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às seis horas da manhã

Levantei meio atordoada na minha primeira manhã de volta à vida normal, e fui cambaleando, meio dormindo, até a cozinha fazer meu café. Antes de chegar no meio do caminho, escutei “A Rosa”, de Chico, tocando em algum lugar perto. Era bom demais acordar com uma surpresa boa dessas. Nem pensei, abri logo todas as janelas e a porta da frente, pra a música entrar por todos os meios possíveis. Sim, eu estava de pijama.

Parei, com o café numa mão e o pacotinho de biscoito na outra, e escutei por um tempo que não tenho idéia de quanto foi. Depois, fomos sentar no chão da cozinha, de costas pra a porta, eu e meu café, porque era o melhor lugar pra ouvir. Vi a cozinha de um ângulo totalmente novo, e tenho que fazer isso mais vezes – com a cozinha e com todo o resto. Por que não quero ser aquela que todo dia faz tudo sempre igual.

Quem quer que estivesse ouvindo Chico naquele volume – que seria muito ofensivo à Boa Vizinhança se não fosse Chico – e naquela hora da manhã – que seria muito inoportuna se não fosse Chico – vai merecer pra sempre minha eterna gratidão. Não deu pra descobrir, mas parecia ser do mesmo andar que eu. Não era uma playlist convencional, a maioria das músicas tava mais pra o lado b, então deve ser mulher, porque as mulheres são incomparavelmente mais apaixonadas por Chico e tudo que tem a ver com ele. Se eu não fosse tão tímida e cheia de frescuras de comunicação com estranhos, teria tocado a campainha mais provável só pra dizer “obrigada por me deixar de bom humor tão cedo”.

E depois disso, o dia foi bom.

(soundtrack: Chico Buarque – Subúrbio)

coisa de fã

Era já de se esperar que eu respirasse Chico, depois de todas as preciosidades que mamãe mandou semana passada. Daqui a pouco, já vou poder dizer que realmente conheço meu amor. Aí ontem, durante minha hibernação fim-de-semânica, vou assistir O Futebol. E descobri, lá pelo meio do filme, a música perfeita pra abrir o show Carioca. Não, não quero dizer que foi ruim a escolha das músicas, nada disso. Até porque foi emocionante ouvi-lo cantar Voltei a Cantar, de Lamartine Babo. Mas de um jeito ou de outro, como toda boa fã, senti falta de muita coisa. E a música não era dele. Essa que eu achei é. Só imaginei a cortina subindo e as luzes acendendo, na parte que diz “acenda o refletor, apure o tamborim”. Perfeito. Alem do quê, essa música é de um otimismo incrível, exatamente o que eu estava precisando nesses dias atropelados em que tudo parece estar perdido (ooooh, que drama!).


Chico me inspira. E pelo menos dessa vez, a inspiração ultrapassou as palavras e as paixõezinhas, e vai dar em algo que preste. Estou tentando convencer minha dupla do trabalho de serigrafia a fazermos um cartaz pra a peça “O Grande Circo Místico”, de Chico e Edu Lobo. Quem dera fosse de verdade, e que o espetáculo fosse mesmo entrar em cartaz. Mas esse projeto gráfico me deu mais prazer do que qualquer outra coisa poderia no momento.
Então, deixa ele cantar.

Pensou que eu nao vinha mais, pensou
Cansou de esperar por mim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim

Fechou o tempo, o salão fechou
Mas eu entro mesmo assim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim

Eu sei que fui um impostor
Hipócrita querendo renegar seu amor
Porém me deixe ao menos ser
Pela última vez o seu compositor

Quem vibrou nas minhas mãos
Não vai me largar assim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Preciso lhe falar
Eu vim

Com a flor
Dos acordes que você
Brotando cantou pra mim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim

Eu era sem tirar nem pôr
Um pobre de espírito ao desdenhar seu valor
Porém meu samba, o trunfo é seu
Pois quando de uma vez por todas
Eu me for
E o silêncio me abraçar
Você sambará sem mim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim


(soundtrack: Chico Buarque – De Volta ao Samba)

ele e ela

parte 1 – nenhuma novidade e uma surpresinha boa

minha lua-de-mel com Chico continua, e ainda mais deliciosa depois de assistir Roda-Viva, o dvd que dei a mamãe de presente de aniversário, onde meu amor dos olhos verdes (que aqui parecem azuis) fala do início da carreira, de como largou o curso de Arquitetura da USP (!) pra viver de música, dos famosos festivais da década de 60, de quando a ditadura começou a complicar as coisas, e mais um monte de coisas interessantíssimas, pelo menos pra mim, que estou cada vez mais caidinha por ele. Minha vontade era dar o box inteiro de presente, mas o sonho esbarrou em problemas orçamentários (cof cof) e, bem, se alguém quiser me dar, ou dar a ela qualquer outro dos 10 dvds que ainda faltam, tamos aceitando. E valem a pena, porque são os únicos dvds que eu provavelmente não cometeria o sacrilégio de copiar se eles já não fossem bloqueados contra pirataria. Mas o melhor de tudo foi ter descoberto, entre outras belíssimas, Benvinda – assim mesmo, junto e com N -, uma dessas pérolas escondidas pra fã descobrir, e que parece que é pra mim. Ei-la:


Dono do abandono e da tristeza
Comunico oficialmente
Que há lugar na minha mesa
Pode ser que você venha por mero favor
Ou venha coberta de amor
Seja lá como for, venha sorrindo, ai
Benvinda, benvinda, benvinda
Que o luar está chamando
Que os jardins estão florindo
Que eu estou sozinho

Cheio de anseios e esperança
Comunico a toda a gente
Que há lugar na minha dança
Pode ser que você venha morar por aqui
Ou venha pra se despedir
Não faz mal, pode vir até mentindo, ai
Benvinda, benvinda, benvinda
Que o meu pinho está chorando
Que o meu samba está pedindo
Que eu estou sozinho

Venha iluminar meu quarto escuro
Venha entrando como o ar puro
Todo novo da manhã
Venha minha estrela madrugada
Venha minha namorada
Venha amada, venha urgente, venha irmã
Benvinda, benvinda, benvinda
Que essa aurora está custando
Que a cidade está dormindo
Que eu estou sozinho

Certo de estar perto da alegria
Comunico finalmente
Que há lugar na poesia
Pode ser que você tenha um carinho para dar
Ou venha pra se consolar
Mesmo assim pode entrar que é tempo ainda, ai
Benvinda, benvinda, benvinda
Ah, que bom que você veio
E você chegou tão linda
Eu não cantei em vão
Benvinda, benvinda, benvinda
Benvinda, benvinda
No meu coração

parte 2 – o que realmente me trouxe aqui a essa hora

O dia de hoje foi tudo, menos chato. Não teve o sol que ela tanto adora, pelo menos não o tempo todo. Teve chuva, frio, merguho no mar que deu errado, mas não tinha importância. Era pra ser feliz, e foi. Era pra ser espontâneo, e foi. Era pra ser leve, engraçado, divertido, e foi. Que nem ela, a dona do dia. Que mesmo sem convidar ninguém, teve a casa cheia (e o melhor: cheia de amigos de verdade, que vá lá, pode até ser que tenham vindo só pela comida, mas vieram de livre e espontânea vontade), e festa, e bolo e coca, e Chico, e fotos. E teve eu agoniada pra fazer um post-de-aniversário decente, mas ela não deixava a cadeira do computador esfriar nem por 5 minutos. O MSN não parava de tocar, pipocaram homenagens nos blogs por aí e zilhões de scraps no orkut que ela tinha que responder na hora. Percebi uma coisa: minha mãe é muito querida de verdade por muita gente, e ela fez por merecer. Cuidou com carinho de todas as amizades que tem, e eu espero um dia poder ser assim. E isso já está virando post-de-dia-das-mães, então vou matar 2 coelhos com um post só.

Eu nem preciso dizer, ela sabe que é responsável por muito do que eu sou hoje. Não que eu seja lá grande coisa (mas ela acha que eu sou, pra não fugir à regra), mas alguma coisa boa ficou, com certeza. Os cílios longos, a paixão por Chico e por coca-cola, o senso de obrigação de fazer as coisas direito, só pra não dizer nada muito óbvio como inteligência, beleza e um enorme senso de humor (será que eu forcei um pouquinho?). É meio lugar-comum dizer que “além de mãe, ela é minha amiga”, mas o pior é que é verdade, apesar da pieguice. Não essa amizade afrescalhada de roupinhas iguais e conversinhas de namorado, como acontece com umas mães frustradas ou medrosas que tentam se aproximar das filhas a pulso, do tipo “se não pode vencê-los, junte-se a eles”, porque isso seria medíocre demais pra nós duas. É mais como Lor e Rory mesmo, apesar de também ser meio lugar-comum, embora num universo um pouquinho mais seleto. Aff, não dá pra ser original e exclusiva o tempo todo.

Não sou afeita a essa melosidade que paira no ar nessa época do ano, nem a coisas tocantes e profundas, nem a palavras difíceis, nem a frases feitas, nem a coraçõezinhos cor-de-rosa. O necessário, ela já sabe. O meu amor, e a certeza de que, longe ou perto, com ou sem celular na bolsa, eu tô por aqui, e ela pode contar comigo.


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pra ela ^^


(soundtrack: Chico Buarque – Benvinda)

outros sonhos

De repente, de uma hora pra outra, eu estava toda cheia de esperanças. Por uma coisa que já parecia sem remédio, porque parecia humanamente impossível conseguir, na véspera do show, um ingresso pra ver meu amor. Depois de ouvir histórias de gente que teve que acampar na porta dos pontos de venda, e estar lá as 4 da manhã pra conseguir uma entrada, 1 mês antes do show, e pior: de gente que esperou 13 horas na fila e os ingressos esgotaram antes, já estava aceitando razoavelmente o fato de Chico ser nada mais que um amor platônico, um ídolo distante, que a gente nem sabe se existe mesmo quando não vê ao vivo.

Mas, como diz o mestre Joseph Climber, a vida é uma caixinha de surpresas. E por causa de tanta confusão que aconteceu, a produção do show resolveu abrir mais um dia, e segunda-feira da semana passada, já estavam à venda ingressos pro domingo, dessa vez sem chance pra cambista, exigindo documentos, tudo como devia ter sido feito desde o começo. E eu só faltei matar todos que não me avisaram disso. Anyway, comecei a ficar animadinha, e por 5 dias, tentei insistentemente me comunicar com a bilheteria do teatro, até que (ooooh!) no sábado à tarde, alguém teve a boa vontade de atender o telefone e dizer que sim, ainda havia ingressos.

E lá vou eu, dentro de um animado Rio Doce – CDU, pra Olinda, acionar a família toda e mais um pouco pra realizar meu sonho, atravessar a Agamenon (a avenida mais punk que já atravessei, adrenalina pura!!), dar uma voltinha no Tacaruna pra achar um caixa do Bradesco, gastar meus dedinhos e os créditos do celular pra conseguir, já perto de 8 da noite, comprar o tão desejado (e caro) ingresso, e conseguir quem me levasse pra casa depois do show. E assim, num esforço conjunto de gente que talvez nem saiba do que estava fazendo, e com zilhões de variáveis que podiam dar errado, tudo encaixou direitinho.

E no domingo, eu dormi mais pra o tempo passar rápido, e estava feliz como uma menina apaixonada. E cheguei lá mais de 2 horas antes do início previsto, e isso foi o ponto alto: ninguém avisou ao público do domingo que o show não iria começar às 21h, como tinha no ingresso, e sim às 19h. Realmente achei bem estranho o tanto de gente no saguão, quando pensei que fosse ficar solitária e ansiosa, esperando o movimento começar. Pois começou na hora em que pus o pé lá dentro. Nem deu pra tirar a clássica foto no painel enorme (que mamãe tem), nem encontrar ninguém, nem nada. Ora, eu fui ver Chico, e era só pra isso que estava ali.

E ele começou dizendo que tinha voltado a cantar, porque sentiu saudade, e que estava na boca do povo, cantando. E o público, que misturava fãs de antigamente e de hoje, meninas e senhoras apaixonadas, socialistas endinheirados, foi ao delírio. Depois, quando cantou que ela bambeia, cambaleia, é dura na queda, custa a cair em si, foi uma das coisas mais emocionantes que já ouvi na vida, porque era justamente sobre o fiapinho de sonho que ficou em mim o tempo todo, pra vê-lo de perto. Não entendi uma palavra de O Futebol, que não conhecia, e pouquíssimas de A Bela e a Fera e Ela é Dançarina, embora essa seja uma das mais fofas. E fiquei toda besta porque, no meio de um monte de pseudo-fãs, eu sabia a letra de todas as músicas do disco novo e quase todas das outras tantas. Foram muitas, mais de 30. E aí duas doidas invadiram o palco. Queria que fosse eu uma dessas meninas, queria ter coragem. Chegaram junto, tiraram foto, uma tentou tascar um beijo nele, e só fiquei com vontade de gritar, tamanho era o despeito, pra a sujeitinha acordar, que ele não era o Bono.

As palmas meio animadinhas pra a morena d’Angola que leva o chocalho amarrado na canela foram engraçadas. Ninguém sabia se devia ficar solene ou soltar toda a emoção de respirar o mesmo ar que Chico. Eu pelo menos não sabia. Não sabia se fechava os olhos pra deliciar ainda mais os ouvidos ou deixava os dois bem abertos, porque eu já sabia, meu Deus, tão fulgurante visão não se produz duas vezes no mesmo lugar. Fechei quando ele disse que o amor não tem pressa, ele pode esperar, porque simplesmente adoro essa maneira de encarar as coisas. Eu esperei, em silêncio, até achar quetinha alguma chance, e consegui ver meu amor dos olhos verdes.

Vi a lua cris, vi o avesso da montanha, o cenário era a coisa mais genial do mundo. E ficou de todas as cores. E brilhava em todos os ritmos. Adorei as músicas que ele canta no feminino, especialmente a Palavra de Mulher, que diz que vai voltar. O ponto alto foi quando Wilson das Neves subiu no palco pra cantar junto, e Chico arriscou um sambinha, que acabou na coreografia de Coisinha de Jesus. Aí, a reverência já tinha ido pro espaço. E o teatro paralisou quando ele saiu na carreira, sem olhar pra trás e nem jamais dizer adeus.

Mas todo mundo sabia que ele voltava, pra dizer que são 10 horas e o samba tá quente, deixa a menina contente. E foi aí que eu corri pro pé do palco (ou quase, que já tinha muita gente mais saidinha do que eu) e consegui ver que ele sorria e parecia feliz. Como se estivesse mesmo com saudade. E até arrisquei um sambinha, porque o clima me contagiou e meu vestido era rodado. E curti. Curti tudo, toda a felicidade, até o fim, até ele sair de verdade depois do segundo bis, sumir no mundo sem me avisar, e agora eu era louca a perguntar o que é que a vida vai fazer de mim.

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e por sonhar o impossível, ai…
(soundtrack: Chico Buarque – Porque Era Ela, Porque Era Eu)

dura na queda

Perdida na avenida
Canta seu enredo
Fora do carnaval
Perdeu a saia
Perdeu o emprego
Desfila natural

Esquinas, mil buzinas
Imagina orquestras
Samba no chafariz
Viva a folia
A dor não presta
Felicidade, sim

O sol ensolará e estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela, o sol, estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

Bambeia, cambaleia
É dura na queda
Custa a cair em si
Largou família
Bebeu veneno
E vai morrer de rir

Vagueia, devaneia
Já apanhou à beça
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar

O sol ensolará e estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela, o sol, estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas…

Line Gilmore queria ser dura na queda. Queria que essa música fosse ela. Em vez disso, não sabe sambar, se derrete de chorar de saudade, e não consegue nem disfarçar, porque as lágrimas simplesmente rolam. Não consegue dizer não, só o que faz é ligar pra a mãe e pro pai pra resolver seus pepinos e é cheia de frescuras. Tem TPM, e o pior de tudo é que só sabe implodir num choro nervoso que nunca leva a nada. Se stressa com coisas que nem sempre estão além do seu alcance e de vez em quando (de vez em sempre) não entende que as coisas não podem ser perfeitas. A vida nunca vai ser do jeito que ela quer, e ela tem que se acostumar. Não consegue viver sob pressão, e nem com um mínimo de organização prática e racional das coisas. Queria estar de férias (já), porque não suporta a família toda relaxada e feliz e ela não. Queria um colinho. Queria estar apaixonada, porque só assim todos os outros problemas desaparecem em prol de um maior. Porque pra ela, paixão é sempre um grande problema.

Mas seus dias bons são intensos. Aliás, tudo nela é intenso. E quando cai, levanta. E pelo menos um verso da música é verdade: vai morrer de rir.

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……
(soundtrack: Chico Buarque – Dura na Queda)

declaração de amor

A casa está bonita
A dona está demais
A última visita
Quanto tempo faz
Balançam os cabides
Lustres se acenderão
O amor vai pôr os pés
No conjugado coração
Será que o amor se sente em casa
Vai sentar no chão
Será que vai deixar cair
A brasa no tapete coração

Quando aumentar a fita
As línguas vão falar
Que a dona tem visita
E nunca vai casar
Se enroscam persianas
Louças se partirão
O amor está tocando
O suburbano coração
Será que o amor não tem programa
Ou ama com paixão
Mulher virando no sofá
Sofá virando cama coração

O amor já vai embora
Ou perde a condução
Será que não repara
A desarrumação
Que tanta cerimônia
Se a dona já não tem
Vergonha do seu coração

Vai ver meu coração é suburbano ainda… Só sei que essa música me pegou de jeito esses dias. E resolvi me declarar.

Porque ele é tímido.
Porque tem aqueles olhos verdes.
Porque teve pelo menos uma causa nobre na vida.
Porque consegue ser boêmio, malandro, apaixonado e engajado ao mesmo tempo.
Porque ele sempre diz o que eu quero ouvir, ou o que eu queria ter dito.
Porque ele é uma das pessoas mais fascinantemente inteligentes que existem.
Porque minha mãe aprova esse meu romance com ele, apesar de sentir um pouco de ciúmes (dele, não de mim).
Porque ele sabe o que são amores certos, tortos, futuros, passados, ternos, raivosos, correspondidos ou não.
Porque eu me vejo em todas as mulheres que ele canta. Sou eu quem abre a porta do conjugado coração, sou eu quem veste o vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar, sou eu a linda namorada, fui eu quem deixou o terceiro que chegou se instalar feito um posseiro dentro do meu coração, foi nas minhas veias que o sangue dele se perdeu, enfim…
Porque ele conta as melhores histórias pra crianças.
Porque ele consegue fazer uma cantiga de roda soar incrivelmente romântica.
Porque ele faz todas as declarações de amor que eu quero ouvir.
Porque sua voz é íntima como nenhuma outra, como se estivesse o tempo todo me dizendo um segredo.
Porque ele empresta gentilmente suas palavras pra eu falar pra outros garotos, já que sabe que sou dele pra sempre.
Porque ele é o mais impossível dos meus amores, e o que eu tenho certeza de que é pra sempre. E se for pra enganar o coração, que seja de verdade.

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(soundtrack: Chico Buarque – Suburbano Coração)

bronca

Eita post pra me dar problema esse último…
tá vendo, Chico? Culpa sua! Só de raiva, não tô te ouvindo. hunf.

(soundtrack: Kid Abelha & Edgard Scandurra – Mudança de Comportamento)