Mensagens com Etiquetas 'CAC'

confissões de uma designer em crise.

A pergunta da vez na turma de Design 2006.1 é “em quanto tempo você se forma?”. Eu já tinha pensado um bocado no assunto durante as férias, e resolvi, super tranquila e feliz da vida, que não estava com pressa. Que era melhor fazer as coisas direito do que fazer rápido. Que, basicamente, eu ia terminar todas as cadeiras até o final do ano, e depois fazer o PG, na maior calma, e com a cabeça um pouqunho mais madura, até pra resolver de verdade o que eu quero. Tou naquele momento de pensar, pensar, pensar, torrar os miolos e não fazer a mínima idéia do que é que eu vou fazer da vida quando sair da federal. Já considerei até prolongar por mais 2 anos a convivência deliciosa com o CAC e tudo que tem nele, fazendo mestrado em algo-que-não-sei-o-que-é-ainda. Mas sinceramente, não quero ser professora. Aliás, neste exato momento, eu só tenho certeza do que eu não quero fazer.

Não quero ficar correndo atrás de um monte de moleques de 20 anos, quando eu tiver quase 30, cobrando exercícios, seminários e projetos, num curso onde quase ninguém dá a mínima pra prazos e requisitos. Também não quero viver de freelance. É incerteza demais até pra mim, que sempre odiei rotina. Não consigo mais viver com a perspectiva de ganhar uma grana preta num mês e nada do outro. Não quero trabalhar na frente do computador o dia todo, não quero chegar ao ponto de sonhar com as paletas do Photoshop e as grades do inDesign, só porque fiz disso a minha vida em horário comercial. Não quero trabalhar de casa, acho que não funciona pra mim. Preciso de disciplina. Preciso também de um contato constante do lápis como papel, é aí que as idéias se traduzem. Não quero morrer de calor numa oficina fazendo prototipagem também. Sim, eu achava isso o máximo no terceiro período, mas sinceramente, não é vida. Não quero trabalhar com web. Sim, é o futuro, eu sei. Mas tá cada vez mais difícil inovar, com tanta coisa se sobrepondo na rede.

Preciso de uma idéia genial. Ultimamente tudo que tenho feito é me encher de referências, repertório visual, um monte de conhecimento solto que sim, pode me servir de alguma coisa, mas é tão remoto, sabe. Tão… incerto.

No início do curso, eu queria trabalhar com produto. Cheguei e descobri um mercado altamente fechado, e o que aprendi a fazer nas disciplinas de produto não foi design. Ou foi pouquíssimo. Depois, paguei umas cadeiras de moda. Me fascinei com o tanto de informação que uma peça de roupa pode carregar, e criei coisas. Tudo muito abstrato e não-aplicável à vida real. Parece que a própria faculdade não é aplicável à vida real, e isso é triste. Aí comeceia ler blogs de moda, e fui descobrindo que tem uma galera legal, mas que o mundinho fashionista é muito, muito cruel. E eu fico sentindo que não tenho a garra pra enfrentar um mercado onde a cada segundo alguém faz uma coisa nova, que torna a grande descoberta da semana passada completamente obsoleta (by the way, carrot pants e ombros marcados me cansam. Acho ridículo. Prontofalei).

Tudo que a gente ouve dentro do curso é “se garanta no que você faz, que o mercado sabe reconhecer quem é bom. Diploma não adianta muita coisa na hora de ser contratado, o que conta é seu portfolio e sua vontade de trabalhar”. Isso me dá medo. Descobri que a coisa toda pra se dar bem na vida não é educação, não é estudo. É pura prática. E pra ganhar prática, salvo raras exceções, você precisa quebrar a cara às vezes. Precisa trabalhar de graça pra mostrar que sabe, que seu trabalho é bom. E aí eu fico assustada. Porque, em 3 anos de curso, indo pro quarto, ainda não fiz nada assim absurdamente bom, que olhando pra meus trabalhos, eu me contrataria, sabe. E foi tudo sempre muito acadêmico, muito guiado por uma restrição do professor, não do mercado.

Agora tou me interessando por tipografia, uma reviravolta totalmente inexperada em tudo que eu achava que queria. Dá um nó na cabeça, eu comecei o curso querendo criar coisas palpáveis, produtos, ter fama internacional, participar do salão do móvel de Milão, e agora tou fascinada por letras, que são simples e cotidianas, e de certa forma, abstratas. Mas me apaixonei pela história do desenho das letras, uma coisa que ninguém imagina que seja tão complexa, e ao mesmo tempo, tão natural, tão lógica. Tou pagando cadeiras que, segundo quem pagou antes de mim, são “pra abrir a cabeça”. Cani um dia desses me disse que é perda de tempo ficar se limitando, dizendo “eu faço design de produto” ou “eu faço design gráfico”, ou “eu faço moda”. Que o que importa é o processo, que no fim das contas é igual pra todo tipo de projeto.

E aí eu resolvi abrir as janelas. Tá tudo muito confuso ainda, eu não sei pra que lado olhar. Uma coisa é fato, preciso de uma idéia genial.

(ok, vou confessar, bateu uma frustraçãozinha quando eu vi gente da minha turma matriculada em PG1. Veio como se fosse um “e aí, você não vai nem tentar?” de lá do fundo, da parte de mim que é a primeira da turma sempre. Fato é que só uns 20% da turma vão conseguir se formar no tempo certo, então tou tentando não ficar na neura com mais essa ainda.)

(soundtrack: da trilha de Weeds, não sei quem canta, mas a música original é de Malvina Reynolds [who?] – Little Boxes [extremamente apropriada pra fim-de-faculdade-começo-de-real-life])

o ateliê, ou crise de nostalgia recente

Ontem me peguei debruçada no murinho do 2º andar do CAC, olhando de cima o ateliê. Seis meses atrás era eu quem estava ali, lixando, polindo, ficando nervosa. E fazendo amigos.

Sim, o ateliê é o lugar perfeito pra fazer amigos. Enquanto as mãos se ocupam de seja lá qual for a peça que você tem que entregar terça que vem, a mente fica livre pra viajar por todos os lugares possíveis e imagináveis, e pra conversar com quem esta do lado na mesa, um pouquinho mais ou um pouquinho menos cheio das mesmas coisas pra fazer do que você. E é assim, contando o número de noites sem dormir e o tamanho do cansaço, e rindo da desgraça própria e da alheia que a gente vai se conhecendo.

Nem precisa dizer que morro de saudade. E nos últimos períodos que passei naquela bagunça de tintas, resinas, gesso e telas de serigrafia, já conseguia gostar do processo antes de ele ter acabado e eu estar finalmente de férias. Tão diferente de agora, dessa falta de ligação com tudo, desse jeito bagunçado (não no bom sentido) como os dias passam na federal.

Sim, minhas costas doíam. Meus dedos perdiam as impressões digitais. Minhas roupas ficavam imprestáveis. O nariz e a garganta viviam irritados com o cheiro de tinta. Eu não sabia o que era um almoço decente, porque não dava pra largar todas as coisas urgentes e sentar numa mesa e comer de garfo e faca. E tinha dias que eu não conseguia organizar uma frase completa e falar, de tão esgotado que meu cérebro ficava. Mas o cansaço e a falta de digitais e de sono, e as roupas manchadas, e o nariz irritado, e até alguma cicatriz de estilete eram sinal de que eu tinha feito muita coisa, e normalmente valia a pena. Ver a peça pronta, sem nenhum arranhão e nenhuma falhinha (os arranhões e as falhas e os machucados ficavam todos pra mim) era a coisa mais incrível do mundo. Acho que não sou nem um pouco feita pra esse mundo novo de coisas não-físicas que se forma cada vez mais rápido. Preciso pegar, sentir, ver a coisa se mexendo nas minhas mãos.

Hoje eu olho e meio que não sei como eu conseguia. E hoje a grande maioria das conversas de corredor que ainda dá pra ter com os colegas é lembrando das loucuras que a gente fazia no ateliê, e de como fomos, aos pouquinhos, virando amigos.

Ai ai. Saudade de quando eu funcionava em 220.

(soundtrack: Nouvelle Vague – Killing Moon)

rapidinhas

*estou entrando na vibe natalina, até cedo, na minha opinião. É meu primeiro natal morando sozinha, e deu vontade de arrumar uns pisca-piscas e fazer uma árvore. E os panetones me deixam feliz nessa época do ano.

*eu torci por Obama nessas eleições americanas (novidaaaade). Fiquei feliz por ele, e acho realmente que algo vai melhorar, só por não ser Bush o dono da bola. Mas acho de verdade que já tá na hora de falar em outra coisa nos noticiários, porque a partir do momento em que se começa a discutir se as Obama-girls vão estudar em escola pública ou particular e qual vai ser o novo cachorrinho delas, sinto uma vibe “vamos encher linguiça” no ar. Como se não tivesse coisa acontecendo no mundo, né. Por favor.

*tô sentindo muita, muita falta de ter aulas esse período. Sim, sou nerd, mas dessa vez o motivo é outro. É a falta de conversas aleatórias e almoços, e meias-horas na frente do CAC com os colegas, que tá cada vez mais raro eu ver. Porque quando o professor marca orientação, cada um vai lá a hora que quer, discute o trabalho e vai embora, porque todo mundo tem coisas urgentes pra fazer da vida, e ajuda muito se você fica livre às 10h. Triste isso.

*o tempo passa muito rápido às vezes. Tipo agora.

*a perspectiva de 3 meses de férias é incrivelmente doce e animadora pra quem teve no máximo 30 dias sem aula durante toda a vida acadêmica. Sim senhor, sombra e água fresca (ou melhor, sol e água-de-côco). Minhas to do lists vão mudar, minha pele vai mudar (aliás, já está mudando, que o sol de Hellcife não perdoa ninguém, mas vou sumir com essas marcas de camiseta from hell) e principalmente meu guarda-roupa vai mudar. Que venham os shortinhos e as regatinhas soltas e as saídas de praia, que não tem nada melhor pra entrar na vibe férias do que roupa de férias.

*preciso ir no mercado. Basicamente, esse texto das Garotas diz tudo.

*falando em Garotas, me senti tão órfã ao saber do fim do blog que não consigo ler os últimos textos do mês especial de despedida. Sei lá, como se quisesse guardar pra depois. Dava pra saber que estava perto do fim, só de ver o tanto de textos republicados e a falta de tempo das três. Mas poxa, acompanho Vivi Griswold, Clara McFly e Flá Wonka (e Sabrina) há um tempo enorme, desde bem antes deste blog começar a existir, desde a época da Época. E tantas vezes elas disseram exatamente o que eu queria. E me fizeram rir nas horas mais inimagináveis. E me deram um nome pro blog – que de vez em quando parece idiota, mas significa um bocado pra mim. Vou sentir uma falta enorme. E boa sorte pra elas, pra o que quer que elas façam daqui pra frente. E que continuem amigas inseparáveis.

(soundtrack: Grant Lee Phillips – Wave of Mutilation)

fim de período

Os pratos estão formando uma torre na pia. Tem tecidos e papéis espalhados pelo chão da casa toda. Tem roupas jogadas de qualquer jeito no quarto, de quando eu chego em casa, tomo um banho e em vez de cair na cama, morta de cansada, ainda vou trabalhar mais. Já enjoei das músicas do pc, de tanto que escutei enquanto trabalhava nele. A câmera não tem mais memória pra fotografar, de tanta foto de trabalhos sendo feitos que tem nela, e não tenho tempo pra descarregar arrumadinho. Minhas unhas estão pedindo desesperadamente pra eu olhar pra elas com carinho, mas eu não vou ouvir. As palavras escapam antes de serem ditas, e fica aquele branco incômodo de mente cansada. O raciocínio lógico tem uma hora que não funciona mais. A coluna resiste bravamente, e por enquanto só dói um pouquinho, pra eu lembrar que ela existe. O dinheiro vai embora da conta mais rápido do que se diz “aceita visa?”, de tanto material que tô tendo que comprar. Almoço é uma coisa que não existe muito, Namorado é uma coisa que eu não vejo muito, sono é uma coisa à qual não tô podendo me dar ao luxo agora. A personificação do caos, essa sou eu em final de período.

Mas ainda me lembro, todos os dias, de trocar a água das flores que ganhei de presente. Nem tudo está perdido.

Photobucket
^^


(soundtrack: Belle and Sebastian – Lord Anthon)

tan taran tan tan tan tan tan tan taran

[musiquinha da Fox]

Rufem os tambores. Soprem as cornetas. Toquem as sirenes, senhoras e senhores, porque começou oficialmente o final de período da federal!!!
.;

..;

[pausa para o desapontamento geral dos leitores].

Pois é pois é pois é. Adeus cama, olá cadeira do pc. Adeus tardes de sábado gostosas com Namorado, olá ateliê. Adeus roupinhas fofas, olá avental. E adeus casinha arrumada, muito provavelmente, e adeus unhas grandinhas. Olá olheiras. E daqui a exatamente um mês, dou o contrário de adeuses e olás, e vai ser muito mais legal.

E pra comemorar (mentira, foi totalmente sem motivo)… cortei o cabelo. Olhei no espelho e vi que ele estava cansado de ver todo dia a mesma coisa. E aí passei a tesoura. Sem dó nem piedade. Eu me garanto. Heh.

Photobucket
e aí, ficou o quê?


[/line gilmore blogueira genial mode off] [/line stressada e rabugenta mode on]

off the record:
tô ficando muito nerd, né não?

(soundtrack: Beatles – Free as a Bird)

Poliana e o banjo

Fim de período é um coisa estranha. Ao mesmo tempo é aquela agonia de terminar tudo a tempo, a sensação de que nada vai dar certo, a certeza lá no fundo de que vai dar sim, nem que muitas noites tenham que ser sacrificadas pra isso, a pontinha de melancolia por estar cada vez mais perto do fim do curso (tá, ainda estou no 3o período, mas sou muito sentimental) e a vontade de que certos momentos acontecessem mais vezes, e que se não fosse fim de período, seriam bem melhor aproveitados. Já ouvi milhões de vezes que ser feliz é simplesmente uma questão de aproveitar o momento, mas só há pouco tempo consegui colocar isso em prática. Já caí naquela de esperar as férias pra ser feliz, esperar ter determinada coisa pra ser feliz, esperar entrar na faculdade pra ser feliz, esperar ter um namorado pra ser feliz, esperar as coisas acontecerem. Mas não tem nada a ver com isso. E obviamente, o post de hoje é totalmente Polianístico.
O dia foi cheio e passou rápido, e eu sabia que ia ter que ficar até tarde no ateliê terminando o mock-up (modelo em escala real) de um banjo – não riam. Sabia que váaaarias pessoas ficariam lá também, porque tá todo mundo muito atrasado com esse trabalho, e sabia que ia ser divertido, porque normalmente é. Mas foi muito mais do que eu imaginava. Uma coisa que comentei com quem tava lá é que esses trabalhos práticos são uma terapia, porque enquanto a gente se ocupa com um, não pensa nos outros 20 que tem pra fazer. Além disso, é nessas horas que as amizades ficam mais fortes, que rolam todas as fofocas, que a gente fica espontâneo, rindo da própria desgraça e falando uma quantidade enorme de besteiras por minuto. Claro que hoje tinha o agravante da cola de contato (a tão popular cola-de-sapateiro) afetando nosso cérebro, e o fato de estarmos não numa sala, mas no meio do corredor do 1 1/2º andar do CAC, porque nossa sala foi emprestada – que tal – pra uma turma do curso de Letras, aquele bando de sem-teto.
Podem me chamar de doida, mas eu adoro fim de período. Sabe quando uma tragédia muito feia acontece, e as pessoas de determinado lugar ficam mais unidas? o caso é bem esse, e a gente compete pra ver quem tá no pior drama, e apesar de dizerem que na faculdade cada colega quer mais é que o outro se exploda, a gente, principalmente quem paga disciplinas com Cloves, se ajuda, e muito. É, porque existe uma divisão peculiar na turma, entre quem-paga-Cloves e quem-não-paga Cloves. QNPC normalmente anda de cabelos, unhas e roupas limpas, tem vida social e vai cedo pra casa depois da aula. e QPC… boooom, enfiiiiim, ontem a gente saiu do corredor do 1 1/2º andar do CAC às 21:50, e cada um com uma pilha enorme de papelão ondulado e muita cola grudada nos dedos. E vai ser um dos dias que vou sentir saudade, depois que tudo terminar. Eu e Biba cantando “o que é imortaaaaaaaal não morre no finaaaaaaaaal”, João Paulo – a criatura que todos nós amamos odiar – que começava todas as frases com o “engraçado é que…”, Emmanuel e Yasmin brigando por um pedaço de pizza (é, hoje teve até pizza, porque uma hora a gente fica com fome, e a cola nem tava dando um barato tão bom), minha obsessão por lixar o que quer que seja, o tamanho dos peitos do vidro de perfume de Cani*, as discussões sobre a legitimidade do Daniel-San, o instrumento musical escolhido pelas meninas, que é mais ou menos como um violão quadrado esquisito de 3 cordas, e dizem elas que é tocado pelas gueixas (a coisa existe mesmo, e o nome de verdade é shamisen, veja mais aqui). E de brinde, da série coisas que só acontecem no banheiro feminino, a coreografia super original de Uma Mão Lava a Outra, super hit do Castelo Rá-tim-bum, quem lembra?
Já faz um tempinho que não abro a boca pra dizer, porque não sentia mesmo, e a boca fala do que o coração está cheio, mas finalmente hoje, agora, tenho certeza de estar feliz. porque as coisas aconteceram e eu não fiquei só esperando. E é claro que é bem mais fácil dizer isso em casa, de banho tomado, cheirando a shampoo e não a substâncias alucinógenas, corrosivas e possivelmente cancerígenas.
*cada um teve que fazer um modelo de um vidro de perfume, e Cani escolheu fazer, pra Jean Paul Gaultier, um em forma de corpo de mulher, o que obviamente gerou uma discussão em torno do tamanho dos atributos da figura em questão.

(soundtrack: Wilco – When You Wake Up Feeling Old)

fim de período (ou um dia no laboratório de design)

Line chega cedo, e consegue pegar um pc com internet. Após zapear um pouquinho no orkut e na página do consulado alemão, começa a trabalhar no cartaz da peça que tem que fazer até amanhã.

Yasmin se atrasa só 3 horas.

Perto de meio dia, o laboratório enche de gente ocupada. Tanta gente que o ar-condicionado não dá conta, na sala que normalmente tem um clima glacial. Celso e Mazulo têm um trabalho de Serigrafia pra terminar, e Line dá pitaco. Line adoooora dar pitaco no trabalho dos outros, porque assim pelo menos parece que o mundo fica um pouquinho mais do jeito dela. Além disso, o projeto dos meninos está mesmo muito bom. Line também tem o tal trabalho de serigrafia, e acha que é talvez a melhor coisa que ela já fez na faculdade, mas fica imaginando como vai fazer pra colocar 9 peças gráficas em 3 telas serigráficas.

Line pede opinião pra todo mundo que chega. Todo mundo gosta mais do vermelho-cereja do que do vermelho-sangue, e a voz do povo é a voz de Deus. Lá pras 3 da tarde, Line não almoçou ainda. Mazulo e Giuglia trouxeram um container de bolo de festa pra almoçar, e ele fica pirraçando Line, que não comeu ainda. Ela nem presta atenção, na verdade. Mas Giuglia é boazinha, e dá um pedaço a Line. Tava bom.Line grita com Yasmin, com Mazulo e com Gabriella, e pra as outras pessoas não dá mais que um risinho sarcástico. Mateus e Celso brigam feio por causa do trabalho de Embalagem. Um acha que o outro não está fazendo a sua parte. Sinceramente, se fosse comigo, eu estaria agradecida. Tenho uma natureza muito centralizadora de poder, e prefiro tomar conta do trabalho todo, pra garantir que vai sair direito.

Sérgio pergunta uns 3 milhões de vezes cadê Felipe. Line tem vontade de dar uma resposta beeeeem criativa, mas sua criatividade já foi toda pro cartaz da peça.Mateus e Arthur, que são do 5o período, estão combinando uma festa, pra ganhar dinheiro pra a formatura (na verdade o dinheiro da formatura é só uma desculpa. o que eles querem mesmo – e todo mundo quer – é encher a cara). Arthur tenta vender camisetas pra todo mundo na sala, sendo que pelo menos metade das pessoas ali paga serigrafia. Mas a estampa estava mesmo muito boa.

Gafa pergunta alguma coisa a Line, sobre algum comando nebuloso do 3D studio, mas ela não tem cabeça pra nada além do projeto do Grande Circo Místico. Line não sabe responder nada que ele pergunta, e por uns segundos só deseja que ele pare de pentelhar enquanto ela está muitíssimo ocupada, mas depois fica com pena e pede desculpa.

Celso e Mateus perguntam a Line se ela tomaria a bebida para a qual ele criou o rótulo. É, aparentemente, uma caipirinha-com-limão-ice, moderninha e meio gay. Line dá uma resposta que corta o coração dos meninos, mas eles sabem que ela só está stressada, e na verdade, a caipirinha iria bem agora. Junior interrompe Line no msn, mesmo ela estando com o sinalzinho de ocupado. O estranho é que eles não se falam há um tempo enorme, e ele resolve retomar o contato justamente hoje. Ela tenta ser sarcástica, mas pelo msn não se percebe muito, então acaba pedindo mil perdões e dizendo que não vai poder dar atenção agora, porque (adivinha!) está muito ocupada.

Line e Yasmin discutem por causa de uma capa de cd, se deve ser feita ou não, e se fita de cetim também conta como tecido na hora de imprimir. Sérgio manda (não sei a troco de quê) Line ficar na dela, de uma maneira nada delicada, e Line pergunta, também de uma maneira nada delicada, se alguém chamou ele na conversa.Gabriella não tem mais nada que fazer da vida, e fica perturbando todo mundo na sala. Pelo menos ela faz Line rir, e é um ótimo saco de pancadas verbais.

Emmanuel chega dando susto em Line, fazendo cosquinha com as mãos geladas. Mas particularmente hoje, ela não está com humor pra cosquinhas, e lança apenas um gélido olhar de hoje não, peloamordedeus. Ele pára, ainda bem. Emmanuel também tem o trabalho de 3D pra terminar, e Line morre de medo que ele também comece a perguntar tudo, mas graças a Deus ele se vira sozinho.Sérgio chega todo feliz, dizendo que ele e Felipe tiraram 10 em Semiótica. Line não esboça nenhuma reação externa, mas morre de raiva de não ter se matriculado nessa cadeira, onde só era preciso fazer um redesign bobo de um pictograma. Ela imagina como vai ter que se virar em mil, se quiser no mínimo ser aprovada em Serigrafia, depois de ter feito um projeto gráfico estonteante, mas que vai dar um trabalho duuu cãaaaaao pra virar coisas de verdade.Os meninos não têm mais nada que fazer da vida (já que ficaram com 10 em Semiótica) e ficam olhando pérolas do orkut. Line até ri um pouco, mas a fadiga mental já é tanta que nem entende mais o que ninguém fala. Yasmin confunde levemente Circo Místico com Teatro Mágico, e dá um trabalho enorme encontrar a ficha técnica da peça, pra colocar no folder.

Mabel pergunta a Line uma coisa do 3D, e felizmente ela sabe responder, porque já teve que repetir o comando milhões de vezes até acertar, no próprio trabalho.

Às 18h, Line está com os nervos em frangalhos, uma sede desesperada por Coca-Cola e o trabalho de Serigrafia quase pronto. Faltam 3 semanas pro fim das aulas, e tudo indica que os dias, daqui pra frente, só tendem a piorar.

(soundtrack: The Cardigans – Lovefool)

dossiê de dizáine

Foi encontrada, após diversas suspeitas e uma busca incessante, em meio aos arquivos acadêmicos de X* a seguinte conversa com Y*. Em meados de fevereiro, X estava desenvolvendo um projeto de um cantil que resfria a água a 0ºC instantaneamente, bastando apertar um botão. E Y estava tentando criar um sistema de resfriamento subcutâneo, controlado por ondas de rádio, ou algo assim. X e Y cursavam, então, o 2º período do curso de Design da Universidade Federal de Pernambuco, e desenvolveram seus projetos a mando de um renomado professor da UFPE. Eis, a seguir, o material, que contém revelações bombásticas a respeito das metodologias usadas e das possíveis consequências do desenvolvimento dos referidos projetos:

X diz: poxa, meu projeto é tão simples, e eu nem sei se vai funcionar mesmo
Y diz: o meu também não… na verdade a graça é essa
X diz: kkkkkkkkkkk
é, realmente. mas veja só:
o gas carbônico tem ponto de ebulição a -78ºC
ele vai ter q estar a essa temperatura no reservatório
Y diz: hhmmmm…o que complica é que você tem criar um material que resista a esse grau de dilataçao
X diz: e depois que liberar, o choque térmico vai ser enorme pra um liquido que esteja em temperatura ambiente
Y diz: realmente, vai congelar a água de qualquer jeito
X diz: ou eu descubro outro gás…
Y diz: só se for uma gotícula
X diz: ou a coisa complica seriamente.
mas a quantidade liberada é mínima mesmo, que é pra aumentar a vida útil do produto
Y diz: mas e o armazenamento?
X diz: pois é, aí é a complicação maior, porque não pode ser rígido, e qualquer tecido quebra a uma temperatura dessas, até os próprios pra neve e temperaturas inóspitas… a saida vai ser encontrar outro gás
Y diz: hhmmm deixa eu falar com um amigo meu , ele estuda quimica.
tô falando com ele agora
X diz: ah tá, ok. pode ser qualquer gas com PE perto do PF da água
Y diz: álcool ? heheheheheb
X diz: kkkkkkkkkkk
a coisa tá feia
Y diz: ó, ele acabou de dizer que álcool etílico deve congelar a uns -20, acho que algo assim
X diz: nãaaao!! tem que ser um que seja gás na temperatura ambiente e fique líquido a mais ou menos 0º, ou um pouco menos… até -15º, eu acho, -20º… porque num pode ser sólido, senão a válvula não libera
Y diz: já tô vendo aqui… aaah! e tem o negócio da válvula, né
X diz: pois é, tem que estar líquido pra liberar
Y diz: ele acha difícil ter algum gás na temperatura ambiente e que vire líquido a 0º… só vendo melhor (bichinho, ele ainda é 1º periodo!…)
X diz: ooooow
tô vendo que vou ter que enrolar o prof, e omitir esse pequeno detalhe
Y diz: pequenérrimo
X diz: mas num é possivel!!! tem tanto elemento químico no mundo! tem que ter um com as características que eu quero!!
Y diz: acho que você vai ter que mexer e alterar o se projeto, pensar num outro sistema de resfriamento…
algo, sei la, biônico
X diz: biônico, haha!
aí só gelo mesmo
Y diz: não, não, pense numa solução mais mecânica que química
X diz: poxa, era tão mais fácil se fosse pra produzir calor, que aí qualquer forcinha de atrito dava conta
Y diz: que nada , existe já um negócio assim, vende na europa , é um chocolate quente , acho que tem outras coisas também, mas me interssou mais esse: você aperta a parte de baixo da embalagem, que libera um negócio na parte de baixo do copo que esquenta o negócio, isso em uns 10 segundos
X diz: hmmmm… muito esclarecedor. tem algum link disso aí?
Y diz: é o must!
X diz: qual é o mecanismo?
Y diz: não sei, eu vi num supermercado
X diz: :

(…)

X diz: pô, se tem algo que esquenta, deve dar pra fazer algo que esfria!
lembra do nome, pelo menos?
Y diz: pelo contrário , existe microondas , mas só não existe nehuma máquina que esfria tão rapidamente
X diz: aaaaaaaaaaaa
que saco!
Y diz: na verdade existe um cooler pra garrafa mas não é tão rápido não
X diz: sim, sim… e é elétrico, né
Y diz: mas so esfria garafa por garrafa…
é elétrico, de tomada
X diz: sei… num adianta.
eu tinha pensado em fazer alguma coisa elétrica no meu, com carregador USB
Y diz: hhmmmm
X diz: só que ia ficar pesado, por causa da bateria, e nãm era muito prático, e não consegui pensar em nada instantâneo
Y diz: hhhmm… mas você pode criar o sitema pensando numa tecnologia que ainda não existe
X diz: teria q ser como uma microgeladeira…
mas a idéia do gás era bem mais viável por conta da longa durabilidade, porque seriam quantidades minimas liberadas, e fica bem mais leve.
É isso!!!!! eu posso pensar num gás que ainda não existe, né
kkkkkkkkkkk
Y diz: eita, aí já é demais…
rapidinho, já vorto!
X diz: oráit

(…)

Y diz: aime béquee
X diz: menina, me enchi de esperanças agora
Y diz: por que?
X diz: procurando no santo-google-pai-dos-burros, naquele textinho prévio, tinha que o hélio tem PE perto de zero…
quando eu fui ver, era o zero absoluto, -273ºC
pfffff!!! me animei todinha pra ser isso :P
Y diz: heheheheh puf tadinha
X diz: mas tô procurando ainda, e pode ser que tenha alguma combinação de gases também…

(…)

X diz: aháaaa, achei um melhorzinho já: Radônio, PE -61,8º
Y diz: não é tóxico?
X diz: num sei, tô lendo ainda. mas não vai ter contato direto com o líquido.
Y diz: mas e a radiação?
X diz: pode ser q seja cancerígeno, mas esse é um risco que temos que correr..
Y diz: foi assim q mariee-currie morreu
eeeeita… pra esfriar água, prefiro gelo!
X diz: kkkkkkkkk
mas isso é o tipo de coisa q só se descobre 20 anos depois, quando pessoas começam a ter mortes estranhas… num tem problema pra um trabalho de faculdade, hohoho!! o tal gás é muito usado em radioterapia, não deve fazer tão mal assim.
Y diz: é vero, é vero…
afinal nada mais importante q beber água gelada
X diz: lógico! água e qualquer outra coisa
Y diz: é verdade, o que seria do mundo se só existisse gatorade quente??
X diz: pois é! e tudo agora é a praticidade! resfriamento instantâneo! quem se preocupa com radiação nociva? (acho q dá pra colocar isso no textinho…)
Y diz: um problema de cada vez , primeiro resolvemos calor , depois as mortes (é né, algo bem MacDonalds…)
vê, meu amigo tá falando aqui de umas bolsas q atletas usam, que quebra uma pastilha aí fica bem fria
X diz: eita, num conheço não… pastilhas de que?
Y diz: não sei, vou procurar. mas é descartavel, isso que é o maior problema
X diz: realmente… vamos continuar com o gás. até agora, radônio tá ganhando.
Y diz: afinal , daqui a 20 anos mesmo ou a terra ja vai ter sido destruida ou o câncer curado
X diz: acho que é mais provavel a 1ª opção. temos que ser otimistas, né…

Sabe-se que X obteve nota máxima com o projeto, entregue 2 semanas depois de ocorrida a conversa aqui relatada, e está em liberdade. Alega estar trabalhando em um projeto de iluminação revolucionário, ambentalmente correto, com uso de material reutilizado. Infelizmente, o cantil de resfriamento instantâneo não pôde ser desenvolvido, por conta das limitações tecnológicas da universidade. Nunca saberemos, então, das intrigantes consequências que atingiriam o mundo através de tal invento.


*nomes não revelados para preservar a integridade física das pessoas envolvidas.

(soundtrack: Kaiser Chiefs – Ruby)

papinho de dizáine

Semana ocupadinha, do fim até o meio. Casa de Yasmim, com direito a Cassino Royale, tutorial de pôquer (sacaram?), strogonoff de camarão e insônia compartilhada, muito comum a estudantes de design inquietas pelo começo das aulas. Depois, a Expo!! Ok, eu não estava esperando ansiosameeeeente pelo evento (ExpoDesign Norte e Nordeste, exposição de trabalhos acadêmicos de design, e não vou me alongar muito na descrição, senão daqui a pouco eu mesma me enrolo, já que design é uma das coisas mais indefiníveis que existem), mas no fim das contas foi óoootimo. Saí de lá com um imenso orgulho do lugar onde estudo, porque a Expo foi zilhões de vezes mais organizada que o , noções espaciais do bairro de Apipucos (existe vidaalém da Av. Caxangá!), raiva de não ter incluído o almoço na inscrição, porque a comida estava surpreendentemente boa, uma camiseta serigrafada por mim, muitas idéias na cabeça e a frustração de não ter nenhuma câmera na mão (pegou, pegou?). E de não ter mandado nenhum trabalho pra a mostra competitiva. Não interessa o fato de eu não estar na cidade na época do fim das inscrições, devia ter feito uma forcinha. Mas São Luís que me aguarde em 2008. Vamos eu, meus caracóis, minhas sombrinhas e tudo que eu achar que vale a pena ser mostrado. Me empolguei, hihihihi!

No mais, um período que promete ser produtivo e cheio, e colorido, e levado um pouquinho mais a sério do que o anterior. Depois da Expo, bateu até uma vontadezinha de entrar pro D.A. do curso… mas sei lá, brigar não é pra mim. Nem política. Nem reuniões obrigatórias. A euforia foi por água abaixo, e tá bom assim. Além disso, tem uns 20 livros me esperando ansiosamente na biblioteca do CAC, e um projeto imenso de serigrafia, que vou adorar fazer, nas horas sem medida do ateliê de Cloves. E mais montes de coisas ainda por vir, já que não tive todas as estréias do período ainda. E acho que vou amar todas.

(soundtrack: Carla Bruni – Le Plus Beau du Quartier)

busy

pergunta: o que uma pessoa faz quando tem uma quantidade absurda de trabalhos pra entregar nos próximos 5 dias e nenhum deles está concluído?

resposta mais do que óbvia: passa a noite inteira zanzando na internet com coisas inúteis.

só pra vocês sentirem o drama:

15/09
entrega de toda a produção de Desenho de Observação:

- 1ª avaliação: entregar sem falta todos os desenhos até sexta-feira, 15.
- desenhos de CONTORNO:, banco (cadeira), calçado, flor, mão + pé, palma de banana, rosto humano.
- desenhos com TONS (sombra): cilindro, cone, cubo e esfera.
- desenhos com as LINHAS DE SUPERFÍCIE: palma de banana, pimentão.
- desenhos de CONTORNO, TONS e LINHAS DE SUPERFÍCIE: rosto humano, açucareiro de inox, flor e folha seca.
- desenho com TONS e CONTORNO: 6 objetos escolhidos pelo aluno.

18/09
entrega das pranchas 23 e 24 (para quem ainda não entregou)
entrega das pranchas 25 e 26.

25 – perspectiva isométrica (mão livre)
26 – perspectiva isométrica (instrumento)

A prancha 27, perspectiva com vista explodida, será feita NA SALA DE AULA.

19/09
entrega das pranchas (definitivas) de IMAGENS.
poderão ser utilizadas texturas e/ou cores.

2 pranchas MANUAIS: imagens impressão obtidas através de fotografias utilizadas em anúncios, revistas, cartazes, etc.

2 pranchas IMPRESSAS: imagens digitalizadas obtidas em banco de imagens, ou manipulações com uso de software, podem usar dingbats, etc.

27/09
i
nício das apresentações dos seminários de Design Contemporâneo.

(calendário gentilmente envidado pra toda a turma por Maíra, nossa anjinha)

Ok, ok, não foi totalmente inútil. Escrevi quase meia página pra o seminário do dia 27, cuja reunião do grupo é sábado, consegui fazer as pranchas impressas de terça-feira e encaminhar uma das manuais. faltam as 2 perspectivas (pra segunda) e todos os desenhos de observação. Descobri que odeio desenho de observação… que ironia. E tenho quase certeza que se acender a luz e sentar à mesa na frente de uma folha de papel em branco com a maior paciência do mundo e um lápis com a ponta feitinha, durmo em menos de 2 minutos.

Mas fazer o quê? Vou lá. Me desejem sorte (se bem que a essa hora nem tem ninguém pra me desejar sorte… e o pior é que nem dá pra ouvir Strokes no volume máximo, que aí eu ficaria acordada, com certeza).


(soundtrack: um piano lindo do filme que está passando, que nem sei qual é, mas é de amor)