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rapidinhas e aleatórias

. tou com a mente hiperativa. Sério, uma dificuldade enorme de me concentrar pra fazer as coisas, minha cabeça fica girando em círculos, pensando no que eu tenho que fazer quando chegar em casa. Aí, quando eu chego em casa, fico pensando no que tenho que fazer amanhã, e assim sucessivamente. Meu caderninho-de-anotações gerais tá uma zona, hoje eu desisti de procurar a borracha pra apagar umas coisas que eu não vou precisar mais fazer, e risquei por cima. Meu caderninho. Todo fofo. Riscado. Que vergonha. Mas era uma agoniazinha que eu precisava externalizar, e ao mesmo tempo ficar olhando pra aquela coisa que eu tinha que fazer antes mas não tenho mais ia me confundir.

. tenho ficado um pouquinho mais amiguinha do twitter ultimamente. Nunca acreditei em microblogging, continuo achando que 140 caracteres não dão pra nada em termos de desenvolver um pensamento, mas tou começando a gostar da idéia de transferir minhas notas mentais aleatórias pra um lugar que eu possa ver mais tarde. E ontem me peguei falando sozinha conversando com meus tweets. Bizarro, né. Mas por aí dá pra ter uma idéia da inquietação mental da qual estou sendo vítima. De todo jeito, não acho que meu twitter vai bombar, me seguir não vai valer de muita coisa.

. quero um feriado. Às vezes eu tento me achar super sortuda por trabalhar no mesmo lugar que Namorado, tem casais que só se vêem em fins de semana e olhe lá, que bom pra mim que ainda consigo olhar pra ele por trás do ombro de vez em quando e dar uma piscadinha. Mas os céus não foram muito generosos com a gente esse período, e basicamente, tamos com horários opostos no estágio (ok, pra não dizer que são completamente opostos, ainda vejo B por 2 horas na terça-feira e 1h e meia na quinta, tá bom assim?). Eu não estou acostumada com isso, prontofalei. Tem dias que me bate uma carência enorme, uma vontade de abrir o skype e mandar um link de qualquer besteira/coisa fofinha/nerdice que eu acabei de ver na internet, mas ele não tá. E nem almoçar junto a gente consegue direito, por causa de uma cadeira from hell (dele, não minha) que acontece de meio-dia às duas, 2 vezes por semana. Aí, só sobram mesmo o sábado e o domingo pra ficar junto, e pra mim é pouco. Quero um feriado. Por semana. De preferência na sexta.

. por outro lado, tou adorando todas as cadeiras que escolhi pagar esse período. Um dos exercícios pra semana que vem, da cadeira de tipografia, envolve cupcakes ^^. Sim, cupcakes. Amanhã vou rodar o centro atrás de um bico pra glacê e forminhas pra os dito-cujos. Vão ser 26, e cada um terá uma letra do alfabeto – projetado por mim numa malha de 9×9 bolinhas – desenhadinha em cima, how cute is that? Já tou planejando fotografar váaaaaaaaaaaaaaarias palavras feitas com os bolinhos antes de comê-los entregar o trabalho pronto. Só espero que a receita de glacê totalmente inventada por mim (creme de leite + chocolate do padre. Tá, não é glacê, mas serve como, já que eu não tenho batedeira, e não vou bater 3 claras em neve na mão, néam?) dê certo e fique macia e consistente o bastante pra dar pra desenhar as letras. Gostoso eu sei que fica.

. tive um sonho estranho essa noite. Eu, minha mãe e meu avô em São Paulo comendo algo que parecia a trouxinha de cenoura com ricota do Hare, num restaurante árabe (??????). E meu avô ainda tinha encontrado sabe-se-lá-onde um prato de porcelana igual ao de um jogo que minha vó tem, e que eu, teoricamente teria quebrado o original (detalhe: nunca lembro de ter quebrado pratos na casa de minha vó, ela sempre usou pratos de inox, mas o prato do sonho lembrava a louça da casa de Namorado – e não, nunca quebrei prato nenhum lá). Alguém me explica?

. vou diagramar um livro de 300 páginas, mais ou menos. Mesmo trabalho que fiz ano passado, mas a idéia dessa vez é guardar a grana de verdade. Tenho pouco mais de um mês pra fazer isso. É complexo. Vai me tomar um tempo absurdo, algumas noites sem dormir, alguns fins de semana sem namorar.Vai me dar olheiras. Possivelmente, vai ocupar o dia do meu aniversário. Mas dessa vez eu sei o que tou fazendo, li um livro sobre e tou começando outro, e dá certinho com essa minha experimentação com tipografia, texto e página que tou gostando tanto. No fim das contas, é mais bom do que ruim.

. meu aniversário. Em anos anteriores, já passei meses fazendo contagem regressiva e listando presentes, e imaginando como seria a festa surpresa que iam fazer pra mim. Dessa vez, só fui lembrar que falta menos de um mês pro meu dia quase agora. Não sei, dizem que depois dos 20, tudo passa infinitamente mais rápido, e a gente no fundo no fundo não quer mais contar tanto os dias. Eu não tenho (nem teria motivos pra ter) neuras com “tou ficando velha”, porque por favor, né. Um dia desses o aeromoço comissário de bordo virou pra mim e pra Namorado, pra perguntar se a gente tinha idade pra viajar sozinhos de avião. Quem não me conhece, me dá 16, 17 anos. Nessas horas é bom ser mignon e ter peito pequeno, heh. Mas voltando ao assunto principal “eu-não-me-liguei-que-vou-fazer-aniversário-até-um-dia-desses”, talvez seja só coisa demais na cabeça. (Ainda acho que aniversário é a data mais importante do ano, pra qualquer pessoa. É quando ela deve se sentir única, como se só tivesse ela no mundo, e todas as suas vontades fossem a coisa mais importante. Naquele dia. Ainda quero meu dia assim. Só quero com menos antecedência dessa vez.)

(soundtrack: She and Him – I Thought I Saw Your Face Today)

confissões de uma designer em crise.

A pergunta da vez na turma de Design 2006.1 é “em quanto tempo você se forma?”. Eu já tinha pensado um bocado no assunto durante as férias, e resolvi, super tranquila e feliz da vida, que não estava com pressa. Que era melhor fazer as coisas direito do que fazer rápido. Que, basicamente, eu ia terminar todas as cadeiras até o final do ano, e depois fazer o PG, na maior calma, e com a cabeça um pouqunho mais madura, até pra resolver de verdade o que eu quero. Tou naquele momento de pensar, pensar, pensar, torrar os miolos e não fazer a mínima idéia do que é que eu vou fazer da vida quando sair da federal. Já considerei até prolongar por mais 2 anos a convivência deliciosa com o CAC e tudo que tem nele, fazendo mestrado em algo-que-não-sei-o-que-é-ainda. Mas sinceramente, não quero ser professora. Aliás, neste exato momento, eu só tenho certeza do que eu não quero fazer.

Não quero ficar correndo atrás de um monte de moleques de 20 anos, quando eu tiver quase 30, cobrando exercícios, seminários e projetos, num curso onde quase ninguém dá a mínima pra prazos e requisitos. Também não quero viver de freelance. É incerteza demais até pra mim, que sempre odiei rotina. Não consigo mais viver com a perspectiva de ganhar uma grana preta num mês e nada do outro. Não quero trabalhar na frente do computador o dia todo, não quero chegar ao ponto de sonhar com as paletas do Photoshop e as grades do inDesign, só porque fiz disso a minha vida em horário comercial. Não quero trabalhar de casa, acho que não funciona pra mim. Preciso de disciplina. Preciso também de um contato constante do lápis como papel, é aí que as idéias se traduzem. Não quero morrer de calor numa oficina fazendo prototipagem também. Sim, eu achava isso o máximo no terceiro período, mas sinceramente, não é vida. Não quero trabalhar com web. Sim, é o futuro, eu sei. Mas tá cada vez mais difícil inovar, com tanta coisa se sobrepondo na rede.

Preciso de uma idéia genial. Ultimamente tudo que tenho feito é me encher de referências, repertório visual, um monte de conhecimento solto que sim, pode me servir de alguma coisa, mas é tão remoto, sabe. Tão… incerto.

No início do curso, eu queria trabalhar com produto. Cheguei e descobri um mercado altamente fechado, e o que aprendi a fazer nas disciplinas de produto não foi design. Ou foi pouquíssimo. Depois, paguei umas cadeiras de moda. Me fascinei com o tanto de informação que uma peça de roupa pode carregar, e criei coisas. Tudo muito abstrato e não-aplicável à vida real. Parece que a própria faculdade não é aplicável à vida real, e isso é triste. Aí comeceia ler blogs de moda, e fui descobrindo que tem uma galera legal, mas que o mundinho fashionista é muito, muito cruel. E eu fico sentindo que não tenho a garra pra enfrentar um mercado onde a cada segundo alguém faz uma coisa nova, que torna a grande descoberta da semana passada completamente obsoleta (by the way, carrot pants e ombros marcados me cansam. Acho ridículo. Prontofalei).

Tudo que a gente ouve dentro do curso é “se garanta no que você faz, que o mercado sabe reconhecer quem é bom. Diploma não adianta muita coisa na hora de ser contratado, o que conta é seu portfolio e sua vontade de trabalhar”. Isso me dá medo. Descobri que a coisa toda pra se dar bem na vida não é educação, não é estudo. É pura prática. E pra ganhar prática, salvo raras exceções, você precisa quebrar a cara às vezes. Precisa trabalhar de graça pra mostrar que sabe, que seu trabalho é bom. E aí eu fico assustada. Porque, em 3 anos de curso, indo pro quarto, ainda não fiz nada assim absurdamente bom, que olhando pra meus trabalhos, eu me contrataria, sabe. E foi tudo sempre muito acadêmico, muito guiado por uma restrição do professor, não do mercado.

Agora tou me interessando por tipografia, uma reviravolta totalmente inexperada em tudo que eu achava que queria. Dá um nó na cabeça, eu comecei o curso querendo criar coisas palpáveis, produtos, ter fama internacional, participar do salão do móvel de Milão, e agora tou fascinada por letras, que são simples e cotidianas, e de certa forma, abstratas. Mas me apaixonei pela história do desenho das letras, uma coisa que ninguém imagina que seja tão complexa, e ao mesmo tempo, tão natural, tão lógica. Tou pagando cadeiras que, segundo quem pagou antes de mim, são “pra abrir a cabeça”. Cani um dia desses me disse que é perda de tempo ficar se limitando, dizendo “eu faço design de produto” ou “eu faço design gráfico”, ou “eu faço moda”. Que o que importa é o processo, que no fim das contas é igual pra todo tipo de projeto.

E aí eu resolvi abrir as janelas. Tá tudo muito confuso ainda, eu não sei pra que lado olhar. Uma coisa é fato, preciso de uma idéia genial.

(ok, vou confessar, bateu uma frustraçãozinha quando eu vi gente da minha turma matriculada em PG1. Veio como se fosse um “e aí, você não vai nem tentar?” de lá do fundo, da parte de mim que é a primeira da turma sempre. Fato é que só uns 20% da turma vão conseguir se formar no tempo certo, então tou tentando não ficar na neura com mais essa ainda.)

(soundtrack: da trilha de Weeds, não sei quem canta, mas a música original é de Malvina Reynolds [who?] – Little Boxes [extremamente apropriada pra fim-de-faculdade-começo-de-real-life])

o ateliê, ou crise de nostalgia recente

Ontem me peguei debruçada no murinho do 2º andar do CAC, olhando de cima o ateliê. Seis meses atrás era eu quem estava ali, lixando, polindo, ficando nervosa. E fazendo amigos.

Sim, o ateliê é o lugar perfeito pra fazer amigos. Enquanto as mãos se ocupam de seja lá qual for a peça que você tem que entregar terça que vem, a mente fica livre pra viajar por todos os lugares possíveis e imagináveis, e pra conversar com quem esta do lado na mesa, um pouquinho mais ou um pouquinho menos cheio das mesmas coisas pra fazer do que você. E é assim, contando o número de noites sem dormir e o tamanho do cansaço, e rindo da desgraça própria e da alheia que a gente vai se conhecendo.

Nem precisa dizer que morro de saudade. E nos últimos períodos que passei naquela bagunça de tintas, resinas, gesso e telas de serigrafia, já conseguia gostar do processo antes de ele ter acabado e eu estar finalmente de férias. Tão diferente de agora, dessa falta de ligação com tudo, desse jeito bagunçado (não no bom sentido) como os dias passam na federal.

Sim, minhas costas doíam. Meus dedos perdiam as impressões digitais. Minhas roupas ficavam imprestáveis. O nariz e a garganta viviam irritados com o cheiro de tinta. Eu não sabia o que era um almoço decente, porque não dava pra largar todas as coisas urgentes e sentar numa mesa e comer de garfo e faca. E tinha dias que eu não conseguia organizar uma frase completa e falar, de tão esgotado que meu cérebro ficava. Mas o cansaço e a falta de digitais e de sono, e as roupas manchadas, e o nariz irritado, e até alguma cicatriz de estilete eram sinal de que eu tinha feito muita coisa, e normalmente valia a pena. Ver a peça pronta, sem nenhum arranhão e nenhuma falhinha (os arranhões e as falhas e os machucados ficavam todos pra mim) era a coisa mais incrível do mundo. Acho que não sou nem um pouco feita pra esse mundo novo de coisas não-físicas que se forma cada vez mais rápido. Preciso pegar, sentir, ver a coisa se mexendo nas minhas mãos.

Hoje eu olho e meio que não sei como eu conseguia. E hoje a grande maioria das conversas de corredor que ainda dá pra ter com os colegas é lembrando das loucuras que a gente fazia no ateliê, e de como fomos, aos pouquinhos, virando amigos.

Ai ai. Saudade de quando eu funcionava em 220.

(soundtrack: Nouvelle Vague – Killing Moon)