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quase um ano

O que são onze meses? Você pergunta a qualquer pessoa, e todo mundo diz “é quase um ano”. Pois bem, hoje faz exatamente quase um ano que a gente estava dentro do carro, tocava Pais e Filhos no rádio, eu vestia uma blusinha solta, lilás, que já não uso há um bom tempo porque me deixa muito com cara de menininha (e eu realmente me surpreendo de lembrar assim de tudo) e aconteceu o seguinte diálogo:

- Gafa viu a gente saindo junto do restaurante hoje, e veio falar comigo, todo engraçadinho.
- ele disse o quê?
- perguntou se a gente tava namorando.
- e você disse o quê?
- que “sei lá”. Né?
[...]
- você quer?
- não sei… você quer?
- eu quero.

Ele deve ter visto a minha expressão de “não acredito que isso tá acontecendo”, talvez não soubesse interpretá-la tão bem como hoje. Naquele momento tudo rodava a trezentos quilômetros por hora na minha cabeça, uma mistura de alegria e medo de ser tudo um grande equívoco. Porque a gente nunca tinha se visto na vida até um mês atrás, e eu ainda não estava naquele grau de paixão doente que quem me acompanha por aqui já conhece. E parecia fácil demais, sabe aquela coisa do easy come, easy go? então. A sensação era que aquilo tudo podia acabar a qualquer momento, que ele podia sumir da minha vida do mesmo jeito que apareceu (observem que meu subconsciente creep nem considerava a possibilidade de eu desistir e sumir), e que eu, apesar da vasta experiência em relacionamentos amorosos fracassados, não fazia a menor idéia de como era ter um namorado de verdade, de andar de mãos dadas no shopping, de conhecer a família, de dizer “eu te amo” sem ter medo de assustar o outro e ele sair correndo, e por aí vai. Mas quando ele segurou minha mão (na verdade não lembro se segurou minha mão ou me abraçou, ou me beijou, ou ajeitou meu cabelo daquela maneira que só namorados fazem, só sei que foi uma forma de carinho incrivelmente doce) eu só pensei que era isso que eu queria, e que sim, podia dar certo, por que não? E aí disse “eu quero também”. E sorri. E a gente estava tão perto um do outro. E ainda tocava Pais e Filhos, exatamente na parte do “é preciso ama-a-ar as pessoas como se não houvesse amanhã”. E o diálogo continuou. Era algo assim:

- ei.
- que foi?
- eu nunca fui namorada de ninguém.
- nem eu.
- sério?
- sério.
- mas então, não sei nada dessas coisas. Tem paciência comigo, tá?
- a gente aprende junto.

Estamos aprendendo. Há quase um ano.

(soundtrack: Sam Phillips – Love is Everywhere I Go)

meu melhor amigo é o meu amor

Tive uma noite de insônia, como há tempos nâo acontecia. Daquelas de não conseguir fazer nada produtivo, só zapear na internet (ou melhor, no viciante Google Reader). Daí botei pra tocar o cd dos Tribalistas, herança que ficou de Curupa. Claro, eu já conhecia umas músicas soltas, e já tinha escutado algum tempo antes, mas deu saudade das músicas fofinhas e das letras inteligentes, e de umas experimentações meio doidas que Arnaldo Antunes gosta de fazer.

Aí tocou Velha Infância. Que era tema de novela, da época em que eu assistia alguma novela gostando mesmo. Mulheres Apaixonadas, pra ser mais específica. Isso lá nos meus 14 anos. Mas não foi a novela que marcou a música em mim. No ensino médio, tive a melhor professora de literatura EVER. Ângela, meio gordinha (tá, os meninos diriam que ela era muito gostosa, isso sim), menos de 1,60m, um enorme amor pela literatura, e pela vida, e pelo amor. No primeiro ano, pelo que me lembro (e alguém me corrija se eu estiver errada), ela ainda era solteira, mas meio enrolada com um cara. Que de vez em quando ligava na hora da aula, e deixava seus olhos brilhando. Ela trabalhava demais, mas ainda conseguia se arrumar e ser estilosa. Ela era feliz, dava pra ver.

A gente estava estudando, como acontece em todo primeiro ano, os estilos literários de cada época. O da vez era o Trovadorismo, hit da Idade Média. E os módulos de literatura da gente tinham análises chatíssimas de métrica, estilo e semântica das tais “cantigas de amigo”, e eu, apesar de adorar literatura, fosse ela qual fosse, não era muito fã de poesia, sempre preferi a prosa mil vezes. E acharia tudo aquilo um saco, se não fosse Ângela. Pois bem, um belo dia ela trouxe o clássico microsystem do colégio e um cd, que não sei se era dos Tribalistas ou da novela, mas que tinha Velha Infância. E foi genial quando ela mostrou que aquilo ali era uma cantiga de amigo musicada.

Futucando fundo na memória, porque tô com preguiça de ir no google ou no wiki, as cantigas de amigo eram escritas pelos trovadores pra suas amadas, numa época em que não se permitia falar abertamente de amor, porque, segundo a Igreja, amor era pecado. Ou algo assim. Mas eles diziam com uma ternura imensa coisas como “eu gosto de você, e gosto de ficar com você, meu riso é tão feliz contigo”, e as moças entendiam, e o mundo continuava girando apesar da Santa Inquisição e da Peste Negra.

Eu achei aquilo tudo tão doce que passei até a gostar um tiquinho de poesia (tudo ficou mais fácil depois que chegaram Manuel Bandeira e Drummond, é claro) e comecei a escrever coisas de amor pra aquele que era meu amor na época, embora não merecesse um trisco do que eu sentia. E fiz disso um hábito, escrever coisas pra garotos que cheguei a amar – e algumas viraram cartas, ou e-mails, ou posts, mas a maioria ficou guardada na gaveta -, até o dia em que um deles tornou tudo infinitamente mais fácil, sem me dar tempo sequer pra pensar em escrever alguma coisa.

Mas ontem me deu saudade. De Ângela, do primeiro ano, de mim mesma, como eu era, de como tudo era intenso e novo. De sentir de novo aquele tipo de amor que só acontece quando se tem 14 anos. Que inunda tudo, que está em todo lugar, que a única coisa que dá pra fazer com ele é sentir, sentir, sentir e esperar que passe. Sim, porque amor de 14 anos é sempre torto e não-correspondido. Mas ainda assim é amor.

E lá vou eu divagando de novo. É, acontece quando você só dorme uma hora e passa o resto do tempo lendo blogs de mulherzinha.

(soundtrack: Tribalistas – Velha Infância)

rapidinhas

(ou eram pra ser rapidinhas, mas eu tenho essa mania de ser prolixa… na verdade tá mais pra “pensamentos aleatórios enquanto eu devia estar escrevendo meu artigo”)

*B, acho que tudo que eu sempre quis, que eu sempre precisei, foi de alguém que me entendesse (e entrasse na viagem junto comigo) quando eu começo a falar inglês. Ah, ainda pra você: sabe um jeito que você tem de olhar pra mim, ficar uns 2 segundos imóvel e depois sorrir? É genético. Vi seu pai fazer igualzinho com sua mãe. Achei fofo. Aliás, se você ficar igualzinho a seu pai, e ainda for meu até lá, vou ter muita sorte.

e pronto, pára por aqui. Não quero ninguém com diabetes.

*Hoje eu estava realmente estilosa. Eu acho, né. Bem, pra minha chefe me elogiar, dizer que eu tava bonita, que aquela roupa caiu muito bem, tinha que tá, né. Ela não diz esse tipo de coisa à tôa. E realmente, o conjunto coletinho+gladiadora+calça reta+lencinho de amarrar na cintura que virou cachecol/gravatinha/whatever, só sei que ficou bem no meu pescoço funcionou bem. Aí por um momento eu pensei em fazer uma parada tipo o Hoje Vou Assim, mas 0,8 segundo depois desisti, que essas coisas de fazer uma coisa todo dia, sem ninguém me pagando nada a mais por isso, não funciona comigo. E o que ia acontecer, por exemplo, num bad hair day? ou nos dias de aula na oficina de tipografia, que obrigatoriamente tem que ser short + camiseta?

*Tô acabando de crer que sushi engorda. pensa aí, aquela quantidade absurda de arroz inchando no seu estômago… sem falar nas variações empanadas, que são o maior perigo, porque você super se ilude que tá comendo peixe com molho de soja, mas aaaaah tem algo de frito e completamente not-healthy naquele carioca.

*Terminar um artigo científico deve ser incrivelmente bom. Dizer que tá quase pronto e mandar pra revisão já foi um peso que saiu das minhas costas, imagina quando estiver nos trinques. Imagina quando ele for aceito, e eu tiver que ir pra Bauru apresentar o trabalho – peloamordedeus Bauru??? Esse povo de computação não tem a menor criatividade pra escolher locais de congresso, porque podia muito bem ser, tipo, em Gramado, em Londrina, no Rio, em NY…

*Preciso baixar alguma série pra assistir no horário do horário político (e o mais genial de tudo é eu pensar nisso faltando menos de um mês pra a palhaçada acabar).

*Descobri o indexed. Deu vontade de colocar minha vida em gráficos. Neeeerd.

Tô viciada no Google Reader. Gente, é muito perigoso isso. Quase caso pra internação. Comecei adicionando os blogs de amigos, pra não ter que ficar checando se estavam up to date, e aí um indicava outro, que indicava outro, e de repente eu descobri que o Google te recomenda blogs por conta própria (scaaaaary)!! E aí teve uma hora que eu não suportei ver zero páginas atualizadas, e fui procurar mais. E viciei em procurar mais, simplesmente porque tem tanta coisa legal na internet pra ver. E nessa brincadeira, já são quase 80 sites e blogs, na maioria blogs, e o Reader é praticamente meu café da manhã. E todas as outras refeições e variáveis – éeee, porque hoje eu estava o dia todo no estágio, e em vez de sair pra almoçar, pedi comida (!!!), porque tinha esse blog pra ler até o começo. Por favor, alguém me leva pra andar na praia.

*Preciso de um microondas. ou será que sou só eu que consigo queimar pipoca desastrosamente toda vez que invento de fazer? Poxa, eu adoro pipoca, e não como há um século por causa de uma inaptidão genética, não é justo. Hoje mesmo, tava super querendo comer pipoca, mas não tive coragem de fazer e defumar o apartamento inteiro. Comi biscoito folhado com requeijão. Deprimente.

*Tenho que escrever sobre Ensaio Sobre a Cegueira. Não cabe aqui, precisa de um post inteiro. Só adianto que vale a pena ver, se você não for mulherzinha demais pra isso. Me deu uma agonia nas pernas de tanta tensão (isso eu já tendo lido o livro antes, vale salientar). Me fez quase querer vomitar. Me fez quase chorar. E me fez sorrir também, porque tem umas cenas que são de uma ternura incrível. E eu levantei da cadeira do cinema tropeçando que nem os cegos do filme.

*Eu nem devia estar dizendo isso aqui, porque é auto-sabotagem. Maaaaas a verdade é que super bisbilhotei as fotos de Namorado, quando estava passando umas coisas do celular dele pro pc. Não, eu não estava procurando (nem achei) nada suspeito ou que pudesse causar problemas. Só fiquei feliz de estar lá também, e de lembrar de Zé com a toalha na cabeça quase tudo.

E achei isso ^^. um domingo desses no mexicano que eu gosto.

(soundtrack: Dorival Caymmi – Acalanto)

uns dias atrás

Eu sou a copiadora de memes mais descarada que conheço. Esse que vem aí eu nem lembro se alguém me indicou pra fazer muuuitas luas atrás e acabei deixando passar batido. Náo sei nem como é o nome, ou se tem um nome específico pra ele. Só se que vi em vários blogs esses dias e resolvi fazer igual, e daí? O problema é que enquanto as pessoas normalmente escrevem umas 5 frases, eu me perco lembrando das coisas e acabam saindo dois metros de texto. E não que seja ruim, muito pelo contrário. Só queria que fosse assim com a conclusáo do meu artigo, que não sai nunca =/. (E eu fico ainda me fazendo de coitadinha, quando tudo que tenho que fazer é parar de reclamar e fechar o Google Reader pra escrever as coisas direito).

Viram, já mudei de assunto de novo, coisa de DDA que esqueço que tenho – e o melhor de tudo é ficar falando sozinha na caixa de texto do WordPress uaheuaheuahe – mas vamos ao que interessa:

10 anos atrás eu tinha 10 anos. Eu passava o recreio na biblioteca da escola. Estava na quinta série, e me achava o máximo por já ter passado do primário. Eu dava um jeito de não fazer Educação física. Minha mochila era maior do que eu. Eu era a mais nova (e menor) da classe, e já odiava matemática. E minha mãe era minha professora. 10 anos atrás eu conheci a melhor professora de artes que já tive. Eu morava numa casa enorme, que tinha dois pianos e uma árvore de natal de dois metros todo ano. Eu queria ser arquiteta. Eu imaginava casas pra a Barbie. Eu brincava de barbie com Priscila e com Nanda. Com Nanda era mais legal.

5 anos atrás
meu maior guilty pleasure era ler Capricho escondido. Eu queria uma agenda da Capricho. Eu não usava mais mochila, porque já estava no primeiro ano, e mochila era coisa de criança. Eu me mudei de escola, redescobri um amigo de infância e ganhei uma melhor amiga que era o oposto de mim. Eu tirei 10 em química, e não consegui me livrar da nerdice nunca mais. Eu me apaixonei pela primeira vez, e descobri tanto as borboletas no estômago quanto a vontade de chorar até que não sobrasse nada mais em mim, de tanto que doía amar sem ter amor de volta. Ou o que eu achava que era amor. Eu recebi flores de um garoto pela primeira vez. E descobri que meu cupido era absurdamente burro. Eu comecei a escrever pra desabafar, nas folhas do meu fichário de capa de bolhinhas d’água. Eu escrevia com aquelas canetas Bic coloridas. Eu tinha um caderno só pra conversar com as amigas na hora da aula. Eu morei em duas casas diferentes nesse ano, e até hoje tenho um carinho especial por aquela em que só passei 6 meses. Eu conheci a melhor professora de música que já tive. Aprendi a tocar flauta transversal, e aprendi Chico Buarque. Eu abandonei os óculos pelas lentes de contato. Eu ia à igreja todo domingo. Eu ainda queria ser arquiteta.

2 anos atrás eu criei o blog. Eu conheci Sofia. Eu me mudei de cidade. Eu comecei um curso na federal, e não foi Arquitetura. Eu descobri o CAC. Eu morava com uma pessoa insuportável, mas o apartamento tinha uma vista incrível. Eu vi o desfile de 7 de setembro da varanda. Eu estava, em setembro, juntando (de novo) os cacos do meu coração, que foi partido em maio. E já tinha sido remendado no comecinho do ano. Eu trabalhava na empresa da família, e vi pela primeira vez como é trabalhar de verdade. Eu fui seguida por um maníaco (provavelmente inofensivo, mas aparentemente muito perigoso) durante uns dias. Eu dispensei o melhor cara que podia aparecer na minha vida naquela hora, e que era louco por mim, simplesmente porque não dava pra beijar um pensando em outro. Meu cupido ainda era muito burro. 2 anos atrás, eu adorava passar as tardes livres na livraria cultura, o que não é muito diferente de passar o recreio na biblioteca. Eu ganhei minha primeira câmera minha-de-verdade, e adorava fotografar. Eu fui de férias pra casa pela primeira vez.

mais ou menos 1 ano atrás eu estava solteiríssima, e nem ligava mais pra a burrice do meu cupido, que esse já era um caso perdido. Saía de mais uma paixão frustrada, dessa vez por puro despeito do cara em questão não enxergar o óbvio. Eu cheguei a escrever um post me declarando (ok, that was stupid). Eu conheci Carol, e comecei a trocar emails gigantes com ela, e a gente passou a se conhecer desde criança (ok, eu conheci Carol há bem mais tempo, mas ela tinha que aparecer aqui). Eu não tinha turminha na faculdade, mas tinha companhia pra almoçar. E não passava mais o recreio na biblioteca, mas ainda adorava a livraria cultura. Eu fui a uma festa a fantasia, e minha fantasia era a melhor de todas. Eu estava prestes a começar a trabalhar num lugar cheio de computadores e nerds. E beijar um deles sem nem conhecer direito.

6 meses atrás
o nerd que eu não conhecia direito quando beijei pela primeira vez era agora meu namorado há 4 meses. Meu cupido não era mais tão burro assim. O blog completou 2 anos de idade. Eu recebi um aumento no trabalho. Eu já morava sozinha, e estava aprendendo que a vida aparece nos lugares mais inimagináveis da casa, especialmente na geladeira. E que comprar frutas não era um bom negócio. Eu começava o quinto período na faculdade, e só queria voltar pra a praia deserta do mês anterior. Eu era dupla de João, e inexplicavelmente a gente deu certo com os trabalhos de resina. Eu era dupla de Cani, e descobri que, mais do que uma doida viciada em anime e muito boa no que faz, ela é uma amiga incrível (e agora Carol vai ficar com ciúme) e muito boa em roupinhas pra Barbies. 6 meses atrás eu voltei a brincar de barbie. E vi um show de Arts ‘n Crafts. E deixei Namorado subir pro meu apartamento.

1 mês atrás
Comecei a assistir Weeds com Namorado, em noites de pizza, coca-cola e Special Dark. Comecei a escrever um artigo. Comecei o sexto período. Minha máquina de costura quebrou. Comprei um celular novo, que o meu tava pedindo menos. Recebemos, Namorado e eu, um convite de casamento. Vamos. Tá pronto o vestido.

ontem fui à praia fazer um trabalho de faculdade. Troquei receitinhas com Mariana. Recebi email-gigante de Carol e respondi, apesar de ela não estar merecendo muito. Foi aniversário de Mel. Entreguei um convite de casamento que mamãe me encomendou, mas não era o dela. Tive vontade de ir ao cinema assistir Ensaio Sobre a Cegueira, mas não estava nada inspirada pra me arrumar e sair de casa. Fui assistir Weeds em casa com Namorado. Fomos chamados de última hora pra ir ao Jazz Festival (quem puder, vá sem pensar duas vezes) e num instante eu me inspirei pra me arrumar e sair de casa.  Ouvi o autêntico jazz de New Orleans, e descobri como um contrabaixo e um violão, sozinhos, podem ser tão românticos.

hoje acordei meio que escutando ainda o show de ontem, e só pra não perder o clima, botei Billie Holiday pra tocar. Experimentei de novo o vestido do casamento da semana que vem e fiz os últimos ajustes. Vi o começo da classificação do GP da Itália. Tomei Sucrilhos. Quero assistir Ensaio Sobre a Cegueira. E muito provavelmente vou querer escrever sobre (tanto o livro como o filme). Tenho que dar uma leve faxina na casa. Tenho que mandar email do trabalho na praia pro resto da equipe que não foi – bando de bestas.

amanhã quero que Namorado me acorde pra ver o GP da Itália. Só isso, por enquanto. Já começa bem.

(soundtrack: Billie Holiday – The Man I Love)

ensaio sobre os nerds

Nerds são interessantes. Fazem parte da rara espécie de pessoas com quem se pode conversar sobre qualquer assunto (qualquer assunto mesmo, porque eles não deixam o papo morrer nem quando você começa a falar de moda ou de um seriado-de-mulherzinha) por horas a fio. Fora eles, só BFFs. Nerds levam embora a noção do tempo, e do tanto de coisas que tem pra fazer enquanto se conversa com eles.

Nerds captam qualquer referência obscura que você queira inserir na conversa, e são capazes de rir, por exemplo, de uma piada idiota sobre a Câmara dos Comuns do parlamento inglês. E entendem quando você não encontra a tradução pra aquela palavra em outra língua, e acaba falando em inglês, ou em alemão, whatever. Nerds, do nada, só pra te irritar, começam a falar nerdês, C++ês, ou a recitar, como se fosse a Bíblia, a fórmula de um logaritmo algoritmo. E querem que você prove suas teorias mirabolantes sob tal tal e tal parâmetros. E aí dá vontade de dar um beijão de cala-a-boca torcer o pescoço deles.

Nerds são fáceis em termos de dar presente. É só descobrir o filme que ele adora, mas só conseguiu assistir baixado da internet, numa resolução muito mais-ou-menos, ou o livro que ele ainda não leu. Ou na dúvida, dar um pendrive. Não tem erro. Mas o melhor de tudo é ganhar presente deles. Porque um nerd autêntico vai fazer de tudo pra descobrir, como se fosse o resultado daquela equação impossível, o que você gosta, e seu presente vai ser, além de tudo, uma sacada genial.

Nerds não vão te chamar pra sair, ou te dar uma cantada. Pelo menos não do jeito que caras normais fazem. Porque ganhar uma garota envolve todo um jogo de probabilidades e variáveis, e um nerd vai querer ter todas elas garantidas, então você tem que se mexer, pelo menos dar um sinalzinho de que as contas dele estão certas. Ok, com umas doses de Sagatiba muita sorte, talvez ele tome uma atitude.

Nerds super fazem meu tipo, isso não é segredo pra ninguém. Têm uma certa insegurança que faz deles caras muito fofos. E são educados e tímidos e têm uma vontade enorme de acertar. De provar pra si mesmos que estão certos, eu acho. Alguns só funcionam à distância, e, seja você perdidamente apaixonada por um deles ou não, nerds são sempre bons amigos. Nerds são naturalmente predispostos a serem creeps, e é triste, muito triste ver um com o coração partido. Nerds amam, e não é pouco. E costumam se apaixonar pelo que não entendem, e é assim que meninas más transformam nerds puros e doces em cold heartbreaekrs.

Por sorte o meu ainda é puro e doce. E irresistivelmente, apaixonantemente nerd, em todos os sentidos. Sei lá, tem alguma coisa naqueles óculos…

(soundtrack: Mallu Magalhães – Get to Danmark)

carta aberta

Não sinto vontade de nada agora. E não era assim que eu deveria me sentir, quando tem tanta coisa começando, tanta coisa que parece que vai ser boa. Mas algo estava errado hoje. Com você. Com o jeito como você colocou rápido o cinto de segurança, com o beijo que foi um dos mais cheios de sentimento que você já me deu (pelo menos eu senti assim), mas estava estranho. Com o jeito como você estava alheio imediatamente antes. Com o jeito como você quase disse alguma coisa, mas desistiu. Odeio quando você faz isso.

E de repente me deu um medo horrível, e uma tristeza imensa, e uma vontade de chorar. Eu esperei o telefone tocar, e você me dizer qualquer coisa fofa. Não tocou, você não disse, e eu só fiz me encolher debaixo do cobertor, com a barra de chocolate que você deixou aqui da última vez, e torcer pra isso passar. Não passou ainda, e agora só estou torcendo pra chegar amanhã, e eu ver você, certo e seguro e meu amor, e tudo estar exatamente como deve ser.

(soundtrack: Robbie Williams – Better Man)

temos todo o tempo do mundo

Ele é o motivo de eu passar o fim de semana inteiro (e o resto da semana inteira) sem chegar perto do computador pra escrever. Porque afinal de contas, tem tanta coisa melhor pra fazer. E o tempo passa diferente quando estou com ele. Voando. Ele me faz feliz de uma felicidade que não consigo dividir, que só dá pra desfrutar. Sem fotos, sem notinhas na agenda, sem blog. Tem cheiro e tem gosto, mas isso só sentindo mesmo pra saber.

Por ele eu me arrisco até a cozinhar (a experiência #1 de jantar-romântico-e-gostoso-totalmente-feito-por-mim deu bem certo, por incrível que pareça), e por ele eu aprendo o que são algoritmos, e que não, algoritmo e logaritmo não são a mesma coisa. Por ele eu assisto de novo o mesmo filme, e deixo de dar tanta importância ao filme, porque no fim das contas o que importa é só o jeito como ele me comporta perfeitamente nos braços, tendo ou não filme pra assistir. Por ele eu como tomate e bebo suco de acerola. Por ele eu enrolo a língua pra repetir em dinamarquês as palavras que ele fala. E pronto, acaba aqui a lista de sacrifícios, porque todo o resto não me causa esforço ou cansaço nenhum. Porque o amor só flui, corre nas minhas veias macio e fresco, e jovem. Somos tão jovens.

(soundtrack: Legião Urbana – Tempo Perdido)

depois do almoço

[...]

Namorado: mas agora que você tá mais ou menos de férias, vai voltar a postar mais, né?
Line: hmmm… muito não.
Namorado: muito não…
Namorado: você escrevia um bocado.
Line: é. sei lá, é que agora não tem mais tanta coisa acontecendo, não tem tanta necessidade de escrever. Voocê me pegou num momento muito caótico, tudo acontecendo ao mesmo tempo.
Namorado [perplexo]: e agora, não é caótico não?
Line: não… não. agora tá tranquilo.
Namorado: e tá bom?

[Line sente o coração aumentar de tamanho e esquentar, e sorri.]

(soundtrack: Nando Reis – Sim)

fim de período

Os pratos estão formando uma torre na pia. Tem tecidos e papéis espalhados pelo chão da casa toda. Tem roupas jogadas de qualquer jeito no quarto, de quando eu chego em casa, tomo um banho e em vez de cair na cama, morta de cansada, ainda vou trabalhar mais. Já enjoei das músicas do pc, de tanto que escutei enquanto trabalhava nele. A câmera não tem mais memória pra fotografar, de tanta foto de trabalhos sendo feitos que tem nela, e não tenho tempo pra descarregar arrumadinho. Minhas unhas estão pedindo desesperadamente pra eu olhar pra elas com carinho, mas eu não vou ouvir. As palavras escapam antes de serem ditas, e fica aquele branco incômodo de mente cansada. O raciocínio lógico tem uma hora que não funciona mais. A coluna resiste bravamente, e por enquanto só dói um pouquinho, pra eu lembrar que ela existe. O dinheiro vai embora da conta mais rápido do que se diz “aceita visa?”, de tanto material que tô tendo que comprar. Almoço é uma coisa que não existe muito, Namorado é uma coisa que eu não vejo muito, sono é uma coisa à qual não tô podendo me dar ao luxo agora. A personificação do caos, essa sou eu em final de período.

Mas ainda me lembro, todos os dias, de trocar a água das flores que ganhei de presente. Nem tudo está perdido.

Photobucket
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(soundtrack: Belle and Sebastian – Lord Anthon)

^^

Por acaso encontrei seu perfume na roupa que eu estava usando. É impressionante como você aparece assim do nada e me faz feliz em dois segundos. Aí lembrei como é bom dormir no seu colo, e como é bom o seu carinho meio com medo de me acordar. Mas eu adoro acordar no seu colo, então não tenha medo. E adoro essa saudadezinha pequena e inofensiva. Que não dói porque vou levantar no outro dia e ver você ainda por perto.

(E hoje não é dia especial de nada não. Foi só o amor que veio um pouquinho mais forte.)

(soundtrack: Duffy – Warwick Avenue)

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