. Mas quando cheguei nos 18 e tava na hora de fazer auto-escola, mudei de cidade, comecei a estudar and trabalhar and andar de ônibus. E vivo muito bem assim. Hoje só quero ter um carro se ele sair completamente de graça pra mim (IPVA, seguro, combustível, revisão, multa, tou fora), mas ainda esse ano arrumo tempo e vergonha-na-cara e aprendo a dirigir, pra levar Namorado de volta pra casa depois de algumas cervejas.

- adoro um friozinho, artigo raro em Hellcife ultimamente. Me senti extremamente bem em SP no início do ano, de cachecol, meia-calça e casaquinho.

- mas também adoro uma praia, coisa de menina baiana criada a duas quadras do mar. Adoro comida de praia, água-de-côco, moqueca de peixe, camarão, petisquinhos de cabana de praia. Sinto a maior falta disso.

- não consigo gastar dinheiro com salão de beleza. Sério mesmo, acho um desperdício, só recorro quando quero fazer alguma coisa ultra-mega-difícil no cabelo, que não dá pra fazer eu mesma. E que dure um bom tempo. Mas sou vaidosa, adoro coisas-de-mulherzinha. Adoro hidratante, esmalte vermelho, maquiagem, prendedores-de-cabelo, perfume bom. Só não pago um absurdo por isso (ok, abre aí uma exceção pro perfume).

- quando era mais nova, eu era super mão-fechada. Qualquer 50 reais conseguia passar 1 ano na minha mão sem eu mexer. Ultimamente tou mais auto-indulgente e me rendendo a pequenos prazeres como comer num lugar legal, comprar coisinhas bonitas pra casa, ir num show de música boa. Ainda me acho equilibrada, meu cartão de crédito nunca saiu do controle. E sei pechinchar, quando dá, herança do meu avô.

- Jogo de futebol me dá sono. Não consigo assistir 10 minutos sem dormir, ou levantar pra fazer outra coisa. A menos que seja Copa do Mundo. Acho que algo acontece no país inteiro que transforma até os mais anti-esportistas em torcedores animados (e sofredores, às vezes). Minha primeira lembrança de um jogo da Copa foi a final de 94, Brasil e Itália. Lembro de um gol de pênalti que alguém fez, e da comemoração do Bebeto. Eu tinha 6 anos.

- tenho dificuldade em comentar em blogs. Em parte, gosto da idéia de ver sem ser vista, ainda que no fim, eu seja mais um número no contador. Tem também a coisa do “não tenho opinião formada sobre o tema”, ou “tanta coisa na internet pra ser lida e eu aqui perdendo tempo comentando”, ou simplesmente “tou com preguiça de escrever qualquer coisa”. Talvez por causa disso, tou lendo bem menos blogs onde comentário é sinal de carinho. Ajuda a não pesar a consciência.

- adoro escrever no Bloco de Notas. Mais do que na caixinha do WordPress. Mais do que no papel (a propósito, este post nasceu no Bloco de Notas). Gosto de escrever ouvindo música também, mas aí não pode ser em português, porque me confunde. E gosto de escrever à meia-luz.

- a propósito, odeio luz forte em cima de mim. Principalmente aquelas brancas fosforescentes. Já passo o dia todo embaixo de luz branca no estágio, no fim do dia meus olhos precisam de um descanso.

- ainda sobre luz, gosto de brincar com ela. Tornar a luz colorida, mais forte, mais suave, refletir, esconder, um dos meus trabalhos da faculdade foi uma luminária de alumínio cheia de furinhos, dá um efeito interessante na parede. Adoro velas também, e o efeito que elas dão ao ambiente. Principalmente as que tem cheirinho. Sim, eu sou romântica.

- mas em um ano e pouco de namoro, não dei apelidinhos fofos pra Namorado. Eventualmente, chamo de meu amor. E só. Acho que me sentiria muito idiota chamando qualquer pessoa de “meu ursinho”, “meu txutxuquinho” ou coisas afins. Mas a gente brinca com essas coisas. Ontem ele me chamou de “minha amebinha”. Levou tapa.

- me sinto completamente desprotegida sem meu caderninho de notas aleatórias. Quando não levo ele comigo, fica aquela sensação ruim de que a qualquer momento vou ter uma idéia, e não tenho onde colocar, e ela vai se perder. E escrevo de tudo no caderninho: to-do lists, planejamentos financeiros mensais ou específicos pra uma coisa (que acabo não cumprindo), listas de compras, resoluções de ano-novo, como tou me sentindo naquele exato momento, layouts de página, e às vezes um “eu te amo”, que deixo na mesa de Namorado (mas isso é raro, odeio arrancar páginas).

- gosto de reler as coisas que escrevi, e normalmente gosto do que escrevo.

- ultimamente tou pensando tudo em listas e tópicos. Deve ser uma necessidade urgente de me organizar e compartimentalizar as coisas, senão eu enlouqueço. espero não estar desenvolvendo um estágio inicial de TOC.

- tenho uma certa agonia de números pares, por isso são 15 coisas aleaórias, e não 14. (isso evidenciaria um estágio inicial de TOC?)

(soundtrack: David Bowie – Space Oddity)

confissões de uma designer em crise.

A pergunta da vez na turma de Design 2006.1 é “em quanto tempo você se forma?”. Eu já tinha pensado um bocado no assunto durante as férias, e resolvi, super tranquila e feliz da vida, que não estava com pressa. Que era melhor fazer as coisas direito do que fazer rápido. Que, basicamente, eu ia terminar todas as cadeiras até o final do ano, e depois fazer o PG, na maior calma, e com a cabeça um pouqunho mais madura, até pra resolver de verdade o que eu quero. Tou naquele momento de pensar, pensar, pensar, torrar os miolos e não fazer a mínima idéia do que é que eu vou fazer da vida quando sair da federal. Já considerei até prolongar por mais 2 anos a convivência deliciosa com o CAC e tudo que tem nele, fazendo mestrado em algo-que-não-sei-o-que-é-ainda. Mas sinceramente, não quero ser professora. Aliás, neste exato momento, eu só tenho certeza do que eu não quero fazer.

Não quero ficar correndo atrás de um monte de moleques de 20 anos, quando eu tiver quase 30, cobrando exercícios, seminários e projetos, num curso onde quase ninguém dá a mínima pra prazos e requisitos. Também não quero viver de freelance. É incerteza demais até pra mim, que sempre odiei rotina. Não consigo mais viver com a perspectiva de ganhar uma grana preta num mês e nada do outro. Não quero trabalhar na frente do computador o dia todo, não quero chegar ao ponto de sonhar com as paletas do Photoshop e as grades do inDesign, só porque fiz disso a minha vida em horário comercial. Não quero trabalhar de casa, acho que não funciona pra mim. Preciso de disciplina. Preciso também de um contato constante do lápis como papel, é aí que as idéias se traduzem. Não quero morrer de calor numa oficina fazendo prototipagem também. Sim, eu achava isso o máximo no terceiro período, mas sinceramente, não é vida. Não quero trabalhar com web. Sim, é o futuro, eu sei. Mas tá cada vez mais difícil inovar, com tanta coisa se sobrepondo na rede.

Preciso de uma idéia genial. Ultimamente tudo que tenho feito é me encher de referências, repertório visual, um monte de conhecimento solto que sim, pode me servir de alguma coisa, mas é tão remoto, sabe. Tão… incerto.

No início do curso, eu queria trabalhar com produto. Cheguei e descobri um mercado altamente fechado, e o que aprendi a fazer nas disciplinas de produto não foi design. Ou foi pouquíssimo. Depois, paguei umas cadeiras de moda. Me fascinei com o tanto de informação que uma peça de roupa pode carregar, e criei coisas. Tudo muito abstrato e não-aplicável à vida real. Parece que a própria faculdade não é aplicável à vida real, e isso é triste. Aí comeceia ler blogs de moda, e fui descobrindo que tem uma galera legal, mas que o mundinho fashionista é muito, muito cruel. E eu fico sentindo que não tenho a garra pra enfrentar um mercado onde a cada segundo alguém faz uma coisa nova, que torna a grande descoberta da semana passada completamente obsoleta (by the way, carrot pants e ombros marcados me cansam. Acho ridículo. Prontofalei).

Tudo que a gente ouve dentro do curso é “se garanta no que você faz, que o mercado sabe reconhecer quem é bom. Diploma não adianta muita coisa na hora de ser contratado, o que conta é seu portfolio e sua vontade de trabalhar”. Isso me dá medo. Descobri que a coisa toda pra se dar bem na vida não é educação, não é estudo. É pura prática. E pra ganhar prática, salvo raras exceções, você precisa quebrar a cara às vezes. Precisa trabalhar de graça pra mostrar que sabe, que seu trabalho é bom. E aí eu fico assustada. Porque, em 3 anos de curso, indo pro quarto, ainda não fiz nada assim absurdamente bom, que olhando pra meus trabalhos, eu me contrataria, sabe. E foi tudo sempre muito acadêmico, muito guiado por uma restrição do professor, não do mercado.

Agora tou me interessando por tipografia, uma reviravolta totalmente inexperada em tudo que eu achava que queria. Dá um nó na cabeça, eu comecei o curso querendo criar coisas palpáveis, produtos, ter fama internacional, participar do salão do móvel de Milão, e agora tou fascinada por letras, que são simples e cotidianas, e de certa forma, abstratas. Mas me apaixonei pela história do desenho das letras, uma coisa que ninguém imagina que seja tão complexa, e ao mesmo tempo, tão natural, tão lógica. Tou pagando cadeiras que, segundo quem pagou antes de mim, são “pra abrir a cabeça”. Cani um dia desses me disse que é perda de tempo ficar se limitando, dizendo “eu faço design de produto” ou “eu faço design gráfico”, ou “eu faço moda”. Que o que importa é o processo, que no fim das contas é igual pra todo tipo de projeto.

E aí eu resolvi abrir as janelas. Tá tudo muito confuso ainda, eu não sei pra que lado olhar. Uma coisa é fato, preciso de uma idéia genial.

(ok, vou confessar, bateu uma frustraçãozinha quando eu vi gente da minha turma matriculada em PG1. Veio como se fosse um “e aí, você não vai nem tentar?” de lá do fundo, da parte de mim que é a primeira da turma sempre. Fato é que só uns 20% da turma vão conseguir se formar no tempo certo, então tou tentando não ficar na neura com mais essa ainda.)

(soundtrack: da trilha de Weeds, não sei quem canta, mas a música original é de Malvina Reynolds [who?] – Little Boxes [extremamente apropriada pra fim-de-faculdade-começo-de-real-life])

cheguei.

Pra todo mundo que conseguiu chegar daqui, sejam bem vindos. Pra quem não tem a menor idéia do que eu acabei de falar, bem vindos também, à casa nova, êeeeeee. (esclarecendo: acabei de chegar do blogspot, depois de 2 anos lá. Não tive nenhum problema, não perdi tudo que tinha lá, nada. Enjoei, só isso. Mulher tem dessas coisas.)

Eu devia escrever um texto de verdade, algo que conseguisse emocionar alguém, ou que fosse engraçado, ou genial, digno de um post de estréia. Podia também continuar a vida do blog como se nada tivesse acontecido, como se eu estivesse num sofá e fosse pra a poltrona do outro lado da sala. Eu podia explicar todo o processo criativo até chegar no que vocês estão vendo (porque quando tô trabalhando numa cara nova, ou numa casa nova pra o blog, fico obsessiva e workaholic como em final de período), e acabar com a graça de todas as coisinhas do balão. Mas sinceramente, tô morta de cansada, e minha coluna não aguenta mais 5 minutos sentada na frente do pc. Dona Paula, que me ajudou um bocado e já passou por isso sabe como é.

Mas pra não passar em branco, tem novidade no primeiro dia de blog novo, êeeee! Finalmente comecei meu projeto 365days, coisa que eu queria desde que ouvi falar pela primeira vez. Basicamente você posta uma foto sua em algum lugar (blog, fotolog, flickr, whatever) todos os dias durante um ano. A foto tem que ser clicada por você, e tem que mostrar um pedacinho – um milímetro que seja – do seu corpo. Não vale trapacear, e colocar foto antiga, ou até mesmo de ontem. Não vale postar 2 fotos no mesmo dia, pra compensar o atrasado, e nem adiantar postagens. É uma por dia e pronto. Pra mim é um desafio, eu que já bati a marca de 2 semanas sem escrever no blog, e relutei um bocado antes de começar. Já quis começar no primeiro dia do ano, e no aniversário do blog, e no meu aniversário, mas o estalo não veio. Veio agora. E apesar de não ser um exemplo de disciplina, estou seriamente determinada a levar isso pra frente. Até 13 de julho de 2009, se tudo der certo. E vocês vão me ajudar.

Seguinte: vou postar as fotos no flickr, na minha galeria (que não tem nada ainda, só o 365days mesmo). As atualizações aparecem aqui no blog, na barrinha aí do lado – ai como eu amo essas frescuras! -, super fácil pros curiosos. Se quiser ver grande, é só clicar. Ah, sim. Resolvi começar sem botar legenda e sem dar explicação de nada nas fotos. Quando tiver afim, comento aqui no blog sobre. Afinal, a quem estou tentando enganar, isso tudo é mais pra mim do que pra qualquer outra pessoa. Que nem o blog, e tudo que eu faço pra deixá-lo mais bonito e mais do meu jeito. Que nem quase tudo que eu faço. Alguém me manda parar de olhar pro meu umbigo, vai.

(soundtrack: Rita Lee – Mania de Você)

você é anti-social?

É uma pergunta que tá rolando no blogworld ultimamente, todo mundo resolveu responder. Olhei no espelho e pensei: será?

Pô, eu não ando emburrada. Eu tenho amigos. Eu tenho msn, e uso. Eu tenho orkut, e uso. Eu tenho celular, e uso. Eu passo mais tempo no mundo real do que na internet, e mais tempo fora do que dentro de casa. Eu não tenho o rosto absurdamente cheio de espinhas, nem o cabelo ensebado (se bem que isso me qualificaria como nerd/emo, e não como anti-social, mas quem liga?). Eu falo alto. Eu tenho creeps (leia a teoria inteira aqui). Isso devia valer pra me tirar de uma vez por todas da listinha dos freaks retraídos, cuja língua o gato comeu. Mas por outro lado…

Demorei quase 1 ano e meio pra ir numa festa da faculdade, e mesmo assim só fui porque era a fantasia.
Não fico sem dormir por causa de noite na farra. Não fico sem dormir por causa de msn. Não fico sem dormir por causa de amor. Meu problema é insônia mesmo.
Boa parte dos meus contatos no msn está bloqueada. São justamente os que conversam demais.
Adoro inverno, porque todo mundo fica automaticamente mais reservado, e eu não tenho que pedir desculpas pro resto do mundo por querer ficar em casa vendo um filme e tomando café ao invés de ir pra a praia. Aliás, a própria praia é controversa pra mim. Gosto dela deserta, e gosto da areia toda pela frente, pra eu andar e ficar melancólica, ou pra ter uma boa conversa com alguém. Gosto do mar, do cheiro e do gosto dele, e do cansaço que dá depois. Mas não gosto de usar biquíni, não gosto do exibicionismo próprio da praia, não gosto de ter pessoas me olhando e vendo se eu tenho ou não celulite.
Não tenho turminha. É engraçado isso, porque me dou razoavelmente bem com todas as turminhas, mas nunca faço realmente parte de nenhuma. Falo com os nerds da faculdade, os nerds do trabalho, os meninos da banda, a galera da cachaça (que abrange também os meninos da banda), as meninas de moda, o pessoal que tá começando a fazer monografia, os calouros (vergonha), as meninas de encadernação, mas se me perguntarem com quem eu ando pra me dizerem quem sou, não sei.
Metade das pessoas que deixou testimonial pra mim no orkut não tem mais orkut.
Quem mais liga pra mim no celular é minha mãe. E eu também não sou de ligar muito. Não gosto de telefone. Uso quando preciso, mas não gosto pra conversar. Algo nele torna tudo muito pessoal, muito espontãneo. Gosto da segurança do backspace.
De vez em quando esqueço o celular em casa (o que significa que não quero falar nem com minha mãe), saio e vou me enterrar no sofá branco da livraria Cultura, o templo das pessoas retraídas.

E essa sou eu em dias normais.

Algumas pessoas têm necessidade de viver mais pra dentro que pra fora. Sou eu. O meu pra fora são as palavras escritas, e o meu pra dentro é uma bagunça que não quero que ninguém se atreva a ver. Nunca consegui contar tudo, tudo mesmo, pra amigo nenhum, e sou muito mais de ouvir do que de falar, quando se trata de relaconamentos. Já falei demais uma vez e me machuquei um bocado, então deve ser um mecanismo de defesa. Falo muito quando tenho um ponto de vista, e tenho que provar que está certo, ou pra contar alguma história boa. Sou muito curiosa, mas guardo as perguntas pra descobrir sozinha, porque seriam muito esquisitas pra dizer em voz alta. Desenvolvi uma capacidade enorme de bisbilhotar a vida das pessoas pela internet, pelo simples fato de ter vergonha de perguntar. Sou tímida, embora pouca gente acredite. Espero as pessoas falarem comigo, e odeio tomar a iniciativa quando estou interessada em alguém. Fico vermelha muito fácil, e talvez parte dessa timidez toda seja porque sou transparente demais com as coisas que sinto. Aí, em vez de me arriscar a demonstrar qualquer outra coisa, começo a rir. E todo mundo diz que sou luminosa, alegre, simpática, espevitada, ninguém vê o que está por baixo. E eu até achava que gostava assim, até perceber que coloco o meu pra dentro num blog público que recebe cerca de 20 visitas por dia. Aí entendi que todo mundo precisa se expor de alguma maneira, deixar saberem o que você pensa, o que você sente, o que aconteceu, pra que o mundo te entenda. A minha maneira é essa.

Acho que não nasci anti-social. Minha mãe conta que quando eu era pequena (1 ano ou 2), eu adorava a casa cheia de gente, e curtia minhas próprias festas de aniversário, e pedia pra as visitas não irem embora, e gostava de me exibir, e falava pelos cotovelos. A concha é que foi ficando mais espessa por causa das coisas que aconteceram. E o bichinho de dentro, mais frágil. Ou não.
..

conclusão:
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jk

.
(soundtrack: Los Hermanos – Sentimental)

sem título

Klimt está em todo lugar ultimamente… deve ser sinal de alguma coisa.
A obra dele é uma das mais femininas que já vi. E cheia de detalhes, e colorida, e delicada, e luminosa. E as mulheres dele têm uma expressão que não consigo explicar direito, mas me parece meio melancólica, como se não estivessem completamente ali, como se tivessem sido presas naqueles mosaicos.

E se alguém quiser me dar ele de presente, tô aceitando..
…..

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O beijo, meu favorito.
off the record: sim, estou inquieta. Até parei de tomar café esses dias, pra ver se durmo um pouco, mas não funcionou. Vi o sol nascer 3 vezes em uma semana. Não consigo me concentrar em nada de útil, tenho medo de não conseguir fazer tudo que tem pra fazer e estou entrando em parafuso. Já tomei chá, já apaguei tudo e deitei a pulso, já botei a trilha sonora mais sonífera que existe, mas meu sono não dura mais de 3 horas. Tenho de vez em quando essas insônias estranhas, mas não desse jeito, com esse descontrole todo. Não sei do que é que eu preciso, só sei que não tô normal. Daqui a pouco começo a comer terra.
(soundtrack: Paul McCartney – No Words)

golpe baixo


consciência:
pronta pra mais um feriado tedioso fazendo trabalhos da faculdade em casa?
eu: ahn… não tinha jeito de deixar tudo pra depois dessa vez não? Eu queria taaaaaanto fazer alguma coisa legal esse fim de semana! Sei lá, um cinema que fosse, tem um tempão que não vou no cinema…
consciência: COMO ASSIM deixar tudo pra depois? Você tem um sistema de ícones inteiro pra fazer, um protótipo bem complicadinho em tecido pra costurar, um monte de caderninhos, um cartaz de show e ainda vai elaborar o questionário da análise do joguinho. Você acha sinceramente que dá pra deixar tudo pra depois?
eu: afe, não grita!
consciência: e você vê se me respeita, viu? Raiai… que é isso agora? Você era tão responsável no começo do curso, que que aconteceu?
eu: tô cansada, só isso. Tô sem conseguir dormir ultimamente, com sono o tempo todo, minhas olheiras aumentam todo dia, tô enjoada da vista magnífica da tela do meu pc, preciso fazer alguma coisa divertida, eu sou humana, pô!
consciência: e aquela história de primeiro a obrigação, depois o prazer? Pense bem, você vai conseguir curtir melhor tudo que tem pra curtir quando não tiver mais nada pendente pra fazer. Não é a coisa mais chata sair e ficar com a cabeça nos caderninhos?
eu:
consciência: além do mais, quem vai te fazer companhia? Tá todo mundo na praia ou viajando!
eu: é, eles não têm uma consciência tirana feito você. E você sabe muito bem que eu saio sozinha sem o menor problema, aliás é até bom pra minha higiene mental.
consciência: jura que você vai sair sozinha, com a cidade do jeito que tá? Com um trombadinha em toda esquina? Com notícia de bala perdida e atropelamento todo dia? Você deu uma olhada na manchete da Folha ultimamente?
eu:
consciência: tá vendo? Não tem nem resposta. Pronto, se aquiete, fique em casa bonitinha fazendo seus trabalhos, você não vai se arrepender. Tem a discografia inteira de Chico Buarque pra escutar…
eu: que já ouvi inteira numseiquantos milhões de vezes…
consciência: e tem coca na geladeira, e além de tudo você tem que dar uma arrumada na casa, que sabe como é Lívia…
eu:
consciência: então pronto. Feche o guarda-roupa, vá fazer um café pra se concentrar melhor, tome um banho e comece logo, que quanto mais cedo você terminar melhor.
eu:

O carinha da seção de romances em língua estrangeira da Cultura não vai me ver esse fim de semana. É, ainda tô tentando acreditar que não sou assim tãaaaao workaholic. Não sou eu, é minha consciência. É uma personalidade totalitária essa dela…

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alguém mais cheio de coisas pra fazer do que eu descobriu que o encosto da cadeira do pc também funciona como travesseiro.

..
(soundtrack: Chico Buarque – Verdadeira Embolada)

C8H10N4O2

- Olá, meu nome é Aline, sou viciada em cafeína e estou limpa há 5 minutos.
[todo mundo]
- Olá, Aline.
- Tudo começou quando fui fazer um exame de vista por causa da miopia. Eu tinha 12 anos, ia precisar usar óculos e estava achando um saco dilatar a pupila e esperar uma eternidade até me mandarem esperar em outra sala, e outra, e outra, e outra… foi aí que eu vi: a garrafa térmica de café, numa mesinha. É verdade mesmo isso que vocês dizem, de evitar o primeiro gole. Não me lembro de ter tomado café antes. Minha mãe conta que quando eu era bem criancinha, pedi café a ela uma vez, o que ela estava tomando. Ela (como toda boa mãe que não quer os filhos hiperativos e com gastrite), fez pra mim uma xícara de Nescafé forte, sem açúcar, e muito quente. Pra eu ficar traumatizada e odiar café pra o resto da vida. Sei lá, se algum psicanalista se atrever a adivinhar o que tem dentro da minha cabeça, provavelmente vai dizer que meu gosto absurdo por café é uma forma inconsciente de rebeldia, que eu fui reprimida na infância, que eu não saí da fase oral e que é tudo culpa da minha mãe.
- Você já foi a um analista?
- Tive umas sessões com uma psicóloga uma vez, por causa do meu comportamento anti-social na escola, mas só lembro que odiava os 50 minutos, e adorava brincar com os cachorrinhos filhotes da casa dela.
- Ok, continue a história do café.
- Sim. Quando tomei o copinho de café do hospital de olhos, achei que era a bebida mais deliciosa qe existia. Talvez tenha sido o tédio de uma tarde inteira sentada com os olhos ardendo, mas o fato é que, depois desse dia, passei a tomar cafezinho em qualquer lugar que me oferecessem, ou que tivesse a garrafa térmica ao alcance, e sabia até dizer qual era o melhor da cidade, e qual eu não tomava mais nunca. A gente não tomava café em casa. Minha mãe e meu pai bebiam café-de-mentira, instantãneo, e desse eu nunca aprendi a gostar. Nunca escondi deles, sabe… isso.
- Bom, já é um ponto positivo. A família precisa conhecer o problema.
- Pois é. Então, um tempo depois, numa daquelas promoções de troque-pontos-por-alguma-coisa, A cafeteira chegou lá em casa. Simples, pequena, daquelas italianas que fazem o café subir com o vapor. Eu estava no último ano de colégio, e precisava de algo que me mantivesse acordada e concentrada durante as aulas, que eram o dia inteiro e às vezes à noite. Foi aí que começou de verdade… hmm…
- A dependência.
- Isso.
- Não se sinta constrangida de falar, você está aqui pra isso.
- Certo. (…) Então, eu nunca fui de dormir muito, desde criança acho isso uma perda de tempo. Quando achei uma coisa que me permitia ficar esperta além dos limites normais… enfim… não dava mais pra passar sem o café de manhã, à noite e nos intervalos do colégio, porque o diretor era muito bonzinho e queria seus alunos concentrados na aula, então deixava sempre uma garrafa à mão. Eu… eu sempre acreditei que ele me ajudava, que me deixava mais inteligente, mais ágil, que eu pensava mais rápido. Não é à toa que café é a bebida dos nerds. Bom, eu passei no vestibular pra Design, numa universidade pública a 1200km de casa. É claro que levei a cafeteira. E as noites acordada ficaram muito mais frequentes. Quando não era trabaho de faculdade, era insônia mesmo. E no outro dia eu estava menos esgotada do que deveria, por causa do café. A xícara virou uma caneca de 400ml, e de uns tempos pra cá, tenho tido dores de cabeça quando não tomo todo dia. Quer dizer, quando não dá tempo de preparar. Um dia desses, um colega meu olhou pra mim sério e disse “Line, diminua o tanto de café que você toma”. E eu sei que preciso mesmo, que isso vai acabar me matando, que eu devo ter uma úlcera do tamanho do mundo no meu estômago, que não sei por que milagre não senti ainda, que meus dentes vão ficar amarelos, mas é tão difícil. Eu preciso dele, sabe… Ontem mesmo tive que passar a noite acordada fazendo uns caderninhos, eu sabia que não ia conseguir se não tomasse… e ainda tem o cafezinho do trabalho, que sai quentinho toda tarde, é demais pra mim.
- Calma, calma. Respira… isso. Tudo que você precisa é força de vontade. Um dia de cada vez, esse é o nosso lema. Tente se afastar de tudo que possa ser tentador. Esconda suas canecas, outro dia você disse que tem uma coleção delas, não é isso?
- É… minhas canecas…
- Então, esconda as canecas, tente não ir a lugares que te lembrem café, sabe… livrarias, a maioria delas tem café, ajude sua mente a se libertar, porque você não precisa de nada que já não esteja dentro de você.
- Isso foi profundo…
[moça da recepção]
- Licença… acabei de fazer café, tá fresquinho, alguém aceita?
..
off the record: não, isso não aconteceu de verdade. Minha imaginação é fértil. Sim, eu sou viciada em café. Não, pessoas que enchem minha cabeça, eu não quero parar. Sim, meus dentes estão um pouquinho amarelos. Não, eu não tenho úlcera, nem gastrite, nem refluxo, nem um buraco no meio do estômago. Ele (meu estômago) deve ser como aquela cheerleader de Heroes, capaz de se regenerar sozinho. Sim, eu tenho dores de cabeça de vez em quando, por falta de cafeína. Não, eu não vou deixar de ir na livraria Cultura nem na Saraiva, nem jogar fora minhas canecas (até porque meus lápis, canetas, escovas de dentes e toda sorte de bugingangas ficariam órfãos sem elas). Sim, hoje é uma noite de insônia.

É, acho que tô tomando muito café…

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(soundtrack: Nirvana – Smells Like Teen Spirit)

Feliz. Só isso. Não experimentava uma coisa assim há um bom tempo. E tudo aconteceu numa terça-feira, o meu dia da semana da sorte. Tomara que seja da sorte pra sempre.

(soundtrack: Oasis – Live Forever)

season premiere

Hibernação stars-hóllica. Estou com medo que acabe. E vai acabar em 5 dias. E até acabarem os 5 dias, estou me entregando completamente ao ócio contemplativo, no sentido mais puro da palavra, coisa que normalmente me deixa inquieta com tanta energia acumulada, mas agora é só a medida do quanto eu precisava descansar. É engraçado pensar que hoje, no horário da minha aula de diagramação, Rory estava ajudando a construir uma casa com um martelo cor-de-rosa cheio de purpurinas.


(soundtrack: Sam Phillips – Love is Everywhere I Go)

season finale

Ontem de madrugada chorei um bocado. Eram umas 5 da manhã (a minha hora do dia), e não tinha sono certo pra me fazer parar com o vício. Último episódio da última temporada de Gilmore Girls. Gente, foi intenso. Não só porque a season finale foi incrivelmente fofa, mas pelo que aconteceu na minha cabeça. Não sei bem como foi, mas de repente era eu ali, indo embora de casa, me formando, terminando com Logan, planejando com minha mãe um roller-coaster tour que não vai acontecer… Aí deu pra ver muita coisa que eu vou sentir um dia, e foi assustador. Ou vai ser ainda, sei lá. Vi – de novo – como sou incrivelmente neurótica, e como a falta do que fazer, e mais ainda, de ter com o que me preocupar, me deixa ainda pior. É esse o problema das férias…
Eu não queria ter tanto tempo sobrando pra pensar no tanto de coisas que eu deixei de lado. Como eu me tornei anti-social, como perdi contato com pessoas importantíssimas que me fazem uma falta enorme, e agora simplesmente não dá pra voltar, não tem clima. nem motivo, na verdade. nem assunto.

Eu não queria ficar triste. Eu não queria que esss coisas todas ficassem gritando na minha cabeça. Eu não queria ficar melancólica toda vez que ando na praia, ou toda vez que vejo GG, ou toda vez que passo por um lugar onde aconteceu alguma coisa boa e distante. Semana passada, por exemplo, me vi quase chorando na AABB, de saudade da turma de 3o ano, porque nossa última reflexão (passeio de fim de ano com a turma toda) tinha sido lá, e foi memorável.

Eu não queria ter que me livrar de tudo isso um dia, porque sou idiota e sentimental em tudo o que se refere a lembranças. Mas vai acontecer, tem que acontecer, senão eu não aguento o peso. Talvez o pior seja pensar que nada num futuro próximo pode ser a longo prazo. Não tem como durar. Eu sempre vou ter que ir embora, sempre vou ter essas escolhas torturantes pra fazer, e a certeza de ter feito a coisa certa não vai bastar, eu vou sempre me encher de saudades e histórias impossíveis.

Eu quero só, agora, que as aulas recomecem, e me dêem motivos pra me preocupar, e me afastem dos meus fantasmas. Quero que a temporada comece. Quero ficar com a cabeça cheia de coisas importantes e urgentes. Eu entendo os workaholics. Acho que sou uma.

Eu não queria ser tão cheia de neuras, e nem queria me entender tanto. é como se tivesse um analista, desses que adivinham tudo, dentro da minha cabeça. é perturbador. Eu queria conseguir virar as costas. eu queria não querer saber. Eu queria chorar mais, do jeito que foi a madrugada de ontem, porque depois de tudo, fui dormir com uma calma enorme e uma saudade imensa não sei do quê. Chorar bem muito, até tudo ir embora e só ficar o presente. Aí eu viveria o presente e ponto. Eu acho que estou pirando.
(soundtrack: Sam Phillips – How To Dream)

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