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sobre livros

A última imagem que levamos do Brasil é a de uma bonita livraria, uma catedral de livros, moderna, eficaz, bela. É a Livraria Cultura, está no Conjunto Nacional. É uma livraria para comprar livros, claro, mas também para desfrutar do espectáculo impressionante de tantos títulos organizados de uma forma tão atractiva, como se não fosse um armazém, como se de uma obra de arte se tratasse. A Livraria Cultura é uma obra de arte.

Também me tocou bastante a livraria da Companhia, ver estantes luminosas com obras de fundo, os clássicos de sempre expostos como outros fazem com as novidades. E todos juntos oferecidos ao leitor, que tem o difícil mas interessante dilema de não saber que escolher.

José Saramago (sim, o próprio) também adora a Cultura. Qui nem qui eu. Eu já pensei que fosse a iluminação, ou o cheiro gostoso de café e de livro novo, ou o ar inteligente tanto dos vendedores como de quem frequenta ali, ou a música ambiente, sempre de bom gosto. Mas tem mais alguma coisa, que não existiria de jeito nenhum se o que estivesse à venda não fossem livros. Livros hipnotizam, prendem, e pelo menos em mim, exercem um fascínio que vem desde pequena, e deve continuar até eu estar bem velhinha, cheia de astigmatismos e sem conseguir ler nada direito de verdade, mas ainda vou gostar dos livros, só por causa do cheiro e das idéias que eles carregam.

E isso tudo Saramago, Cultura, livros, obras de arte, me fez chegar às seguintes considerações:

1. não consigo me adaptar a e-books. Preciso do livro na mão, preciso passar uma página depois da outra, preciso ter um marcador de livros de verdade, não um notepad dizendo “estou na página tal do livro X”. Já tentei, com a maior boa vontade do mundo. Comecei a ler livros incríveis na tela do pc, e tenho certeza de que os teria terminado se eles fossem de verdade, de papel.

2. vou comprar, assim que der, o livro da Cris, Para Francisco. Sim, mesmo tendo lido todo o blog, mesmo conhecendo a história, mesmo não precisando dele. É um daqueles livros pra ter na mesa de cabeceira, e ler, e se emocionar, e ir dormir com aquele embargo na garganta de quando a história é muito emocionante. Se as palavras dela conseguem me causar isso na tela do pc, em horário comercial, imagina o livro de verdade. Na verdade, se algupem quiser me dar de presente, eu super aceito. Mas avisa logo hein.

3. nesses últimos meses tenho estado perdidamente apaixonada por tipografia. E acho que gostar de livros é grande parte desse meu encantamento pela forma das letras. Sim, porque a gente não percebe, mas uma parte do sucesso do livro com o leitor está em como as letras se comportam na página, e é bom que elas ajudem, sabe? Que deixem o texto fluir, que te empurrem pra a próxima página, que deixem a coisa toda mais interessante. E isso tudo são detalhes. E estou me descobrindo cada vez mais detalhista. Eu sei eu sei, um dia esse preciosismo com certas coisas ainda me mata. Mas amo mesmo, vou negar por quê?

E desisti de encontrar um grand finale fofo e emocionante sobre livros pro post de hoje. Não ando muito boa nem muito paciente pra esperar as palavras chegarem esses dias. Fora que o post de hoje veio assim, do nada (aliás, veio do blog de Saramago), e tinha zilhões de coisas sobre os dias em João Pessoa que eu queria já ter escrito, e vão ficar um pouquinho pra mais tarde, até eu processar tudo direitinho. Desculpem a bagunça. Fim do post.

(soundtrack: David Bowie – Lady Stardust)

rapidinhas

*estou entrando na vibe natalina, até cedo, na minha opinião. É meu primeiro natal morando sozinha, e deu vontade de arrumar uns pisca-piscas e fazer uma árvore. E os panetones me deixam feliz nessa época do ano.

*eu torci por Obama nessas eleições americanas (novidaaaade). Fiquei feliz por ele, e acho realmente que algo vai melhorar, só por não ser Bush o dono da bola. Mas acho de verdade que já tá na hora de falar em outra coisa nos noticiários, porque a partir do momento em que se começa a discutir se as Obama-girls vão estudar em escola pública ou particular e qual vai ser o novo cachorrinho delas, sinto uma vibe “vamos encher linguiça” no ar. Como se não tivesse coisa acontecendo no mundo, né. Por favor.

*tô sentindo muita, muita falta de ter aulas esse período. Sim, sou nerd, mas dessa vez o motivo é outro. É a falta de conversas aleatórias e almoços, e meias-horas na frente do CAC com os colegas, que tá cada vez mais raro eu ver. Porque quando o professor marca orientação, cada um vai lá a hora que quer, discute o trabalho e vai embora, porque todo mundo tem coisas urgentes pra fazer da vida, e ajuda muito se você fica livre às 10h. Triste isso.

*o tempo passa muito rápido às vezes. Tipo agora.

*a perspectiva de 3 meses de férias é incrivelmente doce e animadora pra quem teve no máximo 30 dias sem aula durante toda a vida acadêmica. Sim senhor, sombra e água fresca (ou melhor, sol e água-de-côco). Minhas to do lists vão mudar, minha pele vai mudar (aliás, já está mudando, que o sol de Hellcife não perdoa ninguém, mas vou sumir com essas marcas de camiseta from hell) e principalmente meu guarda-roupa vai mudar. Que venham os shortinhos e as regatinhas soltas e as saídas de praia, que não tem nada melhor pra entrar na vibe férias do que roupa de férias.

*preciso ir no mercado. Basicamente, esse texto das Garotas diz tudo.

*falando em Garotas, me senti tão órfã ao saber do fim do blog que não consigo ler os últimos textos do mês especial de despedida. Sei lá, como se quisesse guardar pra depois. Dava pra saber que estava perto do fim, só de ver o tanto de textos republicados e a falta de tempo das três. Mas poxa, acompanho Vivi Griswold, Clara McFly e Flá Wonka (e Sabrina) há um tempo enorme, desde bem antes deste blog começar a existir, desde a época da Época. E tantas vezes elas disseram exatamente o que eu queria. E me fizeram rir nas horas mais inimagináveis. E me deram um nome pro blog – que de vez em quando parece idiota, mas significa um bocado pra mim. Vou sentir uma falta enorme. E boa sorte pra elas, pra o que quer que elas façam daqui pra frente. E que continuem amigas inseparáveis.

(soundtrack: Grant Lee Phillips – Wave of Mutilation)

uns dias atrás

Eu sou a copiadora de memes mais descarada que conheço. Esse que vem aí eu nem lembro se alguém me indicou pra fazer muuuitas luas atrás e acabei deixando passar batido. Náo sei nem como é o nome, ou se tem um nome específico pra ele. Só se que vi em vários blogs esses dias e resolvi fazer igual, e daí? O problema é que enquanto as pessoas normalmente escrevem umas 5 frases, eu me perco lembrando das coisas e acabam saindo dois metros de texto. E não que seja ruim, muito pelo contrário. Só queria que fosse assim com a conclusáo do meu artigo, que não sai nunca =/. (E eu fico ainda me fazendo de coitadinha, quando tudo que tenho que fazer é parar de reclamar e fechar o Google Reader pra escrever as coisas direito).

Viram, já mudei de assunto de novo, coisa de DDA que esqueço que tenho – e o melhor de tudo é ficar falando sozinha na caixa de texto do WordPress uaheuaheuahe – mas vamos ao que interessa:

10 anos atrás eu tinha 10 anos. Eu passava o recreio na biblioteca da escola. Estava na quinta série, e me achava o máximo por já ter passado do primário. Eu dava um jeito de não fazer Educação física. Minha mochila era maior do que eu. Eu era a mais nova (e menor) da classe, e já odiava matemática. E minha mãe era minha professora. 10 anos atrás eu conheci a melhor professora de artes que já tive. Eu morava numa casa enorme, que tinha dois pianos e uma árvore de natal de dois metros todo ano. Eu queria ser arquiteta. Eu imaginava casas pra a Barbie. Eu brincava de barbie com Priscila e com Nanda. Com Nanda era mais legal.

5 anos atrás
meu maior guilty pleasure era ler Capricho escondido. Eu queria uma agenda da Capricho. Eu não usava mais mochila, porque já estava no primeiro ano, e mochila era coisa de criança. Eu me mudei de escola, redescobri um amigo de infância e ganhei uma melhor amiga que era o oposto de mim. Eu tirei 10 em química, e não consegui me livrar da nerdice nunca mais. Eu me apaixonei pela primeira vez, e descobri tanto as borboletas no estômago quanto a vontade de chorar até que não sobrasse nada mais em mim, de tanto que doía amar sem ter amor de volta. Ou o que eu achava que era amor. Eu recebi flores de um garoto pela primeira vez. E descobri que meu cupido era absurdamente burro. Eu comecei a escrever pra desabafar, nas folhas do meu fichário de capa de bolhinhas d’água. Eu escrevia com aquelas canetas Bic coloridas. Eu tinha um caderno só pra conversar com as amigas na hora da aula. Eu morei em duas casas diferentes nesse ano, e até hoje tenho um carinho especial por aquela em que só passei 6 meses. Eu conheci a melhor professora de música que já tive. Aprendi a tocar flauta transversal, e aprendi Chico Buarque. Eu abandonei os óculos pelas lentes de contato. Eu ia à igreja todo domingo. Eu ainda queria ser arquiteta.

2 anos atrás eu criei o blog. Eu conheci Sofia. Eu me mudei de cidade. Eu comecei um curso na federal, e não foi Arquitetura. Eu descobri o CAC. Eu morava com uma pessoa insuportável, mas o apartamento tinha uma vista incrível. Eu vi o desfile de 7 de setembro da varanda. Eu estava, em setembro, juntando (de novo) os cacos do meu coração, que foi partido em maio. E já tinha sido remendado no comecinho do ano. Eu trabalhava na empresa da família, e vi pela primeira vez como é trabalhar de verdade. Eu fui seguida por um maníaco (provavelmente inofensivo, mas aparentemente muito perigoso) durante uns dias. Eu dispensei o melhor cara que podia aparecer na minha vida naquela hora, e que era louco por mim, simplesmente porque não dava pra beijar um pensando em outro. Meu cupido ainda era muito burro. 2 anos atrás, eu adorava passar as tardes livres na livraria cultura, o que não é muito diferente de passar o recreio na biblioteca. Eu ganhei minha primeira câmera minha-de-verdade, e adorava fotografar. Eu fui de férias pra casa pela primeira vez.

mais ou menos 1 ano atrás eu estava solteiríssima, e nem ligava mais pra a burrice do meu cupido, que esse já era um caso perdido. Saía de mais uma paixão frustrada, dessa vez por puro despeito do cara em questão não enxergar o óbvio. Eu cheguei a escrever um post me declarando (ok, that was stupid). Eu conheci Carol, e comecei a trocar emails gigantes com ela, e a gente passou a se conhecer desde criança (ok, eu conheci Carol há bem mais tempo, mas ela tinha que aparecer aqui). Eu não tinha turminha na faculdade, mas tinha companhia pra almoçar. E não passava mais o recreio na biblioteca, mas ainda adorava a livraria cultura. Eu fui a uma festa a fantasia, e minha fantasia era a melhor de todas. Eu estava prestes a começar a trabalhar num lugar cheio de computadores e nerds. E beijar um deles sem nem conhecer direito.

6 meses atrás
o nerd que eu não conhecia direito quando beijei pela primeira vez era agora meu namorado há 4 meses. Meu cupido não era mais tão burro assim. O blog completou 2 anos de idade. Eu recebi um aumento no trabalho. Eu já morava sozinha, e estava aprendendo que a vida aparece nos lugares mais inimagináveis da casa, especialmente na geladeira. E que comprar frutas não era um bom negócio. Eu começava o quinto período na faculdade, e só queria voltar pra a praia deserta do mês anterior. Eu era dupla de João, e inexplicavelmente a gente deu certo com os trabalhos de resina. Eu era dupla de Cani, e descobri que, mais do que uma doida viciada em anime e muito boa no que faz, ela é uma amiga incrível (e agora Carol vai ficar com ciúme) e muito boa em roupinhas pra Barbies. 6 meses atrás eu voltei a brincar de barbie. E vi um show de Arts ‘n Crafts. E deixei Namorado subir pro meu apartamento.

1 mês atrás
Comecei a assistir Weeds com Namorado, em noites de pizza, coca-cola e Special Dark. Comecei a escrever um artigo. Comecei o sexto período. Minha máquina de costura quebrou. Comprei um celular novo, que o meu tava pedindo menos. Recebemos, Namorado e eu, um convite de casamento. Vamos. Tá pronto o vestido.

ontem fui à praia fazer um trabalho de faculdade. Troquei receitinhas com Mariana. Recebi email-gigante de Carol e respondi, apesar de ela não estar merecendo muito. Foi aniversário de Mel. Entreguei um convite de casamento que mamãe me encomendou, mas não era o dela. Tive vontade de ir ao cinema assistir Ensaio Sobre a Cegueira, mas não estava nada inspirada pra me arrumar e sair de casa. Fui assistir Weeds em casa com Namorado. Fomos chamados de última hora pra ir ao Jazz Festival (quem puder, vá sem pensar duas vezes) e num instante eu me inspirei pra me arrumar e sair de casa.  Ouvi o autêntico jazz de New Orleans, e descobri como um contrabaixo e um violão, sozinhos, podem ser tão românticos.

hoje acordei meio que escutando ainda o show de ontem, e só pra não perder o clima, botei Billie Holiday pra tocar. Experimentei de novo o vestido do casamento da semana que vem e fiz os últimos ajustes. Vi o começo da classificação do GP da Itália. Tomei Sucrilhos. Quero assistir Ensaio Sobre a Cegueira. E muito provavelmente vou querer escrever sobre (tanto o livro como o filme). Tenho que dar uma leve faxina na casa. Tenho que mandar email do trabalho na praia pro resto da equipe que não foi – bando de bestas.

amanhã quero que Namorado me acorde pra ver o GP da Itália. Só isso, por enquanto. Já começa bem.

(soundtrack: Billie Holiday – The Man I Love)

de filme

só pra atualizar isso aqui (ai que horrooooooooor eu falando isso! parece aquelas menininhas de fotolog que não tem nada interessante a ser dito e colocam fotinha de biquinho, saaaaaai desse corpo que não te pertece!!!)

Pronto. Passou o chilique. Mas enfim, vi isso no blog de e resolvi fazer também. É só escrever um post com uma citação que te marcou, retirada de um filme, indicando a personagem, o filme e um poster.

Então lá vai, meu filme é Batman, e a frase é do finado Coringa Heath Ledger: “whyyyy sooooo seeeerious?”

É não, tô zoando. Não resisti. Porque Batman é o máximo (tá, é filme-de-menino e blockbuster, mas e daí, gostei meeerrrmo e daí? A maquiagem do Coringa tava perfeita, me deu até arrepios, fora o fato de ver um cara recém-morto-em-circunstâncias-suspeitas no papel de vilão mais assustador de todos os filmes que já vi num passado recente, acho que só perde pra Scar do Rei Leão) e tá super fresquinho na cabeça.

Mas vamos voltar ao assunto-mor. Não é segredo pra ninguém que Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é um dos meus filmes. Tenho históricos sentimentais com ele, assisti zilhões de vezes e praticamente sei as falas decoradas. E a que vai pro meme não é nem uma fala, é um diálogo entre Joel e Clementine. aliás, praticamente o filme todo são eles dois em diálogo, e é difícil escolher qual é o mais bonito.

Anyway, lá vai. É bem o finalzinho do filme, as últimas falas. E a sensação de que não acaba de verdade é deliciosa.

Joel: I can’t see anything that I don’t like about you.
Clementine: But you will! But you will. You know, you will think of things. And I’ll get bored with you and feel trapped because that’s what happens with me.
Joel: Okay.
Clementine: [pauses] Okay.

(soundtrack: Jon Brion – String That Tie to You)

cheguei.

Pra todo mundo que conseguiu chegar daqui, sejam bem vindos. Pra quem não tem a menor idéia do que eu acabei de falar, bem vindos também, à casa nova, êeeeeee. (esclarecendo: acabei de chegar do blogspot, depois de 2 anos lá. Não tive nenhum problema, não perdi tudo que tinha lá, nada. Enjoei, só isso. Mulher tem dessas coisas.)

Eu devia escrever um texto de verdade, algo que conseguisse emocionar alguém, ou que fosse engraçado, ou genial, digno de um post de estréia. Podia também continuar a vida do blog como se nada tivesse acontecido, como se eu estivesse num sofá e fosse pra a poltrona do outro lado da sala. Eu podia explicar todo o processo criativo até chegar no que vocês estão vendo (porque quando tô trabalhando numa cara nova, ou numa casa nova pra o blog, fico obsessiva e workaholic como em final de período), e acabar com a graça de todas as coisinhas do balão. Mas sinceramente, tô morta de cansada, e minha coluna não aguenta mais 5 minutos sentada na frente do pc. Dona Paula, que me ajudou um bocado e já passou por isso sabe como é.

Mas pra não passar em branco, tem novidade no primeiro dia de blog novo, êeeee! Finalmente comecei meu projeto 365days, coisa que eu queria desde que ouvi falar pela primeira vez. Basicamente você posta uma foto sua em algum lugar (blog, fotolog, flickr, whatever) todos os dias durante um ano. A foto tem que ser clicada por você, e tem que mostrar um pedacinho – um milímetro que seja – do seu corpo. Não vale trapacear, e colocar foto antiga, ou até mesmo de ontem. Não vale postar 2 fotos no mesmo dia, pra compensar o atrasado, e nem adiantar postagens. É uma por dia e pronto. Pra mim é um desafio, eu que já bati a marca de 2 semanas sem escrever no blog, e relutei um bocado antes de começar. Já quis começar no primeiro dia do ano, e no aniversário do blog, e no meu aniversário, mas o estalo não veio. Veio agora. E apesar de não ser um exemplo de disciplina, estou seriamente determinada a levar isso pra frente. Até 13 de julho de 2009, se tudo der certo. E vocês vão me ajudar.

Seguinte: vou postar as fotos no flickr, na minha galeria (que não tem nada ainda, só o 365days mesmo). As atualizações aparecem aqui no blog, na barrinha aí do lado – ai como eu amo essas frescuras! -, super fácil pros curiosos. Se quiser ver grande, é só clicar. Ah, sim. Resolvi começar sem botar legenda e sem dar explicação de nada nas fotos. Quando tiver afim, comento aqui no blog sobre. Afinal, a quem estou tentando enganar, isso tudo é mais pra mim do que pra qualquer outra pessoa. Que nem o blog, e tudo que eu faço pra deixá-lo mais bonito e mais do meu jeito. Que nem quase tudo que eu faço. Alguém me manda parar de olhar pro meu umbigo, vai.

(soundtrack: Rita Lee – Mania de Você)

pra contar pros netos

Eu tinha perdido meu celular, e estava mais ou menos desesperada. Fiquei completamente desesperada quando consegui um telefone emprestado de alguém no estágio, liguei pra Namorado e ele disse que não, eu não tinha esquecido no carro dele. E voltei a ficar só mais ou menos desesperada quando ele disse que sabia com quem estava, que foi um tal de Alisson que foi procurado pela tia do restaurante do CAC, porque era o primeiro número na minha agenda telefônica. A tia ligou, o tal-do-Alisson foi lá e pegou meu celular pra me devolver, não sem antes ter que provar, de 082651356 maneiras diferentes que me conhecia e não era um cara mal-intencionado que só queria roubar um celular todo arranhado e incrustado de materiais estranhos (porque é isso que acontece quando você é uma pessoa agoniada e trabalha com materiais estranhos que deixam a mão suja).

Enfim, o-tal-do-Alisson ligou pra Namorado – que era o número mais recente na discagem rápida – e queria combinar com ele pra entregar, só que o horário dos dois era péssimo, então era melhor eu mesma combinar com o-tal-do-Alisson, pra pegar meu aparelho no outro dia.

Seria uma história no mínimo curiosa, se o-tal-do-Alisson não fosse o super-famoso-blogueiro-e-meu-amigo-de-internet Aju. Que tinha se mudado pra Recife há menos de 1 mês. Cujo telefone estava na minha agenda há menos de uma semana. E que eu ainda não havia conhecido pessoalmente(!!!). Agora já tinha motivo. E no dia seguinte à agonia toda de “perdi meu celular”, eu estava esperando aju na frente do CFCH, de chapeuzinho e flor vermelha no cabelo. E tivemos uns bons 40 minutos de conversa fiada regada a coca-cola, e eu super me diverti com as histórias desastrosas de Aju com meninas-que-gostam-de-forró. É, foi mais do que no mínimo curioso… é dessas histórias que a gente conta no Natal pra a família. ai ai.

E hoje é aniversário do Aju. E como boa conselheira sentimental e psicanalista particular, eu sei que já disse, mas vou dizer de novo, que não custa: vem muita m* por aí (brincadeira, a frase certa é “gosto muito de tu, e te desejo muita felicidade, muita sorte e pouco forró daqui pra frente”).

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e muitos anos de vida.


(soundtrack: Barão Vermelho – Maior Abandonado)

[/sentimental]

Eu vou sentir falta dele. Na verdade era isso que eu queria dizer, quando falei que a pessoa da mesa do lado vai sentir falta das nossas conversas barulhentas e do meu riso incontrolável, que é sempre culpa dele.

Foi ele a primeira pessoa que puxou assunto sem-ser-de-trabalho comigo. E que tentou me mostrar o que é música boa (opiniões controversas a esse respeito, mas tudo bem). Ele é o cara mais underground que eu conheço, e não sei como consegue acumular tanto conhecimento em, sei lá, um metro e sessenta de altura. Ele leu os livros que eu sempre quis ler. Ele conhece mais de Chico Buarque do que eu (!!!). Ele já atingiu outro nível de maturidade, e conhece muita coisa de muita coisa. E ainda assim discute comigo como se ganhar a discussão valesse a vida. Ele é o tipo de pessoa que você leva anos conhecendo, aos poucos. Eu só tive seis meses. E queria ter aproveitado melhor.

Ele vai embora, e eu vou sentir falta. Pronto, falei. E ele diz que eu sou má, cruel, fria e sem coração, mas de vez em quando tenho sentimentos (viu?). E vou sentir falta. E vai demorar pra ocuparem a mesa em frente à minha com alguém à altura, apesar de ele dizer que eu sou muito fácil pra rir, que dou risada de qualquer besteira. Mas mesmo a 4718496532 quilômetros de distância, a gente sempre tem o skype. Não dá mais pra levantar e verificar a intensidade do riso provocado, ou tentar ganhar uma discussão apelando pro olho-no-olho. Mas sempre tem o skype.

Não vou desejar sucesso, que ele já deve estar de saco cheio disso. Quero, sim, que ele se divirta bem muito na Microsoft, e não deixe eles lá saberem que ele vai comprar um Macbook com o salário que receber de tio Bill. E que continue sendo o cara mais underground que eu conheço.
;;
[Pelo visto eu tenho sorte com bons amigos à distância...]
..
(soundtrack: Chico Buarque e Miúcha – Maninha)

run for your life

A Carol e a Jady me deram a incumbência ao mesmo tempo, então a coisa é meio urgente. Lá vai:
..
8 coisas pra fazer antes de morrer (não necessariamente em ordem cronológica ou de importância):

1. conhecer, entre muitos outros lugares do mundo, Londres. E lá, tirar foto atravessando a faixa de pedestres da Abbey Road e zoar com um daqueles guardinhas, e andar no ônibus vermelho.
2. aprender francês. Não serve pra nada na vida (nem em Londres eu vou usar) mas é tãaaaao bonitinho!
3. dançar. De verdade, de vestido rodado e sapatos apropriados, e com um par que lembre bastante o Richard Gere.
4. fazer alguma coisa tipo pular de pára-quedas, ou voar de asa-delta, ou me jogar de bungee-jump de alguma ponte num lugar bonito. Só pra saber se alguma coisa consegue ser mais intensa do que tudo que eu sinto em dias normais, fazendo coisas normais.
5. passar um Natal em NY. Porque apesar de ter muito nojinho dos EUA ultimamente, morro de vontade de estar no centro do mundo, e melhor ainda se for com neve e luzes e musiquinhas de Natal. Ah, e tomar café Starbucks em alguma esquina.
6. casar. É, eu quero, um dia, apesar de a idéia me assustar um pouco agora.
7. saber fazer uma comida especial (que não seja brigadeiro ou leite-com-chocolate), e ouvir todo mundo dizer que nunca comeu tal-coisa melhor que a minha. Igual o pirão de leite de minha mãe, ou a moqueca de Zena.
8. ler, ouvir, assistir, conhecer e apreciar todo tipo de coisa que a vida tem, infinitamente mais do que leio/ouço/assisto/conheço hoje. Parece que a gente tem tão pouco tempo pra tanta coisa.

Resumindo, quero viver bem muito, e quero que chegue o dia de eu me acalmar, baixar a velocidade, estar de mãos dadas com o meu amor – aquele que vai ser pra sempre – e ver o tanto de coisa que já fiz na vida, e, ao fazer as contas, ter aproveitado mais do que perdido tempo, e ter mais sorrisos do que caras sérias (não digo nem mais sorrisos do que lágrimas, porque elas são boas também, no fim das contas), e ter tido amigos de verdade, e ter amor pra mais outra vida inteira.

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[sim, sim, fiquei sentimental. É o que acontece quando simplesmente deixo fluir.]

Ah. Era pra indicar 8 pessoas pra fazer a mesma coisa, mas eu simplesmente não consigo. Sou muito lentinha pra memes, e basicamente todo mundo já fez antes de mim, inclusive todo mundo que eu queria indicar. Sei lá, deixo pra mamãe (que já foi intimada mas não fez ainda), pro Menino Estranho e pra o Aju, acho que eles não fizeram =D

(soundtrack: The Beatles – Dear Prudence)

ainnn 2

Fico tão agoniada quando não escrevo aqui. Não é que faça do blog uma obrigação, muito longe disso. É que, por mim, escreveria todo dia, escreveria mais, escreveria bem muito. Tantas coisas que vejo, penso ou invento e acho legal e me vem à mente “vou colocar no blog”. Só que aí começa a semana, aulas, estudar, malhar, e todos os verbos de ação que se puder imaginar (inclusive este, se for considerado de ação. por mim, é). E fico com o tempo corrido. E não gosto de vir aqui e escrever rápido, correndo só pra pensar “prontojáfiz”. Gosto de sentar e pensar, e ler os blogs amigos e comentar aqueles meus comentários enoooormes. E quando não consigo fazer (detesto dizer não tenho tempo. hate), fico agoniada. E faço bico. E falo um monte de “e”.

Carol disse e eu assino em baixo. E volto de verdade assim que passar meu inferno astral.

dois anos atrás

Dois anos atrás, eu morava numa cidade com pouco mais de 200 mil habitantes.
Dois anos atrás, eu estava apaixonada.
Dois anos atrás, eu tinha os cabelos pretos e compridos, e quase lisos.
Dois anos atrás, minha escrivaninha era lilás (eita, rimou!).
Dois anos atrás, eu mal sabia fritar um ovo.
Dois anos atrás, eu escutava Los Hermanos sem parar. Tá, e Engenheiros do Hawaii *vergonha*, mas só porque estava apaixonada.
Dois anos atrás, eu estava começando a aprender a mexer no Photoshop, e fazia coisas legais e diferentes, apesar de ingênuas, com fotos minhas.
Dois anos atrás, eu tinha um fotolog.
Dois anos atrás, eu contava os dias pra ir embora de casa.
Dois anos atrás, eu virava noites conversando no MSN.
Dois anos atrás, dia 6 de março de 2006, eu criei um blog. Já tinha tido outros, que não duraram mais de 3 meses, e não sabia no que ia dar. Fiz mais porque tive uma idéia genial pra o layout, porque estava inspirada, e porque era fã das Garotas Que Dizem Ni.
Dois anos atrás, eu não fazia idéia.

Ok, posso estar sendo repetitiva, mas não canso de dizer: meu blog é meu divã. E fazem parte dessa terapia todos os amigos que descobri nesses dois anos, blogueiros ou não. E todos os curiosos, que lêem sempre, mas nunca comentam, e até quem só vem aqui uma vez, lê o blog inteiro e nunca mais volta. Blogar me abriu os olhos pra um mundo completamente novo e enorme. E esse lugarzinho se tornou um registro perfeito, detalhadíssimo e com todas as emoções a que tive direito das coisas mais importantes de 2 anos da minha vida. Quem me conhece sabe a necessidade que eu tenho de memórias palpáveis (ou quase), e de lembrar delas, pegar, ver, ouvir, sentir. Mudei de cidade, me apaixonei, fiquei feliz, triste, nervosa, stressada, com medo, ri, chorei, critiquei, elogiei, me arrependi, desabafei, inventei histórias, e que bom que não deixei tudo isso passar em branco.

Dois anos depois, minha escrivaninha é vermelha, meus cabelos são castanhos, eu moro na 3ª maior cidade do Brasil, estou apaixonada, meu gosto musical melhorou consideravelmente (e descobri o last.fm), sei fritar ovo e outras coisinhas, sei mexer bem direitinho no Photoshop, abandonei o fotolog, e ainda sou fã das Garotas que Dizem Ni.

E depois do discurso de aniversário, vem o bolo (a parte mais legal, êeee): quem acompanha isso aqui desde o começo sabe que o blog já teve váaaaarios layouts. Uns duraram muito tempo (o último ficou no ar por quase um ano), outros passaram por aqui rapidinho, mas todos, em determinado momento, conseguiram me traduzir de uma maneira única. E pra comemorar o aniversário, temos cara nova pro blog, êeeeeee! E não vou explicar o conceito, o uso das cores, os significados por trás de cada coisa, porque isso não é trabalho de faculdade. É meu lugar, e pronto. E todos são muito bem-vindos.

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e agora eu faço um desejo e assopro.


(soundtrack: Kimya Dawson – Tree Hugger)

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